‘Jurisprudência heterodoxa de Moro não será seguida no futuro’, diz analista

O cientista política da UFMG Bruno P. W. Reis, avalia que "a narrativa que a Lava-Jato resolveu adotar para sua investigação supõe que Lula fosse o artífice e arquiteto de todo o esquema"; analista diz que o juiz Sérgio Moro "teve de contentar-se com ilações sobre ilegalidades presumíveis a partir de evidências de certa bajulação do ex-presidente por beneficiários de ilicitudes na Petrobrás, depois do fim de seu mandato"; segundo ele, Moro forçou "uma interpretação da jurisprudência ainda mais heterodoxa do que costuma fazer, criando precedente insustentável, que não será seguido no futuro"

O cientista política da UFMG Bruno P. W. Reis, avalia que "a narrativa que a Lava-Jato resolveu adotar para sua investigação supõe que Lula fosse o artífice e arquiteto de todo o esquema"; analista diz que o juiz Sérgio Moro "teve de contentar-se com ilações sobre ilegalidades presumíveis a partir de evidências de certa bajulação do ex-presidente por beneficiários de ilicitudes na Petrobrás, depois do fim de seu mandato"; segundo ele, Moro forçou "uma interpretação da jurisprudência ainda mais heterodoxa do que costuma fazer, criando precedente insustentável, que não será seguido no futuro"
O cientista política da UFMG Bruno P. W. Reis, avalia que "a narrativa que a Lava-Jato resolveu adotar para sua investigação supõe que Lula fosse o artífice e arquiteto de todo o esquema"; analista diz que o juiz Sérgio Moro "teve de contentar-se com ilações sobre ilegalidades presumíveis a partir de evidências de certa bajulação do ex-presidente por beneficiários de ilicitudes na Petrobrás, depois do fim de seu mandato"; segundo ele, Moro forçou "uma interpretação da jurisprudência ainda mais heterodoxa do que costuma fazer, criando precedente insustentável, que não será seguido no futuro" (Foto: Leonardo Lucena)


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Minas 247 - O cientista política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Bruno P. W. Reis, avalia que "a narrativa que a Lava-Jato resolveu adotar para sua investigação supõe que Lula fosse o artífice e arquiteto de todo o esquema".

"Assim, ela lançou-se há dois anos, de maneira autoconfiante e irresponsável, em busca de provas contra ele. Não achou. Então teve de contentar-se com ilações sobre ilegalidades presumíveis a partir de evidências de certa bajulação do ex-presidente por beneficiários de ilicitudes na Petrobrás, depois do fim de seu mandato", diz.

De acordo com o analista, "os eventuais eleitores de Lula podem querer avaliar se ainda quererão ou não votar nele depois dessas informações, mas nada do que apareceu configura crime". "Auditorias internacionais, feitas a pedido de Moro, tampouco encontraram qualquer indício de benefício a Lula. Moro, então, viu-se diante do dilema de condená-lo mesmo sem provas ou ter de desautorizar sua própria interpretação inicial dos eventos. Escolheu a primeira opção. Para isso, força uma interpretação da jurisprudência ainda mais heterodoxa do que costuma fazer, criando precedente insustentável, que não será seguido no futuro", diz. 

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"A situação nos deixa com várias perguntas a respeito de uma delicadíssima situação política. Além de ex-presidente, Lula lidera as pesquisas eleitorais. João Vaccari, ex-tesoureiro do PT, acaba de ser absolvido em segunda instância de acusação pela qual Moro o havia condenado a 15 anos. Se o mesmo acontecer com Lula, ele ainda poderá ser candidato. Há outras acusações, porém, envolvendo o uso do tal sítio em Atibaia. Pode-se tomar por certo que ele será condenado também nesse processo. Se as duas sentenças forem reformadas, talvez Lula saia ainda mais forte", acrescentou.

O analista alerta para sentenças "bastante heterodoxas". "Isso, por si só, já seria politicamente explosivo. Mas suponhamos que depois essas sentenças sejam rejeitadas no Supremo. Qual o custo de um cenário como este para a estabilidade de nossas instituições políticas, e para a viabilidade do mandato do presidente eleito em 2018? Como governar, nas condições atuais, sob a sombra de uma impugnação irregular da candidatura do Lula? Estamos, neste momento, com o país à deriva, e esse estado de coisas ainda vai durar alguns anos. Não sei quanto anos serão, mas me parece seguro afirmar que, infelizmente, o cenário de incertezas e instabilidade prosseguirá para bem além de 2018", finalizou.

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