Edivan e Eduardo Amorim uniram João e Déda
Ao se colocar contra o Proinveste, grupo liderado pelos irmãos Amorim fez com quem o governador recorresse ao prefeito; bem tratado pela presidente Dilma Rousseff (PT), João atuou pela reabertura do diálogo; agora, o chefe do Executivo da capital experimenta os benefícios da boa relação com o líder da administração estadual; e os Amorim? acompanham apreensivos este momento e temem que a aliança administrativa tenha consequências políticas em 2014; o prefeito, despreocupado, vê seu nome na liderança das pesquisas de consumo interno sobre as próximas eleições, enquanto Déda trabalha para reconstruir maioria na Alese
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Valter Lima, do Sergipe 247 – Pode parecer esquisita e descabida a afirmação que intitula este texto, mas avalie se não há coerência na seguinte análise: o acirramento dos ânimos provocado pela discussão em torno do empréstimo de R$ 727 milhões do Proinveste, no final de 2012 e a consequente reprovação da proposta pelos parlamentares do agrupamento liderado por Edivan Amorim (PTB) e pelo senador Eduardo Amorim (PSC) deixaram o governador Marcelo Déda (PT) numa enrascada. Sem maioria na Assembleia Legislativa, o petista recorreu ao prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM), que, cooptado pela presidente Dilma Rousseff (PT), aceitou a missão de ressuscitar o projeto. E assim o fez.
Colocando-se favorável ao Proinveste, “em nome do desenvolvimento de Sergipe”, João, na verdade, encaixou-se perfeitamente na estrutura montada pelo Governo para mostrar a importância do empréstimo e o quão era descabida a sua reprovação pelos partidários de Amorim. Além disso, o surpreendente apelo de Déda a toda a classe política do Estado, na formatura dos estudantes do Instituto Luciano Barreto Júnior, em janeiro, “em nome do futuro dos milhares de jovens sergipanos”, também se somou ao cenário pró-aprovação do projeto.
Da parte dos Amorim, o sentimento era de incerteza. Sabia-se, internamente, que a posição contra o projeto colava negativamente no senador, o que era muito ruim para suas pretensões eleitorais em 2014, mas não havia, até aquele momento, uma fórmula para mudar de opinião sem cair em contradições. O apoio de João ao programa e o apelo de Déda se tornaram uma boa saída. E assim o projeto ganhou fôlego.
Assim, o que se viu desde então foi um João Alves Filho, que, revigorado politicamente com a conquista da prefeitura da capital, atuando pelo sucesso do Governo Déda, “em benefício dos sergipanos” – aqui é bom o friso que o demista sempre faz. E a relação, antes tão protocolar, entre ambos, agora ganhou novo semblante. Se Déda é o “Dedinha” da Dilma, porque João não pode ser também o “Joãozinho” da ministra Ideli Salvatti, denominada pelo líder do DEM em Sergipe como “a musa dos prefeitos”?
Além do mais, se João trabalhou para chegar a um consenso em prol do Proinveste, ele agora não é mais figura estranha em solenidades realizadas pelo Governo Déda, como a assinatura da ordem de serviço para início das obras do novo aeroporto da capital. E também não é mais esquisito ele ser peça indispensável à fotografia oficial do evento, como ocorreu, quando todos (o governador, seu vice, o presidente da Infraero, a presidente da Alese, deputados e secretários) aguardaram o fim de uma entrevista do prefeito para tê-lo na imagem.
E os Amorim? Que saldo tiraram do reencontro civilizatório de adversários em prol de um projeto de desenvolvimento para o Estado? Francamente? Nenhum. Correm atrás do prejuízo em entrevistas diárias, onde dizem que nunca foram contra o Proinveste, como se o “não” de seus deputados ao projeto não fosse contundente.
Assim, os Amorim acompanham apreensivos a aproximação que eles, inconscientes, construíram, entre Déda e João. Colocam as vozes antes alinhadas ao prefeito – Augusto Bezerra e Venâncio Fonseca – para bradar contra a suposta aliança DEM-PT e tentam passar para a sociedade a imagem de que são aliados que de nada precisam nos governos, que dão apoio sem esperar qualquer retorno.
O clima dentro do agrupamento dos Amorim não é dos melhores. A maioria tão necessária a Déda, inclusive, já é uma certeza entre três deputados estaduais ouvidos pelo Sergipe 247 na última semana. Aprovado o Proinveste, o governador só precisará ter alguma habilidade para alcançar a amabilidade de deputados com viés mais independente.
Em decorrência disto, encerrada a novela do empréstimo, a política passará por um redesenho. E sem maioria na Assembleia, o Governo voltará a sofrer, pois não aguarde do núcleo duro do agrupamento dos Amorim qualquer manutenção de diálogo. A oposição sabe que precisa recompor imagem e discurso e o fará tentando desconstruir a melhora na imagem da administração estadual.
E João, o prefeito? Nas pesquisas internas de consumo dos partidos, ele surfa na dianteira, sem perigo. No retrovisor até enxerga Jackson e – vejam só – o senador Antônio Carlos Valadares (PSB). Quanto a Amorim, este tropeçou no Proinveste. No entanto, não dá para esquecer que esta corrida só se encerra daqui a 18 meses. Ganha quem escapar das pedras no caminho.
Foto: Victor Ribeiro/ASN
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