Fazendo as pazes com o cartão de crédito
Entenda, na prática, a diferença para o bolso entre pagar toda a fatura ou só o valor mínimo, que deve ser evitado por causa dos juros do rotativo. 73,2% dos brasileiros têm dívidas no dinheiro de plástico mais usado no País. Veja como evitá-las e o que fazer
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Luciane Macedo _247 - Mesmo com os juros básicos da economia em queda histórica (Selic a 7,5%), os juros do cartão de crédito no Brasil podem chegar a 323% ao ano, são os mais altos da América Latina, segundo a Proteste. Cair no rotativo do cartão significa, portanto, assumir uma dívida que cobra os juros mais caros do mercado. Mas muitos consumidores que passaram a ter acesso a este instrumento de pagamento só recentemente, depois de experimentarem estabilidade no emprego e verem seu poder aquisitivo crescer, ficam entusiasmados com a possibilidade de poder comprar tudo o que desejam, parcelando a perder de vista, realizando seus desejos de consumo com "parcelas que cabem no bolso".
Até aí, nada a temer, desde que se possa pagar a fatura integral do cartão todo mês, tomando sempre o cuidado de não comprometer as outras despesas do orçamento pessoal ou da casa só por causa das compras -- os gastos e prioridades devem estar todo programados.
O perigo está em cair na ilusão do crédito fácil e rápido, em fazer do cartão de crédito uma espécie de "melhor amigo rico", gastando por conta, para só depois descobrir que o orçamento não vai dar para pagar a fatura integral em determinado mês.
"O cartão de crédito leva tanta gente a gastar mais do que ganha ou pode porque ele é uma conveniência, então tudo o que é conveniente favorece o impulso", comenta Mauro Calil, educador financeiro e professor da Academia do Dinheiro.
Nesta situação de não poder pagar, muitos desavisados caem no crédito rotativo do cartão e optam por fazer o pagamento mínimo da fatura, sem entender o que acontece depois: em pouco tempo, uma dívida que poderia até parecer pequena vira uma bola de neve por causa dos altos juros cobrados. De melhor amigo, o cartão vira o pior dos inimigos.
Fazer as pazes com o cartão de crédito é a chave para que muitos destes consumidores consigam reequilibrar as contas de casa e reconquistar sua liberdade financeira. Em agosto, nada menos que 73,2% das famílias brasileiras endividadas disseram ter débitos no cartão de crédito, que lidera como tipo de dívida segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) da Confederação Nacional do Comércio.
"Se você transforma o cartão de crédito em uma arma, a vítima pode ser você", alerta Calil. "O cartão não é ruim, ele pode até te tirar de muitas roubadas, situações imprevistas em que ele te salva como meio de pagamento. Para pagar uma taxa que lhe é cobrada ao fim de uma viagem e você fica sabendo de última hora, por exemplo, ou a conta de um jantar, quando o dinheiro que você levou não vai dar", comenta o educador.
"Mas é como garfo e faca nas mãos de um bebê, ele vai se machucar porque não sabe usá-los, então os talheres ficam perigosos, viram uma arma", compara Calil. "O mesmo acontece com o cartão de crédito nas mãos de quem não sabe usá-lo. E a culpa também não é da instituição financeira, porque quem recebe o cartão de crédito deveria ser adulto para saber como usá-lo sem se ferir".
Sem machucar suas finanças
A primeira dica do educador é: "Se você não sabe como usar o cartão, então aprenda devagar até dominar". É simples ter no cartão de crédito um amigo do bolso e impedir que ele faça estragos nas suas finanças pessoais. Calil recomenda apenas dois passos.
Passo 1: não ter mais do que um cartão de crédito.
Passo 2: o limite do cartão deve ser de, no máximo, 50% da sua renda.
"Esse teto de 50% também serve de trava psicológica, para você perceber fácil quando já gastou demais", observa Calil. "Se você ganha R$ 5 mil, então sua fatura não deve ser mais que R$ 2.500,00". Se vir que já ultrapassou, a dica é frear os gastos e reprogramá-los para o próximo mês.
"Quem nunca teve cartão de crédito deve começar com um limite de 30% da renda", recomenda o educador financeiro. "E mesmo quem optar por ter mais de um cartão, no máximo três, a soma dos limites também não deve ultrapassar 50% da renda", orienta Calil. "Seguindo só esses dois passos, dificilmente a pessoa vai ter problemas com o cartão ou cair no rotativo".
Se notar que, em determinado mês, o dinheiro não vai dar para honrar as despesas que você fez no cartão, Calil recomenda que não se caia na tentação do pagamento mínimo (veja abaixo).
"Se você não tiver dinheiro para pagar a fatura integral, não pague o mínimo. Ligue para a operadora do cartão, peça para parcelar seu pagamento e já entre em negociação com ela", indica o educador financeiro.
"Se você paga o mínimo, você tem os juros e libera automaticamente para você usar todo o saldo renovado, ou seja, você vai ter juros sobre o que não pagou mais os novos gastos", explica Calil. "Isso significa que você não vai ter uma conta para pagar, vai ter três: o saldo que não pagou, os juros sobre esse saldo e as novas compras".
A segunda medida a tomar, depois de entrar em negociação com a operadora, é manter distância do cartão. "Deixe o cartão de crédito na gaveta até terminar de pagar", orienta Calil.
"Não é preciso cancelar o cartão, a menos que você seja um compulsivo", assinala o educador. "Já tive clientes que tinham oito cartões, muitas pessoas nem usam tudo, usam só um ou dois e ficam pagando taxa de manutenção no resto", comenta Calil, chamando atenção para a fonte de desperdício de dinheiro.
Endividado no rotativo
Quem já caiu no rotativo deve estancar a sangria dos juros do cartão o mais rápido possível. Se você tem algum dinheiro a receber, como restituição do Imposto de Renda, por exemplo, ou adiantamento de férias, esta pode ser a saída para quitar sua dívida no cartão integralmente. Com dinheiro na mão, você pode até negociar um desconto com a operadora.
Na impossibilidade de usar um dinheiro disponível, a dica é trocar a dívida cara do cartão por uma mais barata, que cobre juros menores. Este é um dos poucos casos em que fazer uma dívida para pagar uma outra é um caminho viável, desde que bem avaliado, é claro, para voltar a ter paz financeira.
"Recorra ao banco onde tem conta para negociar um empréstimo pessoal para quitar a dívida do cartão, pois os juros são mais em conta do que os cobrados pela administradora do cartão", orienta a Proteste. Outra possibilidade é o crédito consignado, que tem juros ainda mais baratos que o empréstimo pessoal.
"Procure a administradora do cartão para negociar os juros e faturas em atraso. Na renegociação imediata, você poderá parcelar de 2 a 10 vezes os valores devidos", explica a associação de consumidores. "Caso a proposta tenha juros abusivos, procure as entidades de defesa do consumidor ou juizados especiais".
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Fonte: Abecs
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