João não está preocupado com a Beira-Mar; ele faz jogo político

Prefeitura pode realizar obra emergencial na área, reduzindo os impactos do avanço das águas e reforçando, por exemplo, a estrutura da balaustrada, mas o prefeito João Alves Filho prefere "tocar o terror" afirmando reiteradas vezes que a avenida vai desmoronar, e tenta pressionar Adema para que libere uma licença ambiental de forma açodada; placa colocada no local da interdição mostra irresponsabilidade da atual gestão com algo que diz ser tão grave; não se resolverá o problema repassando responsabilidades, se omitindo ou criando situações negativas; porque o prefeito não repensa a faraônica obra que pretende fazer ali?

João não está preocupado com a Beira-Mar; ele faz jogo político
João não está preocupado com a Beira-Mar; ele faz jogo político


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Valter Lima, do Sergipe 247 – Não é lógico cobrar de um político que não faça política. No entanto, é irracional fazer jogo político com as preocupações de uma comunidade inteira. E é isto que está sendo feito pelo prefeito João Alves Filho (DEM) com a obra de contenção do avanço do mar na avenida Beira-Mar, no bairro 13 de Julho. Ele tenta criar uma situação desfavorável à Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), para pressionar a liberação de uma licença sem os estudos ambientais necessários.

É o tipo de política que não agrega, nem beneficia o povo, mas tenta fazer das pessoas massa de manobra, principalmente aquelas que temem ser afetadas por um suposto desabamento da avenida, como tem sido alardeado pela administração municipal. É irresponsável colocar uma placa em frente à via interditada da forma que a prefeitura fez, utilizando uma informação que não é verdadeira. Lá está escrito: “Via interditada por decisão judicial. Início das obras: aguardando licença ambiental da Adema”.

Desde a primeira decisão judicial, quando se determinou o fechamento de uma das faixas da Beira-Mar, que a Justiça entendeu que devem ser realizadas obras emergenciais no local. A segunda decisão judicial confirmou esta tese e foi mais clara: não se pode fazer qualquer intervenção de maior relevo na área sem os devidos estudos ambientais. Ou seja, é a confirmação do que disse a Adema à prefeitura.

continua após o anúncio

Também informou a Adema que o prefeito poderia realizar uma obra de caráter emergencial. Sobre esta inclusive não pesa a necessidade de estudos, pois o impacto que ela causa sobre o meio ambiente é menor. João Alves Filho e a equipe que está lidando com toda esta polêmica poderiam viabilizar uma ação emergencial – um reforço na estrutura da balaustrada, por exemplo. Mas sobre isto, a prefeitura tergiversa. Não avança. E não confirma em atos a suposta preocupação com o que pode ocorrer naquela área. Prefere pressionar a Adema, via discursos e entrevistas falaciosas, para que libere a faraônica obra que João quer realizar dentro do rio.

São 40 metros de aterro do rio mais a construção de seis paredões de concreto de mais 40 metros que ocuparão uma área gigantesca, onde as águas do rio e do mar já tomaram para si. Para onde irá toda essa água? Que espaço será reservado para ela? Que garantias há de que a agressividade com que a água vem hoje sobre a Beira Mar não se deslocará para o bairro Coroa do Meio ou para o Centro da capital ou para o município vizinho, a Barra dos Coqueiros, ou até mesmo para o trecho adiante da própria avenida, onde hoje há o calçadão?

continua após o anúncio

Isto o prefeito não quer responder. E é justamente o que os estudos ambientais podem mostrar. E é por isto que a prefeitura tenta passar por cima da necessidade destes apontamentos. Como uma criança cheia de manhas, o prefeito faz birra para que a Adema libere a obra que ele tanto deseja realizar, mas esquece que no mundo de hoje as condicionantes ambientais se tornam cada vez mais relevantes no contexto das ações de engenharia. Porque não optar por uma obra mais sustentável, senhor prefeito?

Via nota de esclarecimento, a Adema informou nesta terça-feira (28) que “a interdição daquele trecho da pista no sentido sul – norte se deu por força de decisão liminar proferida pelo juízo da 3ª Vara Cível da capital, em Ação Civil Pública interposta pelo Ministério Público do Estado de Sergipe em face do Município de Aracaju e Empresa Municipal de Urbanização (Emurb).

continua após o anúncio

A Adema disse ainda que “não teve, não tem e não terá, certamente, qualquer interferência naquela decisão tanto pelo fato de que não compunha a lide até aquele momento processual e por esse motivo não teria como se posicionar perante àquela decisão, quanto por estar amparada por consistência eminentemente técnica dada pelo seu corpo de especialistas de que a situação fática não enseja medidas emergenciais da forma como proposta e acatada por aquele juízo”.

O órgão estadual acusa a prefeitura de “grave omissão” ao colocar na avenida a placa onde acusa a Adema pela demora no início das obras. “Trata-se de notificação expedida pela Adema (processo nº 2013-002160/TEC/NOT-0345) em 29.04.2013, exigindo do empreendedor, Emurb, diversas complementações em face da flagrante insuficiência do estudo apresentado, com o intuito de instruir pedido de licença ambiental para uma obra do porte e do potencial degradador como a que se pretende executar na interseção dos leitos do Rio Sergipe e Rio Poxim que compõem, por assim dizer, a Praia 13 de Julho”.

continua após o anúncio

A Adema se volta também para a sociedade e afirma que “é crucial que a população de Aracaju tenha acesso às informações por completo e de forma transparente a respeito dos fatos que estão sendo veiculados, principalmente por estar sendo diretamente afetada por uma medida judicial que impôs restrições de mobilidade evidentes”.

E dá a cartada final: “E justamente nesse sentido é que a Adema, através de sua diretoria e corpo técnico competente, faz questão de esclarecer a população aracajuana que está de prontidão aguardando as complementações a serem apresentadas pela Emurb, a fim de que possa prosseguir com a análise do pedido de licenciamento ambiental, ressaltando estar a cargo, exclusivamente, dessa última, o tempo em que o processo ficará suspenso”.

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247