Em Goiás, DEM espera sua hora acontecer
O partido perdeu um senador, mas não o discurso: Ronaldo Caiado, por exemplo, nada de braçada no escândalo Cachoeira, situação bem diferente da vivida pelo tucano Marconi Perillo, este, sim, afogado no caso até o teto da casa. E tem o vice, José Eliton (E), que pode virar governador, e o suplente de Demóstenes, Wilder Moraes, que tem tudo para assumir
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Vassil Oliveira_Goiás 247 – O DEM nacional está em crise. O PSDB nacional e de Goiás? Em crise. Enquanto isso, o DEM goiano tira ouro dos problemas. Espera sua hora acontecer.
Primeiro, aos fatos.
1. É fato que o senador Demóstenes Torres é goiano e estava no DEM-GO quando estourou o escândalo capitaneado por ele e o contraventor Carlinhos Cachoeira, a partir da prisão deste pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo.
2. Mas também é fato que quem entrou na roda viva das denúncias não foi o presidente do partido no Estado, Ronaldo Caiado, e muito menos o vice-governador, José Eliton. Vá lá que Wilder Moraes, empresário, secretário estadual de Infraestrutura, surgiu forte no noticiário. Não foi, porém, por implicações sem explicação, e sim por ter perdido a mulher, Andressa, para o contraventor.
3. Fato é que, acima de tudo, quem está em xeque porque seu nome aparece o tempo todo nas gravações da PF é o governador Marconi Perillo, do PSDB.
Enquanto Marconi agoniza em praça pública, Caiado é o centro das atenções na discussão que envolve o novo Código Florestal. Nada fora de sua realidade natural. Ele é um líder ruralista e assim se assume.
E José Eliton? Eliton percorre o Estado em uma movimentação comparável à de um governador sem desgaste e com discurso afiado. Simplesmente o avesso da situação vivida pelo governador.
Caiado continua admirado por sua coragem, sua coerência, e toda a balbúrdia gerada pelo caso Cachoeira-Demóstenes, em vez de desgastá-lo – afinal, ele é o padrinho político do senador –, faz é reforçar suas virtudes, na visão do eleitorado. Por exemplo: como seu nome não surge nas gravações, isso comprova que ele é, não há dúvida, um político limpo; foi traído, portanto é vítima.
Eliton é o novo. É advogado por formação e virou vice por obra do acaso. Caiado e Marconi estavam rompidos, e antes que o DEM virasse suas asas para o lado do PMDB, o então candidato a governador ofereceu o lugar de honra na chapa exatamente para Caiado, que indicou Eliton entre indiferente e contrariado – mas indicou. O cupido da reaproximação? Demóstenes.
Caiado, quando surgiram as denúncias envolvendo o senador, mostrou-se mesmo traído na sua confiança. Fez questão disso. E discursou pela ação rápida e dura do partido, que resultou na saída de Demóstenes da legenda. Depois, ficou à parte. E à parte está.
Eliton calou-se sobre o assunto. Fala, e fala muito, sobre o DEM em Goiás, sobre o governo Marconi – sempre com elogios –, e e sobre “ética” e “moralidade”. Sim, o discurso pantanoso que engole Demóstenes continua na ponta da língua. Assim, sem que o nome Demóstenes seja mencionado.
Por seu lado, Wilder mantém-se firme na eloquência do silêncio absoluto. A atitude mais firme foi não aceitar os recados do governador Marconi Perillo que pediam para que saísse do governo por iniciativa própria. Não saiu. Não sai. Vai ficar quieto aguardando o desenrolar dos fatos.
E aqui entra a segunda parte da história. O DEM nada faz a não se resistir porque espera o que vai acontecer.
E o que pode acontecer?
Uma possibilidade que já foi mais considerada é a queda – seja como for – do governador Marconi Perillo. Assim o partido ganharia o comando do Estado na bandeja.
Outra é que Demóstenes peça pra sair do Senador, ou que seja afastado, processo em andamento. Nesse caso, o partido, que perdeu um senador, voltaria a ter um, com Wilder, que é primeiro suplente de Demóstenes, assumindo o mandato.
Há uma terceira possibilidade: ficando quieto e mostrando lealdade, a legenda cuida de não desaparecer no Estado. Cuida de se garantir e se fortalecer, por exemplo, com eleição prefeitos e vereadores para segurar a vice, em 2014, ou o direito de indicar o candidato a senador na chapa da reeleição de Marconi.
A quarta possibilidade é de ver o momento, agora ruim, ser uma oportunidade para Ronaldo Caiado realizar o seu sonho: candidatar-se ao governo de Goiás. Ele já deu declarações avisando que não pretende disputar mais um mandato de deputado federal: ou disputa o governo, ou o Senado.
Ou seria coincidência o DEM ocupar, em Goiás, a presidência da CPI que investiga as ligações de Cachoeira com políticos, com Helio de Souza? Ou seria, ainda, mero acaso que há cerca de duas semanas o partido lançou outro deputado, Nilo Rezende, como candidato a prefeito de Goiânia, logo Nilo, que nunca foi citado espontaneamente em pesquisas de intenção de voto na capital e cujo irmão, Odair, será candidato a prefeito de Quirinópolis, onde já foi prefeito por duas vezes?
O DEM joga calado, mas joga. Tem a seu favor o tempo e o inferno político de aliados não tão aliados assim no Estado. Está naquela situação: quanto pior para Marconi e Demóstenes, melhor para o seu futuro. Na pior das hipóteses, quer dizer, na melhor – dependendo do ponto de vista –, sobrevive.
Mas e se o partido acabar? Ainda assim, Caiado e Eliton tem chances reais de sobrevivência política. E Wilder, bem, Wilder, tirando a história da mulher que se foi com outro, não perdeu nada – empresário era, empresário está. E pode ganhar muito: seis anos de mandato.
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