Eleição é no voto do eleitor ou no tapetão?
TRE mineiro recebe terceiro pedido de impugnação de candidatura em Belo Horizonte em 15 dias de campanha oficial. É o vale tudo eleitoral, que se apega aos mínimos filigranas jurídicos para ganhar no voto do juiz. Cidadão que vota, protagonista de tudo, por enquanto segue em segundo plano
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Minas 247 – O PT protocolou nesta sexta-feira pedido de impugnação da candidatura do prefeito Márcio Lacerda (PSB). A representação é, na verdade, contra o secretário geral do PSD em Minas e secretário de Estado de Gestão Metropolitana Alexandre Silveira, com extensão à Lacerda e seu companheiro de chapa, o deputado estadual Délio Malheiros (PV). A ação dos petistas é um contra-ataque aos dois pedidos de impugnação impetrados por Silveira contra Patrus Ananias, candidato da coligação PT-PMDB.
Enquanto as lideranças duelam nos tribunais o direito de escolha do eleitor vai sendo renegado. As brigas dos partidos tem caráter de revanchismo, de valorização exagerada de ego nas legendas. As duas representações movidas pelo deputado Alexandre Silveira se apresenta como uma resposta à postura adotada pelo prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. O que o eleitor belo-horizontino tem a ver com isso é a grande questão. A resposta petista – se tem fundamento jurídico o Tribunal Regional Eleitoral de Minas vai decidir – vem como uma espécie de “não mecha com quem está quieto”. São os caciques da política mineira fazendo um perigoso jogo de vaidades que interfere diretamente no poder de escolha do eleitor.
O que é claramente percebido nas ações de impugnação é como os partidos estão se apegando a mínimos detalhes para tentar desestabilizar o processo eleitoral que já se encontra consolidado na capital. Enquanto o PSD quer retirar Patrus da campanha porque o ex-prefeito não entregou o cargo que exercia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o PT quer a saída de Lacerda porque Alexandre Silveira teria feito campanha política para o socialista no horário em que deveria estar trabalhando para o Estado. Enfim, estão fazendo o que se costuma dizer popularmente: uma tempestade em copo d’água. Ainda que haja amparo legal nos pedidos de impugnações, a causa é muito desproporcional à consequência, ou seja, uma jogada jurídica de advogados habilidosos pode mudar o rumo do pensamento de milhares de eleitores.
A experiência eleitoral brasileira mostra que dificilmente os dois favoritos em Belo Horizonte serão impugnados. E os partidos sabem disso. Mas o importante nesses casos é o impacto que o factoide gera no adversário. É aritmético. Em uma eleição que se desenha equilibradíssima na capital, qualquer minuto perdido é importante e agindo com ações na Justiça uma coligação consegue mover todo o aparato político do adversário. O tempo perdido em justificativas, defesas e em definir uma nova briga judicial poderia ser utilizado para escutar mais o eleitor, seus anseios e suas sugestões.
Por enquanto os cabeças de chapa Patrus e Lacerda continuam à espreita, dando declarações simples, evitando o embate, o vale tudo tem ficado por conta dos partidários. Resta saber até quando. Talvez até o próximo pedido de impugnação.
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