Em Goiás, Eduardo diz que PSB vira jogo e sai melhor
Governador de Pernambuco desconversa ao ser questionado se existe uma articulação em curso para enfraquecer sua pré-candidatura à Presidência da República; numa estratégia traçada pelo vice-presidente Michel Temer, a sigla perdeu para o PMDB o empresário José Batista Júnior, do Grupo JBS; Eduardo, porém, rearticulou seu palanque em Goiás com a filiação do também empresário Vanderlan Cardoso e, de quebra, levou o apoio do líder do Democratas na Câmara Federal, Ronaldo Caiado (GO)
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Pernambuco247_ O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, disse no sábado, 11, em Goiânia, que o partido virou o jogo diante da tentativa de esvaziamento promovida em Brasília com a saída do empresário José Batista Júnior da sigla para ingressar no PMDB. Embora Eduardo tenha se esquivado de uma resposta mais contundente, a articulação para tirar do PSB o dono do maior produtor de carnes do mundo, o Grupo JBS, partiu do vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer.
As declarações de Eduardo Campos foram concedidas em entrevista à jornalista Fabiana Pulcineli, do jornal O Popular, de Goiânia, e publicadas neste domingo, 12. “Aqueles que imaginaram que o PSB iria ficar na chapada, como aqui se diz (em Goiás), viram que o partido virou o jogo”
Eduardo esteve em Goiânia para abonar pessoalmente a ficha de filiação do empresário do ramo alimentício Vanderlan Cardoso, ironicamente egresso do PMDB que cooptou Batista Júnior, mais conhecido como Júnior do Friboi.
Ao diário goiano, o governador pernambucano desconversou ao ser questionado se o assédio a Friboi era investida para enfraquecer sua pré-candidatura: “Sinceramente não sei. Eu leio sobre isso. Mas não quero entrar nesse debate, nesse tipo de especulação. Vamos trabalhar com a realidade.”
Leia abaixo a íntegra da entrevista publicada por O Popular:
A saída de Júnior do Friboi do PSB para se filiar ao PMDB teve articulação direta do vice-presidente Michel Temer e de outros aliados do Planalto. É de fato uma investida contra palanques do sr. nos Estados?
Não sei exatamente o que houve, quem agiu, quem falou. O que sei é que encontramos um bom caminho para que o PSB possa cumprir seu papel em Goiás, que é apresentar uma opção de renovação política, de reconstrução do futuro do povo goiano com mais inclusão social, com preocupações com infraestrutura, que falta para segurar o processo de desenvolvimento econômico. Ou seja, aqueles que imaginaram que o PSB iria ficar na chapada, como aqui se diz, viram que o PSB virou o jogo. Quem tentou fazer algo que atingisse o PSB na verdade deu a oportunidade ao PSB de sair melhor.
Mas acha que há essa investida para enfraquecer sua pré-candidatura?
Sinceramente não sei. Eu leio sobre isso. Mas não quero entrar nesse debate, nesse tipo de especulação. Vamos trabalhar com a realidade. Houve um anúncio na imprensa de saída por parte de um filiado e encontramos uma forma de o partido se reinserir no cenário e foi muito bom para o PSB. O partido, comandado por Vanderlan, vai somar forças para oferecer um projeto alternativo à sociedade, que possa efetivamente ser vitorioso em 2014. É só isso.
Observa-se que houve uma retração em suas movimentações políticas e isso gera especulações de que teria desistido do projeto nacional. É isso?
O PSB não tomou nenhuma decisão sobre 2014. Achamos prematuro fazer o debate agora. O ano de 2013 é importante para o País. A vida dos partidos deve correr naturalmente, no sentido de se organizar para ter condições de crescer. Mas não valorizar o debate eleitoral em 2013 é o melhor caminho para os interesses nacionais, como a retomada do crescimento econômico. 2012 foi pior que 2011 e 11 foi pior que 10. Ou seja, precisamos retomar agora. Temos ajudado o governo, mas também temos opinião própria. Não somos satélite de nenhum partido, temos massa crítica, história e preocupações. O PSB vai tomar a decisão ouvindo as bases como fez sempre. Em todos os momentos de sucessão nacional, o PSB passou por intenso debate, que vai aos Estados. Isso será em 2014. Porque sempre foi assim. Está no estatuto. Nenhum outro partido no Brasil tomou a decisão exata do que fazer em 2014. Por que o PSB, e só o PSB, tem de fazer? A gente tem tempo. E vamos usar o ano de 2013 para focar naquilo que ajuda o Brasil. E cada regional vai procurar fortalecer o partido. É isso.
Mas, por exemplo, em Goiás, uma candidatura do PSB pode ficar inviável se não houver candidato nacional. Nessas articulações nos Estados, o sr. não atingiu um ponto em que se escancara essa disposição para disputar o Planalto?
Não. Acho que cada coisa se resolve no espaço efetivo. A política regional está no espaço da política regional. As decisões têm de ser tomadas aqui. As alianças vão ser feitas aqui. O Brasil é muito diverso para que um partido possa centralizar todo o debate sobre alianças. Temos política geral de alianças, mas o comando será do PSB de Goiás. Há um espaço político extraordinário aqui. Todos sabem muito bem disso. E esse espaço será ocupado por PSB e aliados.
Há críticas em relação a essa união do PSB com o DEM por falta de afinidade ideológica. O que acha?
O importante é que tenham projeto para Goiás. E que o povo entenda como um projeto correto. As diferenças vão continuar a existir. De filosofia, de forma de ver o mundo. É importante que existam porque a democracia vem exatamente do enfrentamento de ideias, do debate. Agora, só tem medo de fazer aliança quem é inseguro quanto ao que pensa. A aliança só é errada quando não obedece a um conteúdo que tenha sintonia com a vontade popular. O PSB é um partido que sabe fazer alianças. E são feitas com conteúdo. Qual é a política para a saúde pública de Goiás? Qual será a política para o transporte? Qual é a política para educação? Como vamos melhorar a situação das prefeituras, do saneamento, do abastecimento de água, das rodovias, da infraestrutura? É esse o debate que vai permitir essa coligação ganhar a opinião pública e as pessoas que raciocinam fora dessa polarização. Chegou a hora de uma alternativa como essa ter a oportunidade de governar Goiás.
O governador (de Goiás) Marconi Perillo tinha interesse em um acerto para atrair o PSB e tratou do assunto com o sr. Como foi essa conversa?
Eu tive um encontro com o governador Marconi no Fórum de Comandatuba. Tenho relação boa com ele. Das outras vezes que vim aqui, o visitei, fui bem recebido. Mas o governador comando um conjunto político oposto ao conjunto político do PSB. É isso.
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