Lacerda e Patrus já mostram táticas diferentes
Pelo menos neste começo de campanha eleitoral em BH, prefeito do PSB aposta no apelo das obras inauguradas em sua gestão. Já o candidato petista aposta numa suposta burocratização da prefeitura, com pouco apelo popular e menor preocupação social - o que Patrus garante que vai acabar se for eleito. A estratégia dos dois é correta?
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Minas 247 - À primeira vista, é difícil imaginar que poderia ser diferente. De um lado, um prefeito que tenta a reeleição, até o momento bem avaliado pela população e que, para o bem ou para o mal, fez da cidade um canteiro de obras. Do outro lado, um ex-prefeito que trouxe inovações quando esteve no poder, há quase 20 anos, várias delas relacionadas à maior participação da população nas decisões; depois, o mesmo ex-prefeito foi o responsável pelo maior programa de distribuição de renda já feito no país, o Bolsa Família.
Como se vê, Marcio Lacerda (PSB) e Patrus Ananias (PT) não teriam como fazer muito diferente, pelo menos neste começo de campanha para a Prefeitura de Belo Horizonte. As duas táticas eleitorais dos dois giram em torno do “forte” de cada um - e no que enxergam como “fraco” no adversário: Lacerda aposta nas obras e no que elas mudaram no coditiano dos moradores da cidade. Patrus, na “retomada” da participação da sociedade nas decisões da prefeitura e no social.
Uma das fotos que ilustra este texto mostra um Marcio Lacerda vistoriando obras. O prazo para inaugurações acabou no último dia 7, mas tudo indica que o prefeito manterá a vistoria. Nesses momentos, terá oportunidade de identificar-se com o que está sendo feito, posar para fotos e, é claro, pegar o dividendo eleitoral da empreitada.
As equipes de comunicação ligadas ao prefeito já começaram o trabalho de filmagens das obras. Nesta quarta-feira, o prefeito de BH fez caminhada na região do Barreiro, zona oeste da capital, ao lado do candidato a vice, o deputado estadual Délio Malheiros (PV). Lacerda fez discurso em carro de som, acenou para populares, mas não esqueceu o mote, garantindo que vai priorizar obras para conter as enchentes do bairro Olaria, da mesma regional do Barreiro.
Com isso, ao menos em tese, o candidato do PSB e seus apoiadores acreditam afastar um dos problemas detectados na campanha eleitoral de 2008. Apoiado por dois políticos populares na capital, o então governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista na época, Fernando Pimentel, Lacerda não teve voz própria no primeiro turno. Acabou enfrentando um segundo turno que muitos acreditavam ser impossível há quatro anos em BH. Agora, com obras como a revitalização da Savassi (inaugurada este ano), ele pode se apresentar como “Marcio Lacerda”, e não mais apenas como o “escolhido” de Aécio - se não der certo, claro, ninguém duvide que o prefeito chamará o senador para a campanha…
Patrus enfrenta um outro tipo de problema. Nas pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, entre eleitores com mais de 35 anos, está praticamente empatado com Lacerda. Para os mais jovens, contudo, ele é quase um desconhecido, com menos de 15% das intenções de voto.
Sem obra física para mostrar, o ex-ministro de Lula aposta no estilo. Ao jeito mais sério de Lacerda, apresenta sorrisos. A uma suposta frieza do prefeito, joga para o eleitor uma imagem de alguém preocupado com as pessoas.
Não é à toa que uma das primeiras polêmicas veio do Orçamento Participativo (OP). Patrus trouxe o tema em discussão, reivindicando a paternidade do mecanismo na capital mineira. Os tucanos não gostaram e lembraram que ele já existia, sob outro nome, na administração de Pimenta da Veiga (1989-1990). Com a prioridade que recebeu, o OP realmente é um feito do petista, até relegado a segundo plano em gestões seguintes, incluindo a do petista Fernando Pimentel.
Patrus, é claro, também vai explorar seu trabalho no Ministério do Desenvolvimento Social, onde ficou por seis anos no governo Lula. Lá, geriu o programa Bolsa Família, com relativo sucesso.
Como se vê, a questão não é nem saber se a tática dos dois principais candidatos em BH é correta. Mas saber se poderiam optar por outra. A resposta mais provável é não. Mas em campanha eleitoral tudo pode mudar. A conferir como será na capital mineira...
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