Eduardo Campos começa a taxiar para voos maiores
Desbancando o PT em cidades como Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), elegendo mais de 100 prefeitos acima que nas eleições de 2008, comandando 170 das 184 cidades de Pernambuco, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, ganha força para decolar rumo a voos maiores, como o palácio do Planalto; Resta saber como se comportarão aliados históricos, como o PT
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Leonardo Lucena_PE247 – Com 51,15% dos votos válidos, Geraldo Júlio (PSB) foi eleito já no primeiro turno no Recife quebrando uma hegemonia de 12 anos levada adiante pelo PT. Todavia, pode-se dizer que o maior vitorioso nestas eleições é o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos. Primeiro, por ter indicado o ex-secretário estadual de Desenvolvimento Econômico. Segundo, porque dos 184 municípios do Estado, os socialistas saíram vitoriosos em 170, somando candidatos próprios e aqueles apoiados pela legenda, além de conquistar mais de 120 prefeituras além das que já tinha em 2008 em todo o Brasil. Agora, com este crescimento da legenda, haverá uma reorganização no xadrez político estadual e, também, nacional.
“Em 2014 vamos decidir no processo histórico. Claro que essa eleição reorganiza o campo político no Brasil. Ela deixa muitas possibilidades diante da cena política do Brasil, mas quem vai dizer o que é q vamos ter, efetivamente, é o processo que estamos iniciando. Agora, 2014 o PSB vai está no jogo. Vamos estar no jogo, sempre a favor do Brasil. O que for melhor o PSB vai fazer”, disse o governador logo após a vitória de Geraldo Júlio ser confirmada . Com, isso, Eduardo deixa entreaberta uma porta que poderá vir a ser utilizada ou não nas próximas eleições presidenciais.
Cravando uma gestão sob a simples fórmula crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima da média nacional mais articulação política, Campos, conseguiu apoio o suficiente de todas as classes para obter mais credibilidade do que o nome de maior força no Estado até então: Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O “cacique” socialista mostrou explicitamente que em política não basta fazer administrar bem, mas, acima de tudo, saber construir alianças partidárias consistentes, algo fundamental para quem almeja à presidência da República.
Em meio às demonstrações de profundas mágoas por parte do PT como um todo, Eduardo deixa nas entrelinhas que o crescimento do PSB gera benefícios, inclusive, ao Partido dos Trabalhadores em nível nacional. Com isso, os petistas estariam com um aliado mais independente, diminuindo, assim, a dependência desse aliado histórico de partidos como o PMDB.
Mas diante das costuras partidárias o PSB, praticamente, traz consigo legendas como o PSDB, tendo em vista a aproximação de ambos os partidos com Eduardo sob o comando do Palácio do Campo das Princesas. Como ficará a relação entre socialistas e tucanos nos próximos anos e como o PT vai proceder quanto a essas alianças é algo que ainda não dá para prever, até porque as dúvidas vêm à tona quando está em jogo o projeto do governador em direção ao Palácio do Planalto, no ano 2014.
Em nível estadual, o gestor precisa driblar um adversário: o “racha” com um PT desunido, o que prejudicou ainda mais a campanha do senador Humberto Costa, algo reconhecido até pelos próprios integrantes do partido. Mesmo tendo sido “coroado” de “traidor” pelos petistas, Eduardo Campos se mostrou capaz de “abafar” a popularidade significativa do ex-prefeito e vice na chapa do Partido dos Trabalhadores, João Paulo. Porém, reconstruir as pontes que ligavam os dois partidos não será algo fácil.
Além disso, com especulações correndo nos bastidores de que o grupo de Humberto Costa estaria montando um dossiê para expulsar o prefeito João da Costa do PT, torna ainda mais complicada a tarefa de uma reaproximação do governador com os petistas. Pois, com base em análises de cientistas políticos, é quase que uma regra moral um partido se unir internamente para ocorrer uma adesão sólida a um palanque (Frente Popular) que tem como protagonista o PSB.
Após o término do segundo turno em algumas capitais brasileiras, fazer as pazes com o Partido dos Trabalhadores será apenas mais um desafio, no qual Eduardo terá de colocar, mais uma vez, em campo sua capacidade de articulação política.
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