João Alves sanciona tarifa de ônibus de R$ 2,45, sob protestos

Prefeito assinou lei que aumenta a passagem de R$ 2,25 para R$ 2,45, que passa a vigorar nesta semana; Movimento Não Pago faz manifestação e mantém discurso de que há irregularidades na planilha de custos, que geram R$ 0,63 de lucro indevido em cada passagem; "não podemos aceitar qualquer proposta de aumento de tarifa, pois o sistema é de péssima qualidade"

João Alves sanciona tarifa de ônibus de R$ 2,45, sob protestos
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Jornal do Dia - O prefeito João Alves Filho (DEM) confirmou nesta segunda-feira (13) que sancionou o decreto com o reajuste nas tarifas do transporte coletivo de Aracaju, conforme proposta aprovada pela Câmara de Vereadores na semana passada. O prefeito havia proposto que a tarifa passasse para R$ 2,43, mas os vereadores arredondaram para R$ 2,45. O vereador Emerson Ferreira (PT) impetrou ação judicial questionando a mudança de valor feita por iniciativa do legislativo. Para entrar em vigor, o decreto do prefeito precisa ser publicado no Diário Oficial do Município, o que pode ocorrer a qualquer momento.

A Frente em Defesa da Mobilidade e Transporte Público, composta por movimentos e organizações da Grande Aracaju, realizou na segunda mais uma manifestação contra o aumento da passagem do transporte coletivo. A concentração para o Ato aconteceu na Praça da Catedral e o objetivo foi exigir que o prefeito João Alves Filho não sancionasse o aumento da passagem, tendo em vista supostas fraudes no cálculo da tarifa, não esclarecidas pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e Sindicato das Empresas de Transporte Público (Setransp).

Segundo o movimento, o cálculo feito pelo Setransp e SMTT inclui na tarifa custos que não existem, como: gastos com câmara de ar e protetores, quando a frota de ônibus de Aracaju se utiliza de pneus com tecnologia sem câmara de ar. Outra suposta grave irregularidade contida nas propostas oficiais é a inclusão de gastos com salários de cobradores em micro-ônibus, sendo que nesses veículos só há um profissional realizando as duas funções.

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"A SMTT fez uma pesquisa de preço para alguns insumos, chegando a valores menores para óleos, lubrificantes e pneus. No entanto, esse cálculo leva em consideração apenas os preços superfaturados alegados pelo Setransp", afirma o economista Demétrio Varjão. De acordo com análise do Movimento Não Pago, se for feita uma auditoria da planilha e forem retirados os custos que não existem, o valor da tarifa deveria ser reduzido imediatamente para R$ 1,82.

A conclusão do movimento é que, caso o aumento para R$ 2,45 seja aplicado, essas irregularidades geram R$ 0,63 de lucro indevido em cada passagem. No final do ano, serão cerca de R$ 47,4 milhões de lucro injustificado (são mais de 75 milhões de passagens inteiras por ano) para os bolsos dos empresários.

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"Por esses motivos, não podemos aceitar qualquer proposta de aumento de tarifa, pois além de o sistema de transporte público ser de péssima qualidade, sabemos que o valor real da tarifa é muito menor do que o cobrado pelas empresas de ônibus. Além disso, não se pode falar que os empresários tiveram prejuízos nos últimos anos, já que foram beneficiados com a redução do ISS no ano passado e os seus lucros continuam sendo guardados a sete chaves", afirma Gustavo Fonte, advogado e coordenador no movimento Não Pago.

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