Julgamento do mensalão alerta: PT pode se frustrar
Partido enfrenta problemas em várias capitais; em outras, cria problema para si próprio. É o caso de Goiânia, onde Paulo Garcia alimenta o clima de ‘já ganhou’ e Iris Rezende mostra que já esteve mais contente com sua ‘cria’ petista
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247 – A expectativa era tão boa que o PT começou a despertar ciúmes do PMDB. Ao saber que os petistas ambicionavam fazer frente aos peemedebistas em número de prefeituras no País, parlamentares do PMDB chegaram a entregar ao vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), um manifesto contra o PT e a possibilidade de o partido se valer da máquina pública para suplantá-lo nas eleições municipais deste ano – em 2008, o PMDB emplacou 1,2 mil prefeitos, mais da metade dos 558 do PT. Mas, com o agendamento do julgamento do mensalão para o início do segundo semestre, a maré parece estar mudando para o PT – e com a ajuda dos próprios petistas.
O agendamento do mensalão para agosto na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) assustou dirigentes do partido, que reconhecem: ele irá interferir diretamente nas eleições municipais deste ano, pois os votos dos ministros do STF devem coincidir com o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, e o esquema será usado pelos adversários contra os candidatos petistas.
No caso do deputado federal João Paulo Cunha, pré-candidato do PT em Osasco e um dos 38 réus do mensalão, a influência do julgamento neste momento é mais evidente, mas o agendamento do tema na pauta do STF também causa constrangimento em Curitiba, onde o PT apoia o pré-candidato do PDT, Gustavo Fruet, ex-tucano que teve desempenho destacado na CPI dos Correios (foi sub-relator de movimentações financeiras), que acabou desembocando na revelação do esquema do mensalão.
Apadrinhado pelo ex-presidente Lula, o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, também dificilmente escapará de críticas por conta do mensalão na campanha deste ano. Mas, no caso dele, a dificuldade se amplifica pela natural implicância da (potencial 'puxadora' de votos) senadora Marta Suplicy à candidatura imposta por Lula. Sem pretender aumentar o constrangimento no PT paulistano, a senadora disse que sua ausência no lançamento da pré-candidatura de Haddad, no último sábado, falou tudo o que ela tinha para dizer sobre o descarte de seus 29% de intenção de voto na disputa municipal.
Recife
Desentendimento internos do partido também impuseram dificuldades á campanha petista no Recife, onde o prefeito João da Costa foi alijado da disputa para dar lugar ao senador Humberto Costa, tudo para conseguir o apoio do PSB do governador Eduardo Campos para Haddad, em São Paulo. Agora, os petistas se perguntam: como Humberto Costa poderá defender a gestão de João da Costa se nem o PT demonstra confiar no atual prefeito da capital pernambucana?
Desentendimentos internos também enchem de perguntas o desempenho do PT na sucessão de Belo Horizonte, onde o vice-prefeito Roberto Carvalho (PT) rompeu com o prefeito Márcio Lacerda (PSB) e passou a pleitear candidatura própria. O partido decide no domingo qual será o vice para a eleição de Lacerda, mas está dividido. Também por questões partidárias, o PT deve ficar fora da próxima prefeitura de Porto Alegre, onde os petistas ignoraram os mais de 30% de intenções de voto da aliada Manuela D'Ávila (PCdoB) para lançar candidatura própria com Adão Villaverde, ainda inexpressivo na disputa, que também envolve o atual prefeito, José Fortunati (PDT).
É bem provável que o comando da máquina federal e a popularidade da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula contribuam para que o PT aumente a quantidade de prefeituras governadas pelo país neste ano, mas a tarefa já pareceu mais simples.
Goiânia
Goiás 24 – Na capital goiana, o reflexo do julgamento do mensalão é uma incógnita. O desgaste para o PT é evidente. Apesar disso, o prefeito se comporta como quem nada tem a ver com os fatos. Há ainda outro reflexo negativo a ser considerado: o desdobramento da CPI do Cachoeira.
Paulo Garcia não surge nas ligações com o contraventor, mas já perdeu auxiliar por conta de gravação que o cita e na semana passada surgiram denúncias que podem implicar o ex-prefeito Iris Rezende (PMDB) e envolve um ex-auxiliar do Paço Municipal (leia aqui). E há ainda obras de sua administração que estão sob questionamento, como a construção do Mutirama.
O principal problema, no entanto, de Paulo Garcia hoje está na autoconfiança de sua assessoria, que avalia que o principal adversário viria do ninho do governador tucano Marconi Perillo (PSDB), mas como este está afundado no caso Cachoeira, não terá força para bancar um nome na capital. Nesse, caso, Paulo Garcia estaria caminhando para ganhar por “W.O.”
A certeza da vitória é tanta que Paulo Garcia ignora os fatos e as consequências priorizando uma estratégia que pode voltar-se contra ele próprio. O mais curioso é que pesquisas às quais o 247 teve acesso mostram que o prefeito, para se reeleger, depende da participação de Iris Rezende como cabo eleitoral.
Iris, no entanto, é cada vez menos ouvido nos pedidos e está cada dia mais descontente com sua cria petista. O prefeito tem feito compromissos e não cumprido com aliados seus, e desagradado em decisões. O prefeito mantém silêncio público sobre o que pensa, mas nos bastidores já não esconde a decepção.
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