Em crise, PT do Recife quer uma "caça às bruxas"
Após mais um racha dentro do PT, que pôs em dúvida a presidência estadual do partido, atualmente nas mãos do deputado federal Pedro Eugênio, crise interna do partido em Pernambuco parece não ter fim; mesmo após a legenda ser derrotada pelo PSB nas eleições municipais e de o Diretório Municipal aprovar o apoio ao prefeito eleito Geraldo Júlio, tendência liderada pelo senador Humberto Costa estuda forma de punir os “infiéis” que optaram pela aliança com os socialistas, incluindo o atual gestor João da Costa
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Leonardo Lucena e Paulo Emílio_PE247 – Após mais um racha dentro do PT, a eficácia em relação ao comando da presidência estadual do partido, nas mãos do deputado federal Pedro Eugênio, é considerada duvidosa. Mesmo após ser derrotada pelo PSB nas eleições municipais e doDiretório Municipal aprovar o apoio ao prefeito eleito, Geraldo Júlio, a tendência Construindo Um Novo Brasil (CNB), liderada pelo candidato petista neste ano, Humberto Costa, estuda uma forma de punir os “infiéis” que optaram pela aliança com os socialistas. Ou seja, a crise interna parece incontrolável e uma “caça às bruxas” parece assomar no horizonte.
Nem mesmo o ex-líder do Governo do Estado, o secretário estadual de Transportes, Isaltino Nascimento (PT), que já havia sido escalado pelo governador Eduardo Campos (PSB) para fazer as intermediações entre ambos os partidos antes da oficialização do apoio dos petistas aos socialistas, conseguiu esfriar os ânimos. O dirigente, que goza de trâmite nos dois lados, também integra a CNB, porém a ala de Humberto Costa se mostra intransigente na decisão de não apoiar o PSB nem no Recife nem no Estado.
A discussão sobre a adesão à Frente Popular, encabeçada pelo PSB, começou quando o governador Eduardo Campos lançou candidatura própria, rompendo uma aliança de décadas com o PT. O ato foi considerado uma traição pelos petistas e a derrota no pleito municipal acirrou ainda mais a radicalização de alguns setores da legenda.
Em reunião convocada pelo presidente estadual do PT, Pedro Eugênio, que deveria ter acontecido neste último sábado (15) para ser feito um balanço da legenda no pleito deste ano, apenas 22 petistas estiveram presentes, enquanto que seriam necessárias 29 pessoas, no mínimo, para a realização do encontro.
Quase toda a ala da CNB não compareceu e isso significa que a situação chegou ao ponto de o PT não consegui nem realizar uma reunião. Vale ressaltar que somente a CNB possui 29 integrantes no diretório, número necessário ao quórum exigido para a validação do encontro. A não realização da reunião demonstra um enfraquecimento do comando da legenda por parte do deputado Pedro Eugênio, que durante o processo eleitoral também, foi acusado de priorizar a sua campanha no município de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, em detrimento das demais cidades e candidatos do partido, incluindo a capital. Eugênio acabou derrotado, o que acabou por refletir nas decisões de comando da legenda.
Um outro ponto de atrito é que o PT recifense teve como candidato a vice-prefeito o deputado federal João Paulo, ex-prefeito do Recife, que hoje é o principal desafeto político de João da Costa, atual gestor da Capital, por motivos até hoje não esclarecidos. O chefe do Executivo municipal também não se entende com o senador e candidato derrotado Humberto Costa.
Tanto Humberto quanto a CNB acusam o atual gestor João da Costa de não ter apoiado o senador no pleito deste ano. João da Costa teria agido assim após ter a sua candidatura à reeleição impugnada pela Executiva Nacional do PT durante o processo de prévias que foi disputada em junho. Em função do clima interno, a Direção nacional interviu e colocou o nome de Humberto para tentar estabelecer um consenso intrapartidário, o que não ocorreu.
Com a arenga interna comendo solta, o que se observa é que João da Costa tenta fortalecer a sua presença e também a da corrente Mensagem ao Partido, na qual exerce a liderança. O gestor promoveu a filiação em massa de simpatizantes visando ampliar espaços na direção da legenda a partir da realização do Processo de Eleição Direta (PED), em 2013. A manobra foi barrada pela CNB que “perdeu o prazo”, o que colocou os novos afiliados em posição de impedimento para votarem no PED.
Com isso, a situação de João da Costa, acusado de infidelidade e cuja expulsão do partido é defendida pela CNB, se torna mais difícil de ser revertida, embora não falte quem o defenda. O presidente municipal do PT, Oscar Barreto, afirmou que a legenda não se reunia há mais de um ano, o que reflete a desunião e falta de organização do partido. Em entrevista à Rádio Folha, o dirigente disse que tanto Humberto Costa como o Diretório Estadual estão conduzindo a legenda de forma errada.
“O PT tem dois problemas graves. Primeiro, a forma de autoritarismo de fazer política, querendo impor uma opinião (romper com a Frente Popular) ao conjunto do partido. Segundo, o centro do debate é expulsar integrantes e romper com a frente. Essa é a opinião do diretório (estadual) e de Humberto Costa”, declarou. “Tentar impor uma ruptura ao conjunto do partido vai abrir uma crise de comando do partido”, disse. Além disso, o presidente da legenda defendeu o governador Eduardo Campos. “A aliança nacional (PT e PSB) não congela a vontade dos partidos de disputarem as prefeituras”, acrescentou.
“Não tem coerência discutir o que já foi definido. O PT precisa discutir questões como as eleições 2014 e a atuação dos nossos parlamentares (na Câmara Municipal). O Recife não é uma ilha, está conectado com o Governo Estadual e o Federal”, afirmou o vereador petista Jairo Brito, ao Pernambuco 247, em defesa da aliança com o PSB e, também, de João da Costa.
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