Jarbas: Vivemos uma situação pior que ditadura

Senador do PMDB-PE, que faz oposição ao Governo do PT desde a Era Lula, se recusou a participar da votação da MP dos Portos no Senado – classificou o processo que aprovou a reforma do setor de "farsa"

Jarbas: Vivemos uma situação pior que ditadura
Jarbas: Vivemos uma situação pior que ditadura (Foto: Pedro França)


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247 - O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) se recusou a participar da votação da MP dos Portos no Senado. “Não me animei a ficar lá, feito um idiota, coonestando aquilo tudo”, disse o senador em entrevista ao blog de Josias de Souza. “Achei melhor me aborrecer vendo pela televisão.” Jarbas classifica o processo de votação de “farsa”. Sustenta que o Legislativo vive hoje “uma situação pior do que a que atravessamos na época da ditadura.”

O parlamentar, que faz oposição ao Governo do PT desde a Era Lula, é contra a maneira de atuação do seu partido no plano nacional: “O PT determina o que o PMDB tem que fazer e o PMDB se subordina a isso. É uma coisa muito complicada, porque se esperava uma postura mais impetuosa e independente do partido, mas o PMDB hoje é manobrado”, diz.

O senador carimbou, recentemente, a sua aliança com o governador de Pernambuco e cotado para ser um dos presidenciáveis no próximo ano, Eduardo Campos. “É uma aliança definitiva, consolidada”.

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Leia trechos da entrevista:

Por que não permaneceu no plenário?

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Fui ao plenário para registrar minha contrariedade com o absurdo a que o Senado foi submetido. Renan disse que, a partir de agora, não recebe mais medida provisória a menos de sete dias de vencer o prazo de validade. Afirmou que essa MP dos Portos seria uma excepcionalidade. Admitiu que é uma aberração. Mas recebeu. Não tenho nenhuma razão para acreditar nele. Na semana passada, o Senado já havia votado uma medida provisória recebida na véspera, sem respeitar nem o prazo mínimo de 48 horas. Foi dito que aquilo era uma exceção, que não se repetiria. Antes, na votação do projeto de lei que inibe a criação de partidos políticos, foi feita uma votação simbólica. Eles perderam. Renan fingiu que não viu. Foi preciso pedir votação nominal para derrubar a sessão por falta de quórum. O STF depois suspendeu a tramitação da proposta. Como podemos dar crédito a esse tipo de gente?

Não se animou a enfrentar o embate dos portos?

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Nunca fui de fugir de embates. Mas esse embate eu já sabia o resultado. Por isso, não vi razão para permanecer em plenário. Ao contrário do que fez o presidente da Câmara, Henrique Alves, que conduziu a votação com decência, o Renan já havia deixado claro na véspera que iria atropelar. Não me animei a ficar lá, feito um idiota, coonestando aquilo tudo. Vim para casa. Achei melhor me aborrecer vendo pela televisão.

Do modo como fala tudo parece reduzir-se a um teatro, é isso?

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Sem dúvida nenhuma. É uma farsa. Uma farsa comandada por alguém que não tem credenciais para que ninguém acredite nas suas boas intenções. Além disso, o teatro dessa vez é de horrores.

Que horrores?

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Eu assisti pela televisão a um debate de altíssimo nível entre duas figuras de reputação ilibada. Um responde a um processo no Supremo Tribunal, o outro está condenado, em primeira instância, por formação de quadrilha. Todos os dois acusam o governo de ter colocado penduricalhos dentro da chamada MP dos Portos.

Refere-se aos líderes do PMDB, Eduardo Cunha, e do PR, Anthony Garotinho?

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Sim, todo mundo viu. Foi televisionado. Como é que eu poderia votar isso aqui, sem tomar conhecimento e sem poder emendar? Como é que o Senado da República vai votar uma medida provisória em que duas pessoas de alto nível, de reputação ilibada, lá da Câmara, dizem que esta MP não presta, que esta MP atende a pessoas, a grupos e a empresas? Não dá.

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