Lagoa da Pampulha: 100% contaminada
Pela primeira vez na história, todas as coletas feitas em 26 estações nos mananciais da bacia apontaram níveis de coliformes fecais acima do tolerado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Minas 247 - Belo Horizonte conseguiu um feito do qual não precisará se orgulhar. Pela primeira vez na história, um laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) apontou que todas (100%) as coletas de amostras em 26 estações da Lagoa da Pampulha revelaram níveis de coliformes fecais acima do tolerado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.
Leia trecho da reportagem de Mateus Parreiras, do jornal Estado de Minas:
Não há lugar no espelho d’água de 42 quilômetros quadrados da Lagoa da Pampulha que escape à poluição. A constatação visual dos frequentadores do cartão-postal da capital mineira foi confirmada pelo último laudo do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), referente a janeiro, fevereiro e março deste ano. Durante os levantamentos feitos a partir da coleta de amostras em 26 estações nos mananciais da bacia, o reservatório apresentou em todos os exemplares níveis de coliformes fecais (presentes no esgoto doméstico) acima do tolerado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Nunca um levantamento do Igam havia mostrado contaminação tão sistemática a ponto de comprometer 100% das amostras. No ano passado, por exemplo, os coliformes estavam presentes em 92% das estações, sendo que em 2010 eram 87%. No que se refere ao índice de qualidade da água, também medido pelo Igam, o nível considerado “bom” virtualmente desapareceu: caiu de 4% em 2011 para zero em este ano. Somados, os níveis “ruim” e “muito ruim” também tiveram queda – de 75% para 65%. Nos estudos realizados desde 2007, a qualidade da água jamais mereceu a classificação “excelente”. Ontem, o governo do estado iniciou os preparativos para uma sonda que vai monitorar em tempo real a qualidade da água do lago.
Os córregos que mais poluem a lagoa são o Sarandi, que vem de Contagem, e seus afluentes Cabral e Petrobras, todos carregados de coliformes fecais, fósforo, manganês, zinco e outros poluentes. O Córrego da Ressaca também é poluidor. O resultado é alta concentração de tóxicos que fazem mal à fauna, à flora e à saúde dos frequentadores da orla. Embora os níveis críticos de tóxicos tenham apresentado queda de 50% para 39% das amostras, a concentração baixa também caiu, de 46% para 17%. Com isso, aumentou também a presença de tóxicos em quantidades médias, de 4% para 43%. Nove córregos concentram os níveis mais críticos dessas substâncias nocivas, sendo eles o Perobas, Cabral, Sarandi, Gandi, Ressaca, Avenida A, Avenida Nacional, Água Funda e Mergulhão.
O laudo do Igam aponta que os poluentes mais tóxicos encontrados na bacia da Pampulha são o nitrogênio amoniacal, fenóis, cianeto livre e zinco. O nitrogênio, que é um nutriente para as plantas, em grandes quantidades pode levar ao processo de superpovoamento de algas nos rios e lagos. As elevadas concentrações de nitrogênio amoniacal e fenóis verificadas na Bacia da Pampulha estão associadas aos lançamentos dos esgotos domésticos dos municípios de Belo Horizonte e Contagem, além dos efluentes industriais, particularmente de indústrias que apresentam elevada carga orgânica nos efluentes como alimentícia, têxteis e papel, bem como das interferências dos aterros sanitários presentes na região. Os resultados de cianeto livre e zinco total refletem os impactos dos lançamentos de efluentes industriais como de empresas têxteis, metalúrgicas e galvânicas presentes principalmente no município de Contagem.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247