Eleitores transferem título por dinheiro em Valadares

Justiça Federal analisa denúncias de que eles estariam transferindo seus documentos para cidades vizinhas em troca de R$ 50. Há a desconfiança que lideranças políticas estejam tentando evitar um segundo turno na cidade, que possui 199.942 eleitores, apenas 58 a menos que o mínimo legal para que o pleito seja em duas etapas

Eleitores transferem título por dinheiro em Valadares
Eleitores transferem título por dinheiro em Valadares (Foto: Divulgação)


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Minas 247 – Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, região leste de Minas, pode ter perdido eleitores para cidades vizinhas, que teriam aceitado transferir o título a troco de meros R$ 50. A suspeita é que a atual prefeita e candidata à reeleição, Elisa Costa (PT), esteja atuando no sentido de evitar o segundo turno na cidade, que possui 199.942 eleitores, com mais 58 o município passa a ter dois turnos.

A denúncia partiu do PPS local. Segundo o presidente da legenda em Governador Valadares, o advogado Mauro Bonfim, nos meses de abril e maio deste ano houve uma transferência em massa de títulos eleitorais para cidades da região.

Confira a matéria da jornalista Luciana Coelho, do jornal O Tempo

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A Justiça Federal em Governador Valadares, no Leste de Minas, apura a denúncia de que eleitores transferiram seus títulos para cidades vizinhas em troca de dinheiro. O objetivo seria impedir que o eleitorado do município atingisse a marca de 200 mil eleitores, o que o incluiria entre as cidades com possibilidade de ter segundo turno. A suspeita recai sobre a prefeita e candidata à reeleição, Elisa Costa (PT).

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG), Valadares possui 199.942. No início de junho, o cartório eleitoral da cidade enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) relatório para a confirmação do cálculo, mas ainda não obteve resposta. Além dessa expectativa sobre a mínima diferença de 58 cidadãos, a acusação de fraude esquenta o início da campanha.

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A denúncia partiu do PPS municipal, que apoia o candidato Rui Moreira (PSB). Segundo o presidente da legenda e advogado Mauro Bomfim, o caso teria ocorrido entre abril e maio deste ano, perto do fim do prazo para entrega de inscrições no TRE. "Houve uma transferência em massa de títulos eleitorais para outras cidades, como Marilac, Matias Lobato, Frei Inocêncio, Periquito, entre outras. Ainda recebemos uma denúncia de que era pago o valor de R$ 50 para cada", contou.

O PPS levou a suspeita ao Ministério Público e à Justiça. O processo está em fase de apuração, e o juiz responsável intimou aproximadamente 170 pessoas, de Marilac e Periquito para prestarem depoimento.

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Elisa Costa não comentou a acusação, mas a prefeitura negou. "Trata-se de uma acusação improcedente, pois que a Justiça Eleitoral é autônoma e independente, sendo que o Executivo não interfere, nem tampouco tem essa intenção de interferir nas decisões e procedimentos da Justiça Eleitoral", afirmou, em nota, Schinyder Cardozo, procurador geral do município.

No fim do ano passado, a Câmara Municipal e a Justiça Eleitoral criaram o projeto Cidadania Jovem para incentivar a população entre 15 e 18 anos a requerer o título e buscar a marca de 200 mil eleitores.

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Óbitos. Além da transferência suspeita, o advogado do PPS faz outra acusação. Segundo ele, há indícios de que, desde maio, os relatórios de óbitos passaram a ser entregues pelo INSS à Justiça Eleitoral quase que diariamente e não mais a cada três meses, como antes.

"Anteciparam as informações para não ter o segundo turno. Se o cadastro tivesse fechado até o dia 10 de junho, teria alcançado o número de 200 mil eleitores, e o segundo turno estaria garantido", afirma Bomfim.

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A indefinição sobre o cômputo do eleitorado gera ansiedade entre os candidatos. "Nós temos mais de 200 mil eleitores, isso é fato. Mas existe uma pressão muito grande das facções políticas que não querem o segundo turno", acusa André Merlo (PDT).

"A demora causa uma ansiedade muito grande e atrapalha as composições que poderiam ser feitas. Mais partidos gostariam de lançar mais candidatos, e isso torna o jogo menos democrático", aponta Augusto Barbosa (PSDB).

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