Humberto volta a pedir a cassação de Demóstenes

Primeiro a falar na sessão que pode encerrar o mandato do ex-democrata, o senador pernambucano manteve a postura já evidenciada no relatório que escreveu sobre as ligações do parlamentar goiano com o contraventor Carlinhos Cachoeira, no qual o acusa de “faltar com a verdade”

Humberto volta a pedir a cassação de Demóstenes
Humberto volta a pedir a cassação de Demóstenes (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado e Pedro França/Agência Senado)


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Leonardo Lucena _PE247 – O primeiro a se pronunciar na sessão que deve cassar o mandato e os direitos políticos do senador Demóstenes Torres (sem partido – Go) , o pernambucano Humberto Costa (PT-PE), voltou a pedir a punição para o ex-democrata.  O petista, que relatou o processo que investigou as ligações do parlamentar goiano com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se diz convencido da necessidade de punição ao goiano e partiu para o ataque na tribuna. "Como alguém da intimidade desse cidadão (Carlinhos Cachoeira) poderia não saber das atividades criminosas dele, que fora indiciado por seis crimes em Goiás, onde o senhor foi procurador de Justiça por dois mandatos?", questionou.

O relatório do petista, concluído no dia 25 de junho e aprovado por unanimidade pelo Conselho de Ética do Senado, indicou que Torres “faltou com a verdade” e sustentou a tese de que o ex-democrata não trabalhava na quadrilha de Carlinhos Cachoeira, mas tentava canalizar os interesses do contraventor desde 1999, como, por exemplo, em suas arguições, em plenário, sobre a legalidade do mercado de jogos de azar.

Sobre a disposição de Torres para legalizar, consta num trecho documento elaborado por Costa: “Ainda no início do seu mandato, o senador Demóstenes Torres revelaria (...) o interesse pela temática de legalização dos jogos de azar. (...) É interessante verificar que em seu discurso, de 18 de junho de 2003, Sua Excelência, sem declinar a fonte, menciona um número de acesso controlado, dadas as restrições legais aos jogos no Brasil: o de que “somente o segmento do cassino planeja investir no Brasil aproximadamente U$S 1,5 bilhão”.

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Ainda tendo como base as análises constadas no relatório de 79 páginas, Torres era conivente com a lavagem de dinheiro e usufruía de um rádio Nextel para se comunicar com Cachoeira. O objetivo era dificultar o rastreamento de terceiros sobre as conversas de ambos. As relações, portanto, não eram pessoais.

O senador Humberto Costa também chegou a conclusão de que Torres atuou para concretizar interesses de Cachoeira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Neste caso, os contatos com o bicheiro tinham como finalidade isentar a Vitapan, empresa farmacêutica de Cachoeira, de licença de medicamentos por parte da Anvisa. Outros órgãos como Infraero, Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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Confira a íntegra do relatório aqui

 

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