Ferro quer candidato do PT ao Governo de Pernambuco
O Partido dos Trabalhadores está cada vez mais convicto de que deve ter candidato próprio ao Governo dode Pernambuco em 2014. Caso esta alternativa se mostre inviável em função do racha interno pelo qual passa a legenda no Estado, o partido deverá apoiar outro nome, desde que não seja indicado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB); a afirmação foi feita pelo deputado federal Fernando Ferro, seguindo a linha de pensamento defendida pelo ex-ministro da casa Civil, José Dirceu
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Leonardo Lucena_PE247 – O Partido dos Trabalhadores está cada vez mais convicto de que deve ter candidato próprio ao Governo dode Pernambuco em 2014. Caso esta alternativa se mostre inviável em função do racha interno pelo qual passa a legenda no Estado, o partido deverá apoiar outro nome, desde que não seja indicado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). A afirmação foi feita pelo deputado federal Fernando Ferro, após uma reunião, neste final de semana, com cerca de 90 integrantes do Movimento PT, no Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe). Ou seja, mesmo após os petistas terem aderido à base aliada na prefeitura do Recife, comandada por Geraldo Júlio (PSB), no âmbito estadual, o lançamento de candidatura própria por parte de Campos ainda deixa ressentimento em alguns membros do PT.
Ferro frisou que a possibilidade de Campos se candidatar a presidente em 2014 é outro fator que inviabiliza o apoio do PT a um candidato indicado pelo chefe do Executivo estadual. “Não haveria condições disso acontecer, especialmente por conta dos planos nacionais do governador (Eduardo Campos). Nós ficaríamos com dois palanques nacionais e isso seria insustentável. Seria exatamente o oposto do que aconteceu com Lula em 2006, quando ele apoiou tanto Eduardo Campos, quanto Humberto Costa (PT) para o Governo de Pernambuco”, disse.
Após o governador Eduardo Campos ter lançado candidatura própria para disputar a Prefeitura do Recife, a relação entre PT e PSB ficou abalada. Os petistas, que já apoiavam Campos no plano estadual, resolveram aderir à Frente Popular no Recife, mas, ainda assim, não foi uma decisão unânime. E, ao menos em tese, a possível candidatura do gestor pernambucano à Presidência, sendo um dos possíveis adversários da presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, pode aumentar o sentimento no PT de que a legenda será “traída”. Foi assim que o PT interpretou o lançamento da candidatura do PSB nas eleições municipais do Recife no ano passado.
O posicionamento de Ferro também está alinhado com a cúpula nacional. Durante o evento “O Decênio que mudou o Brasil”, o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que PT lançará candidatura própria em Pernambuco. E, curiosamente, o ex-presidente Lula também virá à capital pernambucana (ainda sem data marcada) para montar os alicerces do palanque para governador no qual o PT estará presente.
Mas, antes de discutir o pleito para governador de Pernambuco, o PT terá de resolver uma série de questões relacionadas ao Processo de Eleição Direta (PED), que ocorre em novembro deste ano e elegerá os novos dirigentes das executivas nacional, estadual e zonais do partido. “As direções atuais não podem continuar, tem que haver mudança e nós vamos trabalhar para que isso ocorra”, declarou Ferro à Folha de Pernambuco.
A disputa também poderá ser recheada de críticas de todos os lados, pois vale ressaltar que no final do ano passado surgiram denúncias de fraudes. Além disse, venceu o prazo (10 de novembro de 2012) para a inscrição de 22 mil filiados, sendo a maioria ligada ao ex-prefeito João da Costa, o qual o deputado Ferro é aliado.
Mas, independentemente do que venha a ocorrer no PED, Ferro afirmou que o PT buscará o diálogo com os vários prefeitos do partido espalhados pelo Estado visando o pleito 2014. “Nós vamos em cada município em que o PT tem prefeito para difundir nossas ideias e incluir todo o partido no processo eleitoral, o que não vinha acontecendo. Atualmente, nós não temos diálogo e tudo é feito de forma muito centralizada”, observou.
O congressista reconheceu as dificuldades pelas quais passa o PT, que se encontra dividido desde o pleito municipal de 2012, quando a Executiva Nacional da legenda resolveu cancelar a prévia partidária, disputada entre o então prefeito, João da Costa, que tentava a reeleição, e Maurício Rands, deputado federal na época e apoiado pelo senador Humberto Costa e também pelo ex-prefeito e principal desafeto político de João da Costa, deputado federal João Paulo, além do governador Eduardo Campos. O gestor acabou lançando Geraldo Julio como candidato pelo PSB e acabou sagrando-se o grande vencedor das eleições.
Sob denúncias de fraudes que teriam favorecido o gestor da Capital e ataques pessoais, O PT decidiu lançar o nome de Humberto Costa visando o consenso interno e a vitória nas eleições, mas isso não foi possível. “Não se consegue reunir o partido todo, por isso resolvi discutir com a minha tendência. Acho que eles estão evitando falar sobre o erro político de 2012”, afirmou Ferro.
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