Kassab monta comitê de segurança com nomes de Serra
Ex-prefeito elege segurança o tema prioritário de sua campanha ao governo de São Paulo; Gilberto Kassab nunca escondeu que quer ser candidato em 2014; com ex-integrantes da cúpula policial na gestão de José Serra, além de um ex-auxiliar do secretário Saulo Abreu, presidente do PSD já faz suas propostas; enquanto isso, governador Geraldo Alckmin dá voltas de carro por regiões problemáticas para descobrir como agir
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247 - Em silêncio, o ex-prefeito e presidente do PSD Gilberto Kassab cooptou quadros da área de segurança das gestões de José Serra e Geraldo Alckmin em São Paulo para montar o seu próprio conselho de segurança. Estão nele o ex-comandante da Polícia Militar Álvaro Camilo, hoje vereador pelo partido, o ex-subdelegado-geral da Polícia Civil Alberto Angerami, atualmente assessor na SPTuris, da Prefeitura, e o sociólogo Túlio Kahn, responsável pelas estatísticas de criminalidade do governo estadual entre 2003 e 2011. Camilo e Angerami foram para o comando da segurança pública por indicação de Serra. Kahn, hoje na equipe do prefeito Fernando Haddad, foi auxiliar do ex-secretário de Segurança Saulo Abreu, hoje na pasta dos Transportes.
A preocupação com a segurança demonstra que Kassab já escolheu um dos temas de sua campanha a governador em 2014, dada como certa por integrantes de seu partido. Em todas as negociações que participou, ele deixou sempre claro que pretende concorrer. Há a hipótese, inclusive, de contar, nessa empreitada, com o apoio do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso pode acontecer, senão na forma de uma coalizão às claras em primeiro turno, por um pacto de não agressão e troca de apoios no caso de apenas um entre eles ir para o segundo turno.
Elegendo a segurança como tema principal, Kassab prepara tanto um plano de governo como uma plataforma para concorrer ao Senado, caso o tucano José Serra concorra a governador. Ambos já firmaram um pacto de que um não seria adversário direto do outro, mas isso pode ser ultrapassado em 2014.
O certo é que será muito difícil até mesmo pelo habilidoso Kassab poupar de críticas o governador Alckmin pela situação na segurança.O governo paulista trabalha com estatísticas de que o Estado mantém há anos os melhores índices de criminalidade da Federação, mas o problema é a amplificação das dezenas de ocorrências diárias, entremeadas por casos rumorosos, entre a população. As pesquisas indicam que a sensação de insegurança cresce a ponto de ser a maior preocupação dos paulistas.
Neste cenário, enquanto Kassab e seu comitê já aparecem com as primeiras sugestões de medidas para a segurança pública – maior presença da Polícia Militar nos municípios, com aproximação às Guardas Municipais, e pagamento pelos cofres do Estado dos custos da Operação Delegada, que remunera policiais militares que atuam durante as folgas --, Alckmin parece que ainda está decidindo o que fazer.
Reportagem da jornalista Juliana Duailibi, do jornal O Estado de S. Paulo, revela que há duas correntes no entorno do governador. Uma quer vê-lo liderando a questão, chamando diretamente para o seu gabinete o tema. Outra, na direção oposta, sustenta que segurança pública é muito mais um tema nacional, sem solução exclusiva pelo Estado. Nesse muro, a jornalista conta que Alckmin tem criado o hábito de dar voltinhas de carro por regiões mais problemáticas da cidade, como a cracolândia, hoje expandida por todo o centro da capital, em companhia de um convidado. Para ver o que acontece e tirar suas próprias conclusões sobre o que fazer. Até agora...
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