Haddad diz que dívidas podem tornar cidade "ingovernável"

Prefeito de São Paulo tenta convencer o STF a mudar regras de pagamento de precatórios, que chegou a R$ 16,9 bilhões. Para Alan Gripp, colunista da Folha, por trás do horizonte financeiro nebuloso pintado pelo petista está seu interesse no título de salvador da pátria

Haddad diz que dívidas podem tornar cidade "ingovernável"
Haddad diz que dívidas podem tornar cidade "ingovernável" (Foto: Victor Moriyama/Folhapress)


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247 – O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), prevê um cenário catastrófico para a cidade nos próximos anos. Ontem, o petista disse que, se não houver mudanças nas regras de pagamento de precatórios (dívidas com contribuintes que a Justiça mandou quitar), a cidade ficará "ingovernável".

Entre os principais problemas apontados estão as crescentes dívidas com a União, de R$ 54 bilhões, e com os precatórios --R$ 16,9 bilhões, a maior do país.

Ele tenta convencer o STF a não determinar o pagamento imediato do valor devido, mas a criar um percentual fixo das receitas do município que seria destinado a esses pagamentos, como ocorre com Saúde (15%) e Educação (25%).

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Para o colunista da Folha, Alan Gripp, por trás dessa imagem de “mercados do apocalipse”, Haddad estaria de olho no título de salvador da pátria.

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Mercador do apocalipse

SÃO PAULO - O prefeito Fernando Haddad (PT) tem usado o termo "insolvente" para definir a situação financeira de São Paulo.
Ontem, ele reuniu o conselho recheado de celebridades criado para assessorá-lo na tarefa de governar e pintou um horizonte financeiro nebuloso para a cidade, a depender de algumas variáveis em jogo.

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Em conversas reservadas, as tintas ainda são mais dramáticas. Juntando a gigantesca dívida paulistana, na casa dos R$ 60 bilhões, a um possível novo revés, a prefeitura terminaria o ano "quebrada".

A maior preocupação são os famigerados precatórios, dívidas com contribuintes que a Justiça já mandou pagar e que formam uma fila maior do que a de carros na avenida Rebouças sexta-feira à tarde.

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Esse buraco é, hoje,de R$ 16,9 bilhões, quatro vezes mais que o valor devido por todos os demais 5.564 municípios do país. Juntos.

A bola está com o STF (Supremo Tribunal Federal), que dirá, em breve, exatamente como a fatura deve ser honrada. Se a corte decidir que o pagamento deve ser feito imediatamente, diz o discurso catastrofista, é melhor passar a chave na prefeitura e atirar pelo viaduto do Chá.

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O prefeito está na dele. O jogo de pressões é legítimo, especialmente em tempos de protesto. Mas o discurso do caos deve ser relativizado.

Vem aí, até o fim do ano, uma enxurrada de dinheiro federal. Ao menos R$ 6 bilhões desembocarão em São Paulo, dizem os mais bem informados das coisas federais.

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Nem poderia ser diferente. Mesmo com a economia claudicante, Dilma Rousseff terá de mostrar algo em seu principal palanque, se quiser continuar a comandar o país.

Sobre os precatórios, poucos acreditam que o STF vai querer arcar com o ônus de empurrar a maior cidade do país precipício abaixo.

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Trocando em miúdos, Haddad comporta-se como mercador do apocalipse, mas está de olho no título de salvador da pátria.

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