Enfim, sós, ricos e... Falidos?
Best-seller de finanças para casais chega aos cinemas. Por trás da comédia, as lições de Tino e Jane, que derretem R$ 100 milhões
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Luciane Macedo _247 - Se as máquinas de cartão de crédito pudessem ter um sonho de consumo, uma fonte de renda que lhes garantisse uma calma existência por sobre os balcões sem precisar trabalhar, então o nome desse sonho seria Jane. Deslumbrada que adora gastar, para quem um brinquinho na promo de R$ 4.999,00 é uma urgente necessidade, Jane causaria inveja a muitas mulheres. Não só por ser milionária, mas também pelo maridão apaixonado e sem noção, Tino, disposto a fazer todas as suas vontades. E não que ele fique muito atrás no rali das compras desenfreadas, porque Tino também curte passear em "carro de videogame", uma Ferrari. É o par perfeito.
Eis o casal de protagonistas do filme "Até que a $orte nos separe", comédia livremente inspirada no livro "Casais inteligentes enriquecem juntos", best-seller do guru das finanças pessoais Gustavo Cerbasi. O sucesso editorial, de 2004, é o primeiro livro do gênero que chega aos cinemas, depois de vender mais de 1 milhão de exemplares.
E se a comédia parecer exagerada demais para tratar de um assunto como a vida financeira de um casal, Cerbasi conta que já atendeu casais como Tino e Jane, gente que tinha tudo para viver tranquilamente pelo resto de seus dias, mas conseguiu dilapidar fortunas. O casal da ficção ganha uma bolada de R$ 100 milhões e gasta tudo em dez anos.
"O roteiro foi todo pensado pelo Paulo Cursino a partir de algumas reuniões que fizemos, nas quais abordei casos reais que atendi. E, realmente, uma das histórias envolvia um casal ganhador de loteria que quase faliu", conta Cerbasi. "Mas a ideia não foi tirar lições do jogo ou do dinheiro fácil, mas sim de que, sem um mínimo de planejamento, qualquer família pode ir à ruína, mesmo que hoje tenha um patrimônio surreal".
Pesquisas dão conta de que a classe média ascendente é a única que gasta mais do que ganha. Com sorte grande ou não, é dinheiro que acaba e que falta em grande parte dos lares brasileiros. Com gastos desenfreados ou mal planejados, não há renda que chegue e também não sobra nada para destinar aos investimentos, pedra basilar para a prosperidade duradoura de qualquer casal ou família.
Ter dinheiro, no entanto, não é só uma questão de gastar menos do que se ganha, e este é um dos pontos principais que Cerbasi enfatiza em seu best-seller -- e o filme não deixa de lado. Antes de chegar na matemática, o casal precisa conversar sobre o assunto (veja mais dicas abaixo). É esse diálogo que vai fundamentar o planejamento financeiro mais certo para cada casal. Tino só vai falar com a mulher sobre dinheiro no momento em que descobre que não tem mais um tostão.
Faltando ou sobrando, o dinheiro é a maior causa de separação entre os casais, só perdendo para a infidelidade. Mas, para Cerbasi, o problema não está no dinheiro em si, mas no fato de que todos os nossos desejos, recompensas e condições de sobrevivência só são viáveis através do dinheiro. "O ser humano precisa de recompensas. Elas só acontecem se pudermos comprá-las. Se o casal não souber conversar para identificar os tipos de recompensas que cada um precisa, o dinheiro será usado de maneira errada", previne o autor.
"É fundamental que o casal perceba que, para o relacionamento dar certo, objetivos da família (filhos, casa, aposentadoria) não podem fulminar sonhos individuais (estar na moda, estar com amigos, praticar um esporte), assim como as conquistas individuais não podem inviabilizar os interesses da família".
Cerbasi ressalta que "deve haver equilíbrio entre essas necessidades, para que o casal não fique disputando dinheiro para interesses divergentes". Cada um deve ter seus desejos e vontades preservados ao realizarem o planejamento financeiro, mas marido e mulher precisam estar dispostos a se esforçarem conjuntamente para alcançar três tipos de conquistas: as dele, as dela e as do casal. "Daí a importância da conversa frequente", reforça Cerbasi. "E também é interessante que unam forças, para reforçar sua capacidade de encontrar as melhores soluções financeiras e de investimentos para seus planos".
É claro que haverá percalços no caminho, como dívidas ou pequenas loucuras de consumo. Mas elas não devem desencorajar o casal a se manter no caminho rumo à prosperidade financeira. Desvios de rota podem e devem ser corrigidos, mesmo que o casal tenha que passar por uma fase de maior aperto no orçamento, experiência pela qual o próprio Cerbasi passou com a mulher, Adriana, ainda na fase de namoro.
"Antes de nos casarmos, fizemos algumas loucuras que acabaram com nossas reservas, como acumular o salário de um ano para que ela pudesse fazer um curso de idiomas comigo no exterior", conta o autor. "Depois dessa experiência, tudo que construímos juntos foi através de um tipo de gincana: alguns meses de sacrifício no orçamento, para realizar sonhos sem ter que nos endividar. Fazemos isso até hoje".
Cerbasi, que no início da vida profissional como professor de MBA desejava juntar R$ 1 milhão até os 41 anos, e conseguiu aos 31, conta que é o mais consumista do casal. Ele diz que, ainda hoje, é a mulher Adriana quem freia alguns de seus impulsos de gastança. Entre pesos e contrapesos para realizar as vontades de ambos, dos filhos e da família, o casal Cerbasi mantém o equilíbrio.
"Ao contrário do que muitos pensam, o mais consumista de minha família sou eu. Costumo fazer planos mirabolantes de trabalho e de investimentos para realizar grandes sonhos. Várias vezes, quando chega a hora de desembolsar e realizar o objetivo, a Adriana tende a me segurar", conta o autor.
"É comum eu ouvir: 'Acho essa viagem muito cara'. Não é cara, é o preço de uma viagem diferenciada, mas juntamos para que ela seja viável. Nesses casos, eu insisto e embarcamos. Mas quando foi a hora de comprar um carro do jeito que eu queria, ela me convenceu de que no Brasil é melhor adotar um padrão de transporte aquém do que escolhi. Acatei a decisão. E caprichei na viagem seguinte".
Torrando dinheiro: até R$ 100 milhões acabam um dia
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