Fernando Pimentel promete reduzir mais impostos
E aponta ainda a consolidação de uma nova matriz econômica, com taxas de câmbio e juros competitivas; ele também afirma que a elevação de tarifas no setor automotivo não representa uma medida protecionista, mas apenas um incentivo para quem estiver disposto a produzir no Brasil
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
247 – Em entrevista ao jornalista Guilherme Barros, da revista Istoé Dinheiro, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, falou sobre o novo regime automotivo e prometeu que, em breve, outros setores serão beneficiados por desonerações tributárias. Leia:
O que muda com o novo regime automotivo?
Antes de mais nada, é bom deixar claro que o IPI para carros importados não aumentou. O IPI subiu em 30 pontos para todos os carros. Só que os veículos produzidos no Brasil, e que têm conteúdo nacional e componentes de exigência tecnológica e de inovação, se beneficiam com um abatimento desse aumento de 30 pontos percentuais de imposto. Na verdade, o que criamos foi um mecanismo de incentivo tributário para a inovação tecnológica na indústria automobilística. Para se beneficiar desse mecanismo é preciso produzir no Brasil. Quem simplesmente importa o carro não se beneficia.
Há quem diga que se trata de uma medida protecionista...
A lógica dessa mexida do IPI não foi a da defesa ou a da proteção. A lógica foi a da inovação. Foi a de incentivar a nossa indústria automobilística a dar um salto tecnológico. O Brasil tem de voltar a ser um grande exportador de automóveis. Para isso, é preciso estar no estado da arte da inovação tecnológica, e a nossa indústria não está.
O novo regime automotivo irá atrair novos investimentos?
Serão feitos vários anúncios de investimentos. Pelo menos duas grandes fábricas chinesas anunciarão investimentos no Brasil. A BMW também irá construir uma unidade no País. Outras empresas, mesmo as que já estão aqui, vão anunciar a expansão e a modernização de suas linhas de produção, com os incentivos que o regime vai proporcionar. Será um salto tecnológico, um salto qualitativo importante para a nossa produção automobilística. O Brasil é um grande mercado e tem de ter uma indústria automobilística à altura, e terá. Nossos fabricantes de automóveis, as multinacionais que aqui estão, vão investir pesadamente nessa atualização tecnológica, que é necessária, e isso vai voltar a fazer do Brasil um grande exportador de automóveis.
O governo passou a apostar mais na microeconomia para tornar a indústria mais competitiva?
Está havendo, de fato, uma grande mudança estrutural na matriz econômica, que vai, com certeza, levar o País a alcançar um novo patamar de competitividade. Em primeiro lugar, a queda da taxa de juros. Nós saímos de uma taxa de juros de 11,25% em janeiro do ano passado até chegar aos atuais 7,5%. Significa um juro real de 2%, inédito na história econômica do País. O câmbio também foi ajustado. Depois de um longo período de valorização, o real chegou até R$ 1,70 por dólar, e hoje está na casa de R$ 2,00, R$ 2,10, o que é um câmbio razoavelmente ajustado, que proporciona mais conforto para o exportador.
O governo vai enfrentar a questão da carga tributária?
Já está havendo um claro esforço do governo em favor da redução da carga tributária. Já são 40 setores favorecidos com a desoneração da folha de pagamento. De 20% a 30% do setor industrial brasileiro estão com o novo sistema de tributação, sobre o faturamento. Isso funciona como uma sobra, um capital de giro importante para as empresas. Foram tomadas outras medidas de desoneração, como a redução do IPI para incentivar alguns setores de bens de consumo.
Como isso se refletirá no ânimo dos empresários para investir?
Há uma mudança do cenário, que vai, obviamente, implicar uma mudança do padrão empresarial no Brasil. O setor empresarial estava adaptado a uma economia com a taxa de juros muito alta e um câmbio desfavorável. Nesse cenário, os empresários tinham internacionalizado grandes pedaços da cadeia produtiva. Com isso, o produtor brasileiro estava desestimulado, perdia mercado. Por outro lado, como o juro era muito alto, as empresas mantinham seu caixa mais voltado para as operações de tesouraria, para o ganho financeiro, em vez de aplicar no investimento produtivo. Agora, deixar o dinheiro aplicado no mercado financeiro já não propicia mais o retorno de antes. O setor empresarial está tendo de investir mais.
O que mais o governo cogita fazer?
Outro ponto importante que terá de ser atacado é a reforma tributária, em especial do ICMS, o nosso principal tributo. Não é possível convivermos mais com esse cipoal de 27 legislações regionais diferentes do ICMS, um verdadeiro caos tributário. Isso tem que mudar, e será mudado. No próximo ano, esse caminho terá de ser trilhado, e o governo, com toda a certeza, vai se posicionar a respeito.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247