Haddad: sem Lula, democracia ficará com mácula grave

O ex-prefeito de são Paulo Fernando Haddad defendeu, em entrevista ao cineasta Fernando Grostein Andrade, a inocência de Lula; "Despersonalizando o processo, ali não sai ninguém condenado. Pelo o que está nos autos, estou me atendo aos autos. Que é o que um juiz tem que fazer", afirmou; para ele, se Lula for de fato inabilitado da disputa eleitoral, a democracia será novamente ferida no País; "Eu acho ruim sob todos os aspectos. Porque vai ficar mais uma mácula na nossa história democrática, e grave"

Brasília - Entrevista com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad sobre o encontro com o Ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (Wilson Dias/Agência Brasil)
Brasília - Entrevista com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad sobre o encontro com o Ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (Wilson Dias/Agência Brasil) (Foto: Aquiles Lins)


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SP 247 - O ex-prefeito de são Paulo Fernando Haddad defendeu em entrevista ao cineasta Fernando Grostein Andrade que a necessidade de diálogo entre as forças políticas e voltou a criticar a política entreguista do governo de Michel Temer. 

"Quando a gente diz que a democracia está em risco, fazendo essas distinções históricas de um golpe militar que depõe o presidente da República, é para mostrar que o que está acontecendo agora não é menos grave. É diferente, mas não é menos grave. E se não houver uma tomada de consciência nós não sabemos onde isso vai parar. Mesmo em relação às eleições, nós temos que tomar cuidado, porque muita gente que não é democrático se apresenta como democrático para vencer uma eleição", disse Haddad.

Questionado sobre a situação do ex-presidente Lula, que pode ser preso mas próximas semanas, Haddad defendeu a inocência de Lula. "Eu tenho a convicção de quem leu o processo. Eu sempre repito que eu defendo a honra de uma pessoa independentemente de posição partidária", disse ele.

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"Então eu li o processo e eu acho insustentável aquela sentença. Insustentável. Não tem por onde. Se você pegar três juristas do exterior que não conhecem o Brasil, tirar os nomes do processo, substituir os nomes e dar para três juristas julgarem sem saber sobre quem é o processo, eu duvido que saia uma condenação. Ou seja, despersonalizando o processo, ali não sai ninguém condenado. Pelo o que está nos autos, estou me atendo aos autos. Que é o que um juiz tem que fazer", afirmou. 

Para Haddad, se Lula for de fato inabilitado da disputa eleitoral, a democracia será novamente ferida no País. "Eu acho ruim sob todos os aspectos. Porque vai ficar mais uma mácula na nossa história democrática, e grave. Não é uma coisa qualquer o que vai acontecer, de maneira que eu preferia que isso tivesse um outro desenlace. E eu acho que não é um sentimento só meu não, e nem da centro-esquerda. Eu acho que é um sentimento de muita gente que não votaria no Lula, mas que entende que não é esse o caminho de estabilizar o país", afirmou.

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Haddad também criticou o senador Aécio Neves, que articulou o golpe contra a presidente Dilma Rousseff após perder as eleições de 2014. "Você não faz oposição para botar o país a pique. Como por exemplo, questionar resultado eleitoral no dia seguinte da eleição, entrar com ação pedindo recontagem de votos, entrar com ação falando de abuso do poder econômico. Logo quem? O Aécio Neves, que depois acabou se revelando a pessoa que hoje detém uma parcela grande da rejeição à classe política. Então tudo isso precisa ser ponderado. Agora é a hora de reconstituir os campos, sabendo que tem uma agenda que é nacional, que é o país que vem na frente. E tem as divergências partidárias do campo da centro-esquerda, do campo da centro-direita, que vai ser debatida durante a eleição, mas sem colocar o país em risco", disse ele. 

"A direita que não passou por governo acha que pode tudo. Eu vejo esse neoliberalismo regressivo ao qual eu me referi, ele não tem um só representante. O neoliberalismo regressivo, que é essa agenda de desmonte de direitos, inclusive políticos e civis, porque ela não se restringe aos direitos sociais, ela quer avançar. Veja aí a censura à classe artística, a censura aos cientistas, vêm todos desse pessoal. Você tem um Flávio Rocha, um Bolsonaro, um João Doria, você tem vários representantes dessa turma aí que é mais fundamentalista", disse o ex-prefeito. 

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Leia a entrevista na íntegra.

 

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