Embaixadas brasileiras entram em greve pelo mundo afora
Com RIO+20 e G-20 em pleno andamento, diplomatas e itamaratecas resolvem cruzar os braços na burocracia, nos consulados e embaixadas brasileiras no exterior; assembléia virtual ontem mobilizou representações em 50 países; afetados os serviços em Paris, Roma, Londres, Nova York, Los Angeles e Washington; categoria de elite quer melhores salários; por Roberta Namour, correspondente 247 em Paris
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Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – A embaixada do Brasil em Paris abre pontualmente suas portas, de segunda a sexta, as 9h15, horário local, assim como o serviço de atendimento telefônico. Mas na manhã de hoje, os brasileiros que tentaram contatar o consulado pelo telefone, ficaram sem resposta. O telefone chama inúmeras vezes até ficar mudo.
Na tarde de ontem, servidores do Itamaraty aprovaram uma greve, a primeira da história, por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), assembléia com 300 servidores - ao menos 50 postos no exterior participaram por meio de redes sociais - decidiu pela paralisação por reajuste salarial.
O movimento grevista contradiz uma categoria conhecida no Brasil por sua excelência, glamour e educação "que vem de berço", acustumada com tratamento de luxo em viagens pelo mundo, a serviço do Ministério das Relações Exteriores. O que diria o patrono do Instituto Rio Branco (IRBr), José Maria da Silva Paranhos Junior, dessa atitude nada diplomática de interromper a ajuda aos seus cidadãos pelo mundo por uma questão salarial?
A embaixada de Paris, sob o comando de José Mauricio Bustani, provavelmente seguiu o movimento e cruzou os braços, já que as chamadas seguem sem resposta, não fornecendo nenhuma alternativa aos cidadãos comuns que tentam entrar em contato. A situação é ainda mais alarmante em plenas férias de verão na Europa. Entre os serviços prestados pelas embaixadas do Brasil pelo mundo estão a emissão de novos passaportes, e de certidões para casamento no exterior, além de ser um ponto de atendimento aos brasileiros em dificuldade fora do Brasil. Outros postos no exterior, incluindo Roma, Londres, Nova York, Los Angeles e Washington, também foram afetados.
A greve deve durar ao menos até sexta-feira quando a categoria faz nova assembleia.
De acordo com o Sinditamaraty, a categoria pede a equiparação salarial de assistentes e oficiais de chancelaria a carreiras correlatas. O salário inicial de um oficial de chancelaria é de R$ 6.299 e de um técnico de inteligência da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), carreira correlata, de R$ 11.941, segundo o sindicato. Mesmo os diplomatas, que hoje recebem R$ 12.962, montante equiparado ao de oficial de inteligência da Abin, participam da paralisação.
Segundo nota do sindicato, a revisão salarial é para" recompor perdas dos últimos 25 anos, além da valorização das atividades exercidas pela categoria, com garantias efetivas e equivalentes às dadas para as demais carreiras consideradas típicas de Estado".
Os funcionários do Ministério que atuam na Rio+20 não vão entrar na paralisação. Mas isso não impede que o momento escolhido ofusque a abertura da conferência do Rio, como que para alcançar mais repercussão.
Passaportes devem atrasar
Em Brasília, informa o editor João Porto, os funcionários do Palácio do Itamaraty foram orientados pelo Sinditamaraty a comparecer ao trabalho, bater o ponto e depois se juntar ao controle de greve no térreo do Palácio do Itamaraty. A concentração está marcada diariamente as 8h30. Nas embaixadas, o sindicato orientou os servidores a fazer uma espécie de ponto paralelo para controle de greve. O Minsitério das Relações Exteriores acredita que serviços como a emissão de passaportes pode atrasar neste período de greve.
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