Eliana Calmon comemora decisão do Supremo

Corregedora do CNJ ganha a batalha da opinio pblica ao ter seus poderes mantidos pelo STF; "Queriam minar minha credibilidade no Judicirio; maior derrotado com o julgamento foi Cezar Peluso, presidente do rgo

Eliana Calmon comemora decisão do Supremo
Eliana Calmon comemora decisão do Supremo (Foto: DIVULGAÇÃO)


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Fernando Porfírio _247 – A corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, ganhou a batalha da opinião pública e emparedou seus inimigos dentro e fora do Judiciário. Por causa disse, acordou nesta sexta-feira, depois de uma enxaqueca daquelas, nas nuvens e de alma lavada. Essa foi a afirmação de um assessor da ministra na manhã desta sexta-feira (3) ao descrever ao Brasil 247 o sentimento que tomou conta da xerife do CNJ depois da decisão de ontem do Supremo Tribunal Federal.

O assessor também confirmou que a ministra convocou entrevista coletiva para o final da tarde de hoje, quando vai falar sobre o julgamento que restaurou os poderes do Conselho para investigar e punir magistrados, independe de processos administrativos que corram nas corregedorias locais. O assessor garantiu que a ministra fará uma avaliação do julgamento desta quinta-feira.

Motivo para a ministra comemorar não falta. Alvo de críticas de entidades de magistrados, de colegas do CNJ e de ministros do Supremo, a baiana Eliana Calmon estava recolhida à espera da decisão final. Em uma semana conquistou duas vitórias. A primeira doi a determinação do procurador geral da República, Roberto Gurgel, que mandou arquivar uma representação de três entidades de magistrados que acusa a minstra de quebras de sigilo funcional. A segunda, e mais importante, restaurou o poder de investigação do CNJ que estava suspenso por força de liminar e, de canja, a determinação de que todos os processos envolvendo magistrados devem ser públicos e não mais em sigilo.

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Em entrevista ao jornalista Frederico Vasconcelos, do jornal Folha de S. Paulo, a ministra disse ontem que sua maior felicidade ocorreu quando ouviu o voto da ministra Rosa Weber [pela manutenção dos poderes do CNJ para investigar juízes]. A ministra é a caçula do Supremo, tendo tomado posse em dezembro e participado ontem de seu primeiro julgamento.

“A multiplicidade e discrepância a que sujeitos os juízes em sede disciplinar atentam contra o princípio da igualdade. [...] Reclama a existência de um regramento uniforme da matéria”, afirmou. “Entendo que a competência do CNJ é originária e concorrente e não meramente supletiva e subsidiária”, concluiu a ministra.

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Questionada pelo ministro Marco Aurélio Mello se a atuação do CNJ independe de motivação, a ministra afirmou: “Entendo que a atuação do CNJ independe de motivação expressa, sob pena de retirar a própria finalidade do controle que a ele foi conferido.”

A ministra defendeu ainda a atribuição do CNJ de elaborar regras relativas a procedimentos disciplinares. "Até as pedras sabem que as corregedorias não funcionam quando se trata de investigar os próprios pares"

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“Minha cabeça não aguentou. Estou de enxaqueca, não tenho condições de comemorar. Eu vou dormir. Foi um desgaste muito grande”, disse a ministra ao jornalista, que mantém um blog nas páginas do portal UOL.

A ministra revelou que viveu ontem um dos momentos mais tensos de sua vida e que, antes do julgamento, acompanhou a sinalização da mídia e dos analistas, de que o resultado, em decisão apertada, seria desfavorável à posição da Associação dos Magistrados Brasileiros. “Mas, até o final, a gente viveu um clima de muita tensão”.

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De acordo com a ministra o que mais a incomodou foi a posição da AMB que chegou a acusá-la de ter cometido crime de quebra de sigilo funcional. “Isso me deixou muito amolada, quase me desestabilizou. Queriam minar minha credibilidade no Judiciário”, afirmou Eliana Calmon.

A vitória da posição de Eliana Calmon já era prevista por alguns analistas, mas de acordos com essas avaliações o placar seria apertado. E não deu outra: por seis votos a cinco, o Supremo de alguma maneira ouviu o clamor das ruas e decidiu que o CNJ pode investigar magistrados, independentemente do trabalho das corregedorias locais, sempre que achar necessário e sem precisar de uma justificativa para isso.

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Bingo! Estava resolvida a questão mais polêmica de uma crise que atingiu o Judiciário nos últimos meses e foi motivo de troca de farpas publicamente entre autoridades deste poder e entidade de classe dos magistrados. As feridas ainda não estão cicatrizadas, mas agora as águas do rio voltam ao seu leito nornal. O futuro do CNJ fica à espera do novo Estatuto da Magistratura, que irá substituir a velha e caduca Loman (Lei Orgânica da Magistratura).

Para parte dos magistrados, com destaque para as velhas associações de classe que se pauta pela defesa do corporativismo, o CNJ só pode investigar juízes após concluídos processos nas corregedorias estaduais. Sob o argumento de que em muitos casos essas corregedorias são ineficientes, o CNJ advoga o direito de fazer as apurações independentemente das ações estaduais.

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Foi esta última análise que prevaleceu. A defesa mais contundente e clara desse tese partiu de um ex-presidente do Supremo e do CNJ, o ministro Gilmar Mendes, que ontem, durante o julgamento não estava apenas sentado de lado de seu arqui-rival, o ministro Joaquim Barbosa, mas que comungava da mesma tese do relator do “mensalão”: “Até as pedras sabem que as corregedorias [locais] não funcionam quando se trata de investigar seus próprios pares”, disse Gilmar Mendes.

Em dois dias de julgamento, foram duas vitórias da corregedora nacional de Justiça. Na primeira, o procurador geral da República, Roberto Gurgel, mandou arquivar representação apresentada por três entidades de magistrados. As associações alegaram que Eliana Calmon teria extrapolado suas funções e promovido uma devassa na movimentação financeira de mais de 200 mil servidores do Judiciário e de magistrados.

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A segunda vitória aconteceu ontem quando a corregedora nacional de justiça, Eliana Calmon, ganhou a guerra que vinha travando com adversários muito poderosos para preservar os atuais poderes de fiscalização e investigação do CNJ.

Eliana Calmon se mostrou antenada com os veículos e as mídias sociais. Utilizou-se de uma expressão popular: botou a boca no mundo. Avisou ao país que há “um gravíssimo problema de bandidos escondidos atrás da toga”, disse que só “no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro” ela iria inspecionar o Tribunal de Justiça de São Paulo (evidenciando a existência de obstáculos para isto) e vem dizendo várias outras coisas úteis, além das que disse em documentos e à imprensa em sua própria defesa ante o ataque corporativista de algumas associações de magistrados, seja por meio de medidas judiciais, seja por manifestações por intermédio da mídia.

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