Emiliano e Átila não se entenderam em audiência

O jornalista e escritor Emiliano José compareceu à audiência de conciliação em virtude da queixa-crime prestada pelo pastor Átila Brandão, que teria praticado tortura enquanto tenente da Polícia Militar na época da ditadura; ânimos se exaltaram e o religioso chamou Emiliano de "boneco de ventríloquo" e de "pau mandado" pelas acusações contidas em artigo publicado em fevereiro no jornal A Tarde; Átila só aceita conciliação se o jornalista fizer "pedido de retratação"; Emiliano garante que não o fará; "Vamos levar o processo adiante"

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Emiliano e Átila não se entenderam em audiência


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Romulo Faro - Bahia 247

Acabou sem acordo e com clima tenso a audiência de conciliação entre o jornalista e escritor Emiliano José e o pastor da Igreja Batista do Caminho das Árvores, Átila Brandão (de gravata vermelha à esquerda). Sessão aconteceu nesta manhã no 1º Juizado Criminal de Salvador.

O religioso prestou queixa-crime contra Emiliano por artigo publicado no jornal A Tarde relatando prática de tortura praticada quando ele era tente da Polícia Militar da Bahia.

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Apesar de o juiz deixar claro que a audiência tinha objetivo único de tentar conciliar as partes, Átila pediu fala para voltar a negar ser torturador e chamou Emiliano José de "boneco de ventríloquo" e de "pau mandado".

Segundo o religioso, Emiliano, que é suplente de deputado federal pelo PT e já assumiu o mandato várias vezes "se prevalece do jornalismo para fazer jogo político com as acusações" publicadas em artigo no A Tarde.

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"Que tipo de jornalista não liga para a pessoa de quem ele vai falar para saber o que a pessoa vai dizer? O acusador mente de forma covarde no texto dele. Não nego meu passado. Tenho muito orgulho, mas não aceito mentira. Comandei, sim, homens nas ruas. Agora, o acusador dizer que eu era agente infiltrado... Todo mundo na faculdade sabia que eu era policial. Todo mundo conhecia o tenente Átila".

Na réplica, Emiliano fez breve retrospectiva de sua trajetória política, desde sua vinda de São Paulo "fugindo" da ditadura, há 40 anos, até os dias de hoje, e lembrou que ficou preso por quatro anos na Bahia "tomando choque e sofrendo outros atos de tortura". O petista negou também que seu artigo tenha qualquer conotação político partidária e disse ter provas do que publicou, além dos relatos das vítimas. "O requerelante (Átila Brandão) vai ter que processar muita gente".

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Contudo, após os discursos, o juiz indagou se havia possibilidade de as partes entrarem em acordo para dar fim ao processo. Átila, o queixoso, disse que a única coisa que o faria conciliar era o pedido de "retratação" de Emiliano José. O jornalista, por sua vez, garantiu que não o fará. "Vamos levar o processo adiante".

Entenda o caso

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O religioso se sentiu ofendido com artigo de Emiliano intitulado 'A premonição de Yaiá', publicado em 11 de fevereiro deste ano no jornal A Tarde, no qual o jornalista descreve atos de tortura praticados por ele no ano de 1971, quando Átila era oficial da Polícia Militar da Bahia.

Yaiá é dona Maria Helena Rocha Afonso, mãe do professor de História Renato Afonso. O ex-militante do PCBR confirmou o depoimento da mãe, com mais detalhes sobre as práticas do então oficial de política a Emiliano José, que o publicou no site da revista Carta Capital sob título 'Corpo amputado querendo se recompor'.

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Segundo o jornalista, Átila Brandão praticava os atos de tortura no Quartel dos Dendezeiros, no Bonfim.

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