Falta de chuvas ameaça sistema elétrico nacional

Depois de um ano marcado por apagões, o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste é considerado preocupante pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS); falta de chuvas poderá acarretar em pesado ônus político e econômico ao Governo a pouco mais de um ano das eleições majoritárias, um cenário nada desejado para quem tenta a reeleição

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Paulo Emílio _PE247 - A  pior seca das últimas décadas continua a fazer estragos em todo o Nordeste e acendeu a luz de alerta em relação à capacidade de geração de energia. Depois de um ano marcado por apagões, o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas das regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste é considerado preocupante pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). De acordo com o próprio ONS, a capacidade de armazenamento das usinas localizadas no Nordeste chegou a 32,11% ao final de dezembro de 2012. No Sudeste e Centro-Oeste este índice é de apenas 28,92%, nível praticamente igual ao registrado em 2000, quando foi decretado um racionamento de energia. Apenas as unidades localizadas no Sul e no Norte do País não estão com os reservatórios em situação de alerta, estando com 37,68% e 41,45%, respectivamente. O limite mínimo de segurança, estabelecido após a crise energética em 2001, é de 34%.

Para tentar equacionar o problema nas regiões Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste – que representam 90% do sistema nacional –, o ONS tem reforçado a troca de energia entre as várias usinas de maneira a evitar o colapso no abastecimento.

Em função da falta de chuvas, desde o final de outubro todas as usinas térmicas em atividade no Brasil estão em operação, produzindo cerca de 10,5 mil MW, cerca de 22% da produção nacional de energia. O sistema de trocas de energia entre as diversas regiões também foi intensificado. Um pequeno alívio enquanto a situação pluviométrica não retorna à normalidade está na entrada em operação da usina Termoelétrica de Uruguaiana, localizada no Sul do País, e que possui capacidade para gerar 639 MW. A unidade, que está desativada por falta de combustível, recebeu autorização do Ministério de Minas e Energia, para reiniciar suas atividades utilizando gás natural liquefeito (GNL), que será importado pela Petrobrás.

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Além da falta de chuvas, um outro fator de apreensão está no aumento do consumo de energia. Somente em dezembro do ano passado, o consumo foi 6,3% maior que o registrado no mesmo período do exercício anterior. A chegada do verão e o consequente aumento das temperaturas deve elevar ainda mais o consumo por parte dos consumidores residenciais e dos setores de serviços e comércio. A situação só não é mais crítica porque o Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu apenas cerca de 1% em 2012. Se este crescimento fosse maior, o sistema apresentaria problemas para atender a demanda.

A situação preocupa, uma vez que a presidente Dilma Rousseff anunciou recentemente uma série de medidas para reduzir o valor das tarifas de energia. Com o acionamento das térmicas por um longo período o impacto poderá não surtir o efeito desejado. Vale ressaltar que as perspectivas de chuvas necessárias à recomposição do sistema não são as melhores para os próximos meses, acarretando um pesado ônus político e econômico ao Governo, algo que não é bem visto em um ano pré-eleitoral.

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