Grella sobre violência: "Não há politização"

Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo afirma haver "equívoco" no que disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para quem o governador Geraldo Alckmin politiza a questão da segurança, área de maior fragilidade da gestão do tucano; "Respeito muito o ministro, mas há um equívoco no que ele falou. Não há nenhuma politização", declarou Fernando Grella Silveira; ex-procurador de Justiça concorda que há falta de controle do governo federal nas fronteiras: "Sabemos que a cocaína não é feita aqui"

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SP247 – Área de maior fragilidade do governo de São Paulo, a segurança virou discussão política entre o Estado e o governo federal. O secretário estadual de Segurança Pública, Fernando Grella Silveira, rebateu as declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para quem o governador Geraldo Alckmin tem politizado o tema ao colocar a culpa da criminalidade no governo federal, que teria falta de controle nas fronteiras. "Respeito muito o ministro, mas há um equívoco no que ele falou. Não há nenhuma politização", disse Grella, conforme noticiou nesta segunda-feira o jornal O Estado de S.Paulo.

Ex-procurador de Justiça, Grella concorda com a posição de Alckmin, de que há ausência do governo federal nas fronteiras. "A realidade é que temos problemas com drogas no Brasil, que virou o paraíso do crack. E nós sabemos que a cocaína, da qual o crack é um subproduto, não é feita aqui no Brasil", afirmou o secretário. Ele também criticou o fato de o ministro não ter mencionado, em sua entrevista ao Estadão neste domingo, ações conjuntas entre as duas esferas. "Temos a Agência de Atuação Integrada, cuja sede física fica na Secretaria de Segurança. Dessa agência participam a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, as polícias civil e militar e o Ministério Público".

Em sua entrevista, Cardozo afirmou, sobre o fato de Alckmin atribuir a violência em São Paulo à falta de controle do governo federal sobre as fronteiras, que "é da tradição política as pessoas tentarem isentar de responder certas questões, colocando a culpa em outros". Assumindo um discurso de candidato, declarou ainda: "Eu não farei isso", acrescentando que pretende deixar "a disputa eleitoral para o palanque". Segundo o ministro, o Plano Estratégico de Fronteiras tem registrado resultados muito positivos. "Infelizmente eu acho que é isso, que ele está politizando, porque se o programa de fronteiras tem números melhores do que tinha anteriormente e São Paulo tem números de violência piores do que tinha antes, eu não posso estabelecer um nexo de causa e efeito".

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Relação de crimes com drogas

Ao comentar a elevação em alguns índices de criminalidade, Fernando Grella afirmou ainda que existe, em muitos deles, a relação com as drogas. "É inegável que há uma relação de muitos crimes violentos com drogas. Temos visto latrocínios cometidos por pessoas que são consumidores de drogas. É evidente que são muitos os fatores que explicam a violência e a droga, embora não seja o único, é um deles". Na capital paulista, o latrocínio registrou um aumento de 56% em relação ao mesmo mês do ano passado. O secretário também classificou como equivocada a afirmação do ministro de que é preciso "coragem política" para atuar contra a violência a partir dos presídios brasileiros. "A segurança aqui está atenta a estes aspectos e tem atuado em várias frentes".

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