GGN: Teixeira é alvo da Justiça francesa, espanhola, suíça e FBI e segue solto

Reportagem do Jonral GGN mostra que com pedidos de prisão protocolados pelas autoridades da Espanha e dos Estados Unidos e mais de dois anos desde que o maior caso de corrupção do futebol foi deflagrado na Suiça, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que mantem-se em liberdade no Brasil, passa a ser alvo da Justiça francesa; "Tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não", afirmou, em entrevista concedida há três meses à Folha de S. Paulo

Reportagem do Jonral GGN mostra que com pedidos de prisão protocolados pelas autoridades da Espanha e dos Estados Unidos e mais de dois anos desde que o maior caso de corrupção do futebol foi deflagrado na Suiça, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que mantem-se em liberdade no Brasil, passa a ser alvo da Justiça francesa; "Tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não", afirmou, em entrevista concedida há três meses à Folha de S. Paulo
Reportagem do Jonral GGN mostra que com pedidos de prisão protocolados pelas autoridades da Espanha e dos Estados Unidos e mais de dois anos desde que o maior caso de corrupção do futebol foi deflagrado na Suiça, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que mantem-se em liberdade no Brasil, passa a ser alvo da Justiça francesa; "Tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não", afirmou, em entrevista concedida há três meses à Folha de S. Paulo (Foto: Aquiles Lins)


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Por Patrícia Faerman, no Jornal GGN - Com pedidos de prisão protocolados pelas autoridades da Espanha e dos Estados Unidos e mais de dois anos desde que o maior caso de corrupção do futebol foi deflagrado na Suiça, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que mantem-se em liberdade no Brasil, passa a ser alvo da Justiça francesa.

Na Espanha, Teixeira foi acusado de lavar dinheiro de comissões ilícitas na venda de amistosos da seleção brasileira e de organização criminosa junto com o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, que foi preso este ano. Em julho, o país solicitou a prisão do dirigente brasileiro.

Nos Estados Unidos, foi acusado no caso Fifa de fraude, lavagem de dinheiro e de obter milhões de dólares em propinas em troca de beneficiar empresas de marketing esportivo. Desde 2015, as autoridades norte-americanas solicitam a sua prisão, o que é impossibilitado por decisões judiciais aqui no Brasil, onde Teixeira permanece desde 2015.

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Neste caso, os documentos oficiais do FBI indicam que Ricardo Teixeira recebeu propinas por mais de uma década em contas secretas de Zurique, cidade que sedia a Fifa e para a qual o dirigente viajou diversas vezes para articular a candidatura do Brasil na Copa de 2014. Ele teria recebido mais de 20 milhões de francos suíços entre 1992 e 2000. Mas as autoridades detectaram que Teixeira continuou a receber depósitos mesmo após aquele ano.

Sem negar ter cometido os ilícitos mirados pelas Justiças dos dois países, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira sabe que está sendo protegido aqui no Brasil: "Tudo que me acusam no exterior não é crime no Brasil. Não estou dizendo se fiz ou não", afirmou, em entrevista concedida há três meses à Folha de S. Paulo.

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Mas as apurações do FBI que resultaram, em 2015, na prisão de nove cartolas e dirigentes do futebol, entre eles a de José Maria Marin, preso em Zurique e extraditado aos Estados Unidos, foram ampliadas em 2015 e começaram a analisar, também, a forma como a Fifa escolheu, no ano de 2010, a Rússia e o Catar para sediar as Copas de 2018 e 2022, respectivamente.

Naquele ano, Teixeira foi quem votou pelo Catar ser a sede do evento de futebol em 2022. O resultado das apurações, não somente do FBI norte-americano, mas sobretudo da Justiça francesa, foi que Teixeira teria participado de um esquema de compra de votos para o Catar sediar a Copa.

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Uma das provas foi uma conta bancária de Teixeira em Mônaco, encontrada recentemente e que veio à tona somente agora, com US$ 22 milhões, o correspondente a 71,1 milhões de reais. A conta estava no banco Pasche, uma filial do banco francês Crédit Mutuel, que é suspeito de participar do esquema de lavagem de dinheiro e foi alvo de investigação judicial no principado.

O principal eixo foi a suspeita de que um amistoso realizado entre o Brasil e Argentina, em Doha, em 2010, ocorreu para mascarar a compra de votos a favor do Catar, envolvendo o empresário Ghanem ben Saad Al-Saad, ex-presidente do fundo Qataria Diar. Estas suspeitas antecediam, inclusive, as apurações do Ministério Público da Suiça.

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O empresário, conhecido inversionista e próximo do emir do Catar, Tamim ben Hamad al-Thani, foi fundador e diretor-presidente da empresa Ghanin Bin Saad Al Saad & Sons Group (GSSG), que financiou o jogo entre o Brasil e a Argentina em novemnro de 2010, que ocorreu duas semanas antes da votação da Fifa que escolheu o Catar como sede da Copa em 2022.

Um dirigente argentino e Teixeira teriam recebido parte dos US$ 8,6 milhões pagos pelo empresário catari ao amistoso. O caso ainda envolve mais US$ 182 milhoes desviados da companhia de serviços coletivos Veolia, que foi adquirida pelo fundo Qatari Diar na gestão de Al-Saad. Os investigadores tentam identificar onde foi parar esta quantia e a relação do dinheiro com os dirigentes do Brasil e Argentina.

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Por que Teixeira ainda não foi preso

O que paralisava as prisões de Ricardo Teixeira eram duas decisões de tribunais datadas de setembro e outubro de 2015, que impossibilitavam a cooperação internacional no caso da Fifa. Provas contra cartolas, dirigentes e empresas envolvidas no escândalo estavam guardadas a sete chaves aqui, impedidas de ser enviadas ao FBI.

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Ao contrário do que ocorreu nos casos relacionados a empreiteiras brasileiras e a própria estatal Petrobras, os investigadores dos Estados Unidos não puderam receber provas retidas contra dirigentes do futebol brasileiro. Ainda em setembro de 2015, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 2ª Região quebrou a cooperação firmada entre o Brasil e a Promotoria Federal de Nova York, ao acatar um Habeas Corpus da empresa de marketing esportia Klefer Produções e Promoções Ltda, acusada de pagar propinas a dirigentes da CBF no Brasileirão.

Os mesmos pedidos chegaram a instâncias inferiores no Brasil, que não tiveram outra opção que não a de tomar a mesma decisão do TRF-2, instância superior. Pressionados pelas autoridades internacionais, a Procuradoria-Geral da República recorreu das decisões, ainda sem resposta, no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Outra estratégia da PGR foi solicitar, em julho deste ano, o envio do processo espanhol contra Ricardo Teixeira ao Brasil. Com o acesso aos detalhes e provas das investigações, o MPF brasileiro poderia abrir outra investigação e dar sequência aos possíveis pedidos de punições. A ação seria transferida, antes, pela Secretaria de Cooperação Internacional da PGR ao Ministério Público Federal competente, no caso, o Rio de Janeiro, que analisaria as provas e poderia, então, pedir a abertura da investigação contra o ex-dirigente.

No caso francês, os procuradores parisienses pediram a colaboração do Ministério Público Federal brasileiro, que já envia informações sobre o escândalo da compra de votos para a escolha da sede da Olimpíadas de 2016. Na mesma apuração, colabora o FBI e o Ministério Público da Suiça, que realizou operações em empresas ligadas ao financiamento do amistoso entre o Brasil e a Argentina e em pelo menos três contas bancárias de Teixeira.

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