Livro aborda dificuldades para a inovação no Brasil

Conheça o livro Novos Caminhos para a inovação no Brasil, lançado no dia 11 de junho de 2018.

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Maria Fernanda Ziegler  |  Agência FAPESP – A inovação no Brasil enfrenta diversos entraves. Economia protegida e fechada, burocracia excessiva, baixa internacionalização de empresas e de universidades e pouco interesse do setor privado em inovar estão entre os principais problemas.

Essa é a conclusão da economista Fernanda De Negri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no livro Novos Caminhos para a inovação no Brasil, lançado no dia 11 de junho no auditório da FAPESP. A publicação, elaborada a partir de entrevistas com parlamentares brasileiros e empreendedores, teve apoio da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) e do Wilson Center Brazil Institute, em Washington.

As conclusões apresentadas na publicação também foram expostas na Câmara dos Deputados, em Brasília (12/06), e na sede da Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep), no Rio de Janeiro (13/06).

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“O livro tem uma análise muito interessante do problema da inovação no Brasil. Fico naturalmente satisfeito de ver a Interfarma interessada em um projeto desses. A missão da FAPESP é encorajar a atividade científica, tecnológica e de inovação no Brasil. Para isso, temos convênios de colaboração com algumas empresas e gostaríamos de ampliar esse leque”, disse José Goldemberg, presidente da FAPESP, durante o lançamento do livro.

Segundo ele, as multinacionais que atuam no Brasil poderiam ou deveriam se abrir mais para a colaboração com grupos de pesquisa brasileiros. “Esse debate é uma excelente oportunidade para discutir inovação no Brasil e qual o papel que empresas multinacionais podem representar nesse desenvolvimento”, disse.

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No livro, De Negri traz uma sistematização de todos os fatores que afetam a inovação e muitos dos quais, ela afirma, não são consenso entre especialistas em inovação. Ela explica que existem três fatores principais – pessoas, infraestrutura e o ambiente – para a inovação. Todos os três são influenciados pelas políticas públicas, formando um ecossistema propício ou não para a inovação.

O livro mostra que, apesar de haver avanços importantes no país, ainda falta muito no ecossistema brasileiro de inovação. Seja nos três fatores principais, seja nas políticas públicas, é difícil inovar no Brasil.

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“Muito menos que olhar o lado vazio do copo, a motivação nesse livro foi ver o que podemos fazer para melhorar o ecossistema de inovação. Tivemos avanços, mas há ainda muita coisa que precisamos fazer e rápido”, disse.

Ambiente

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Um dos destaques entre os entraves da inovação brasileira está na economia fechada e com alto índice de proteção. “Isso limita a inovação. O motor para uma empresa inovar é ter um competidor para roubar o seu mercado. Ninguém gosta de ouvir isso, mas o Brasil está sempre nas últimas posições de ambiente de negócio”, disse De Negri.

No livro, De Negri afirma que a burocracia excessiva e um ambiente de negócios pouco dinâmico dificultam que os novos conhecimentos produzidos nas universidades se transformem em novos produtos. “Um ambiente econômico estimulante e competitivo tende a impelir as empresas a inovar e a buscar o conhecimento produzido pela universidade”, disse.

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A economista destaca também que, além de financiar pesquisa e a produção de conhecimento científico nas universidades, cabe ao Estado desenvolver políticas que proporcionem a inovação nas empresas.

“Seja a partir de incentivos propriamente ditos, seja a partir de mais competição, o Estado deve criar esse ambiente mais favorável, onde o custo de fazer negócio não seja tão alto e onde as empresas se sintam pressionadas a criar novos produtos, ou vão perder mercado”, disse à Agência FAPESP.

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Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, é preciso incluir as empresas privadas na discussão sobre como inovar no Brasil.

“Nessa discussão sobre como melhorar a inovação, pouco se fala das empresas. Tenho a impressão de ser um problema de foco. As empresas no Brasil têm uma agenda em pesquisa e desenvolvimento limitadíssima. Quantas patentes as empresas daqui têm? Vinte e nove por mil pesquisadores. Na Coreia do Sul é cerca de mil por mil. Por que os pesquisadores que trabalham em empresas na Coreia do Sul conseguem ter mais ideias que no Brasil?”, disse.

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Baixo conhecimento de ciência

Há também muito o que avançar em relação à geração de conhecimento no país. Segundo De Negri, embora tenha havido um maior desempenho científico nos últimos anos, o Brasil tem menos cientistas e engenheiros em relação à população total do que a maioria dos países desenvolvidos. Outro problema está na baixa qualidade da educação e uma ciência pouco internacionalizada.

“O Brasil é sempre um dos últimos países no exame Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Alunos], que mostra que nossos estudantes têm dificuldades em matemática. Não dá para fazer inovação em um país em que a maioria das pessoas não sabe fazer uma média simples e tem pouco conhecimento de ciência”, diz De Negri.

Para Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo (CTA) da FAPESP, o Brasil criou uma situação sui generis nesse sentido. “A formação de engenheiros per capita no Brasil continua sendo medíocre, assim como de cientistas em geral se compararmos com o resto do mundo. Inventamos uma jabuticaba: como crescer em inovação sem ter cientista ou engenheiro?”, disse.

Quanto à infraestrutura, há uma situação curiosa. “No Brasil, temos relativamente uma estrutura atualizada, porém de pequeno porte. Talvez seja uma lacuna a trabalhar, desenvolver estruturas grandes e multifuncionais”, disse Pacheco.

De Negri lembrou que no Brasil, assim como em outros países também, a produção do conhecimento científico nas universidades é muito financiada pelo Estado e a falta de estabilidade e de continuidade nesses investimentos é um importante problema.

“O Estado tem não só esse papel de investir em pesquisa e desenvolvimento e não é o único agente que investirá em pesquisa e desenvolvimento. Mas uma das funções das políticas públicas é colocar recursos em P&D especialmente em pesquisa básica, que é onde as empresas privadas colocarão menos recursos, já que estão orientadas para o desenvolvimento de produtos”, disse.

O livro Novos caminhos para a inovação no Brasil, de Fernanda De Negri, pode ser lido em www.interfarma.org.br/public/files/biblioteca/novos-caminhos-para-a-inovacao-no-brasil-interfarma.pdf ou em www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=33511&Itemid=433). 

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