Isa Penna ao 247: “Doria quer virar um monarca”
Autora de um vídeo com mais de 2 milhões de visualizações em que afirma que o prefeito de São Paulo é "a maior mentira que já te contaram", a suplente de vereadora Isa Penna (PSOL-SP) afirma que João Doria (PSDB) "está um pouco confuso... ele quer virar um monarca... todos os projetos de lei que ele está aprovando na Câmara Municipal são projetos de lei que desautorizam o Legislativo"; Isa defende candidatura própria do PSOL a presidente da República em 2018 e diz que discutir nomes é menos importante que debater programas; em sua opinião, não tratar juízes como políticos é um erro: "O Gilmar Mendes, por exemplo, a gente fala menos do que deveria falar"; para ela, Sergio Moro "é um juizinho de primeira instância e quinta categoria"
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247 - Autora de um vídeo com mais de 2 milhões de visualizações no Youtube em que afirma que o prefeito de São Paulo, João Doria, é "a maior mentira que já te contaram", a suplente de vereadora Isa Penna (PSOL-SP) afirma, nessa entrevista exclusiva à TV 247, realizada pelos jornalistas Paulo Moreira Leite e Alex Solnik, que "o Doria está um pouco confuso... ele quer virar um monarca... todos os projetos de lei que ele está aprovando na Câmara Municipal são projetos de lei que desautorizam o Legislativo".
Defende candidatura própria do PSOL a presidente da República em 2018 e diz que discutir nomes é menos importante que debater programas: "Acho que a gente tem que falar no programa, né. Esse é o lado mais importante para se apresentar uma candidatura, ainda mais num momento como esse. Porque não é uma personalidade, por melhor que ela seja, que vai apresentar alguma resposta".
Em sua opinião, não tratar juízes como políticos é um erro: "A gente fez uma campanha fortíssima de queimação do Eduardo Cunha. E conseguiu derrubar o Eduardo Cunha. Mas o Gilmar Mendes, por exemplo, a gente fala menos do que deveria falar". Para ela, Sergio Moro "é um juizinho de primeira instância e quinta categoria".
Assista a seguir à íntegra da entrevista e leia abaixo os principais trechos:
PAULO MOREIRA LEITE: A suplente de vereadora Isa Penna foi a pessoa que gravou um vídeo muito interessante chamado "Doria é a maior mentira que já te contaram", que já está com quase 2 milhões de visualizações no Youtube. Isa, você acreditou alguma vez no Doria? Como foi a sua experiência com João Doria fazendo campanha, ele a prefeito e você a vereadora de São Paulo, de oposição a ele? Como é que foi?
ISA PENNA: Não, nossa senhora! Primeiro, que ele já era uma tragédia anunciada. Em primeiro lugar, porque ele é um cara que não tem um projeto político consistente e tem muito dinheiro. Não tem combinação mais assustadora. Ainda mais num momento político nacional como esse que a gente vive. Então, a minha experiência com João Doria, desde a campanha dele... aquela coisa de falar do João Trabalhador e, enfim, dos gastos dele mesmo com publicidade e depois ele vira prefeito e não muda essa realidade. Ele continua gastando, priorizando... até o Fernando Henrique falou que ele é bom de celular.
ALEX SOLNIK: Qual foi a pior coisa que ele fez para a cidade até agora?
ISA: Tá difícil, porque depende do aspecto que você pegar. Do ponto de vista dos direitos humanos, por exemplo, tivemos a ação na Cracolândia, mas não só a ação na Cracolândia... é um projeto higienista, mesmo, que agora vai se completar com a invasão da Favela do Moinho. Um menino foi brutalmente assassinado lá... a marretadas... torturado na frente da família e depois assassinado... então, tem essas barbaridades no campo dos direitos humanos, a mando de João Doria...
PAULO: Você acha que a Guarda Municipal está se excedendo?
ISA: Eu acredito que o modelo de segurança todo é uma herança do regime militar.
PAULO: Ela – a guarda municipal – está abusando do poder?
ISA: Quando foi criada era para ser uma polícia com outro caráter. Um caráter mais comunitário... uma função mais mediadora. O Doria está um pouco confuso... ele quer virar um monarca... todos os projetos de lei que ele está aprovando na Câmara Municipal são projetos de lei que desautorizam o Legislativo, esvaziam o Poder Legislativo do seu papel fiscalizador... e centralizam todos os poderes nas mãos do Executivo... ele criou um conselho municipal de desestatização, essa palavra que ele inventou para não falar de privatização... esse conselho é composto só por secretários do poder Executivo. Esse Conselho tem o poder de fiscalizar, decidir, deliberar sobre modelo, preço e sobre qualquer concessão, parceria público privada e alienação e qualquer bem de serviço público.
ALEX: Então ele quer ser mais que um monarca... os monarcas brasileiros eram parlamentaristas... ele quer ser é ditador mesmo.
PAULO: Isa, eu quero colocar uma questão. Sabemos que o PSOL tinha todo o direito de ter candidato em São Paulo. Eu queria saber se o preço partidário não foi muito alto por fortalecer a campanha do João Doria.
ISA: Tem dois pontos aí. Primeiro é a consequência prática, pragmática, eleitoral. O segundo é o projeto mais a longo prazo. Eu acho que o raciocínio da política não pode ser guiado por marcos eleitorais. A falta de alguns enfrentamentos que o PT deveria ter tomado, seja a nível municipal, seja a nível federal foi um dos elementos que criou esse vácuo político.
ALEX: Lula é o favorito em 2018. É o teu candidato? É o candidato do PSOL?
ISA: Não.
PAULO: Quem é?
ISA: Eu sou uma militante partidária e então eu respeito o tempo de debate... o PT também está debatendo...tem outras candidaturas colocadas... assim como nós, do PSOL, estamos em debate...
PAULO: Na sua mente quem seria um bom candidato para apresentar agora?
ISA: Primeiro ponto: acho que a gente tem que falar no programa, né. Esse é o lado mais importante para se apresentar uma candidatura, ainda mais num momento como esse. Porque não é uma personalidade, por melhor que ela seja, que vai apresentar alguma resposta. Então, o mais importante é debater qual é o programa para se sair da crise. A segunda coisa é que existem alternativas muito boas... eu tenho algumas preferências...
PAULO: Quem seria? Só para a gente ter uma ideia mais clara do teu pensamento...
ISA: Chico Alencar... Guilherme Boulos... são dois nomes excelentes, por exemplo.
ALEX: O que você tem contra o Lula? O Lula é o favorito... e está no campo da esquerda...
ISA: Não estamos debatendo Lula, estamos debatendo projetos. Eu não tenho nada contra o Lula, eu tenho contra o projeto, sim. Ainda que eu acredite, não sou daquelas que pega tudo e joga na lata do lixo. Eu entendo que não são desprezíveis os avanços que houve no Brasil, mas eu entendo, sim, que o preço disso, ou melhor, aquilo que foi feito para manter os vínculos de confiança com o povo brasileiro não foi suficiente. Porque senão quando foi feita essa vergonhosa votação contra a Dilma por que o povo não foi pra rua? Lula foi condenado e o povo não foi pra rua. Cadê o povo? O Lula é uma figura importantíssima que eu respeito muito pela história que tem e pela importância que teve para a esquerda brasileira. Agora, eu discordo profundamente do projeto político que ele implementou, das alianças políticas que ele fez e dos enfrentamentos que ele deixou de comprar: não democratizou os meios de comunicação, não fez a reforma política e é por isso que nós estamos dessa forma. O PSOL precisa ter uma candidatura própria.
PAULO: Isa, como você explica essa brutal aprovação que Lula tem hoje? Se tivesse eleições hoje ele ganhava no primeiro turno. Sequer sabemos se haverá eleições, sequer sabemos se ele será candidato, mas hoje o Lula é disparado o candidato favorito à presidência. Como é que você entende isso?
ISA: É evidente que no tempo de estabilidade da economia você tem condições de distribuir mais a riqueza. E o povo vê isso. Na minha opinião, é uma consequência disso e da política que fazem hoje.
PAULO: Vamos falar de uma outra personalidade... da Lava Jato... do juiz Sérgio Moro... que tem um papel importante, crucial neste momento político... como é que você o Sérgio Moro, esse papel que ele tem, a condenação do Lula...
ISA: Eu acredito que a esquerda não faz bem o debate do Judiciário. Assim como ela também não fazia bem o debate do Legislativo. É preciso rever algumas táticas utilizadas pela esquerda porque tem essa coisa: a gente bate nos políticos. Como se o Judiciário fosse uma instituição que estivesse à parte. A gente fez uma campanha fortíssima de queimação do Eduardo Cunha. E conseguiu derrubar o Eduardo Cunha. Mas o Gilmar Mendes, por exemplo, a gente fala menos do que deveria falar.
ALEX: É que o Cunha tinha um passado que o condenava...
ISA: Mas o Gilmar Mendes é um latifundiário... um capitão do mato...o Gilmar Mendes é um político!
ALEX: O Cunha era mais fácil de derrubar porque havia toneladas de acusações contra ele...
ISA: O Cunha foi fácil derrubar porque ele foi eleito... no Judiciário, ninguém é eleito...as pessoas têm estabilidade até o fim da vida...nos estados Unidos os juízes são eleitos... e têm que ser eleitos. Nesse contexto ficou muito evidente como é que um juizinho de primeira instância, de quinta categoria, de um dos tribunais mais conservadores do Brasil... São Paulo também está ali, mas o Paraná se destaca... é um juizinho de primeira instância que passa a ter essa projeção na política nacional. É evidente que ele faz parte de uma articulação política.
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