Legislativos de Sergipe viram caso de justiça

Votações polêmicas, como a da escolha do novo conselheiro do TCE, a que definiu o modelo de OSs para a Saúde de Aracaju e a que definiu o reajuste da tarifa do transporte público, foram questionadas - e acatadas - na Justiça; como resultado disto fica o desgaste da imagem do Legislativo; guardião da lei, o parlamento tem sido alvo da ação do Judiciário, colocado, em muitos casos, para legislar em lugar de deputados e vereadores

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Valter Lima, do Sergipe 247 – A Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) realizou nesta segunda-feira (3) nova rodada de votação para escolha do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). A primeira eleição, que de seu em outubro do ano passado, foi questionada na Justiça. Optou-se, então, por um novo pleito, que deve voltar para as mãos do Judiciário.

Enquanto isso, no parlamento de Aracaju, a recente votação que aprovou o modelo de Organizações Sociais para a Saúde municipal também será alvo de processo. O Ministério Público Estadual e o Sindicato dos Médicos de Sergipe acionarão a Justiça para impedir que o projeto seja colocado em prática.

Esta, inclusive, não será a primeira votação da Câmara de Vereadores da capital que vai parar nas mãos dos magistrados sergipanos. Em abril, o reajuste da tarifa do transporte público também foi embargado. Um novo processo teve que ser realizado, respeitando a Lei Orgânica Municipal.  

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Tanto na questão estadual quando na municipal, as maiorias se impuseram, mesmo com os alertas feitos pelas minorias de que havia irregularidades.

Na sessão de ontem da Assembleia, o deputado estadual Francisco Gualberto (PT) chamou a atenção da presidente da Casa, a também deputada estadual Angélica Guimarães (PSC), para o fato realizar a nova votação para escolha do conselheiro do TCE pela legislação anterior. Não foi ouvido. O candidato derrotado do pleito, o secretário de Estado da Educação, Belivaldo Chagas, entrará novamente com pedido de embargo do pleito. Com os mesmos argumentos que embasaram a ação anterior, é provável que o processo seja paralisado.

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Na Câmara – no projeto do aumento da passagem de ônibus e na aprovação do modelo de OSs –, as votações se deram de maneira intempestiva. Os vereadores de oposição pediram mais tempo para dialogar e apontaram problemas. Foram ignorados.

O saldo deste tipo de imposição das bancadas majoritárias (na Câmara, a governista; na Assembleia, a de oposição) é o desgaste na imagem dos legislativos. Quando questionados na Justiça, tornam-se desacreditados.

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Embora propalem a independência que deveria ser basilar dos seus atos, os parlamentos, invariavelmente, atendem a interesses diversos, menos aos da sociedade. Quase sempre dependentes dos Executivos ou de lideranças outras que dominam agrupamentos políticos, deputados e vereadores se eximem das responsabilidades próprias dos mandatos conquistados nas urnas. É por isso que, cada vez mais, é a Justiça quem tem “legislado” no lugar do Parlamento.

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