Fifa e governo defendem o legado da Copa

Em entrevista coletiva para avaliar a primeira metade da Copa das Confederações, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, apresentou uma montanha de números para defender o legado que a organização da Copa do Mundo deixará para o Brasil, numa tentativa de responder aos manifestantes que tomaram as ruas do país nas últimas semanas; ele disse que são injustas as críticas que acusam a entidade de "se aproveitar do país e ir embora sem pagar impostos, sem criar nada e com os bolsos cheios de dinheiro"

Fifa e governo defendem o legado da Copa
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Por Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 24 Jun (Reuters) - A Fifa e o governo federal apresentaram nesta segunda-feira uma montanha de números para defender o legado que a organização da Copa do Mundo deixará para o Brasil, numa tentativa de responder aos manifestantes que tomaram as ruas do país nas últimas semanas, entre outras coisas, cobrando "hospitais e escolas padrão Fifa".

Em entrevista coletiva para avaliar a primeira metade da Copa das Confederações, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, disse que são injustas as críticas que acusam a entidade de "se aproveitar do país e ir embora sem pagar impostos, sem criar nada e com os bolsos cheios de dinheiro".

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O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, garantiu, por sua vez, que não foram retirados recursos das áreas de saúde e educação para obras de estádios do Mundial.

"Apenas neste ano o orçamento da união destinado para saúde e educação é de aproximadamente 177 bilhões de reais. O orçamento do Ministério do Esporte é aproximadamente um por cento desse total", disse Aldo em entrevista realizada no Maracanã, palco da final da Copa das Confederações no próximo domingo.

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"Não há nenhum desvio de recursos de saúde e educação para obras da Copa ou para a construção de estádios", garantiu o ministro, acrescentando que a organização do Mundial vai acrescentar 112 bilhões de reais na economia brasileira no período 2010-2014 e gerar 3,6 milhões de empregos, de acordo com estudo da consultoria Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV).

As manifestações nas ruas, que começaram como um movimento contra o aumento da tarifa de ônibus nas principais cidades do país, rapidamente encamparam temas como o combate à corrupção e repúdio aos gastos do governo com a realização da Copa do Mundo.

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Balanço apresentado pelo secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, revelou que os gastos até o momento com a organização do Mundial chegaram em maio a 28,1 bilhões de reais, a maior parte de dinheiro público.

Apenas em estádios, serão investidos no total 7,6 bilhões de reais, dos quais 3,8 bilhões de reais são financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com condições facilitadas, e 3,2 bilhões de reais são de responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Os recursos privados representam uma parcela de apenas cerca de 500 milhões de reais nas 12 arenas do Mundial.

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Segundo Fernandes, três quartos dos 28,1 bilhões de reais gastos até agora se destinaram a obras de infraestrutura e serviços essenciais que seriam realizados no país independentemente da Copa dos Mundo, e 62 por cento dos investimentos foram em projetos de mobilidade e modernização de aeroportos.

FIFA ELOGIA TORNEIO

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Apesar de problemas enfrentados por torcedores em consequência da violência das manifestações e da polícia no entorno dos estádios, a Fifa disse estar satisfeita com a realização da competição, tanto nos aspectos organizacionais como no ambiente vivido no país.

A entidade, que virou alvo dos protestos e inclusive teve dois ônibus que estavam a seu serviço apedrejados em Salvador antes de uma partida na semana passada, também defendeu seus investimentos próprios realizados no Brasil, e garantiu que gasta dinheiro com a realização da Copa do Mundo, em vez de obter qualquer lucro.

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"Não temos lucro, porque esse não é o objetivo da Fifa, somos uma organização sem fins lucrativos", disse Valcke.

"Estamos aqui para dar uma explicação ao público, que estamos fazendo muitas coisas boas. Nunca é o bastante, mas não tenho vergonha do que estamos fazendo, estamos fazendo muitos programas bons durante a Copa das Confederações e ainda mais para a Copa do Mundo", acrescentou o dirigente, destacando que a Fifa vai gastar 1,5 bilhão de dólares na organização do Mundial no Brasil.

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