É difícil controlar todos os ataques, diz Brigada

Enquanto mais de cinco mil pessoas se concentravam, nesta quinta-feira, na Praça da Matriz, policiais militares buscaram proteger os prédios do poder público situados no local – como a Assembleia Legislativa, o Palácio Piratini e o Palácio da Justiça; segundo o chefe do estado-maior da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira, a maior parte dos problemas que envolvem os atos ocorrem no que chamou de "período pós-manifestação", e seriam iniciados por pessoas que, na sua maioria, não participam do início dos protestos

É difícil controlar todos os ataques, diz Brigada
É difícil controlar todos os ataques, diz Brigada (Foto: Claudio Fachel)


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Do Sul21 - Para o ato da última quinta-feira (27), tanto os manifestantes como a Brigada Militar buscaram estratégias diferentes em Porto Alegre. Enquanto mais de cinco mil pessoas se concentravam na Praça da Matriz, policiais militares buscaram proteger os prédios do poder público situados no local – como a Assembleia Legislativa, o Palácio Piratini e o Palácio da Justiça. Da mesma forma, ruas foram trancadas e grades contornaram a praça. Como em outras noites, houve episódios de ataques a lojas e carros, além de registros de enfrentamentos com a polícia, mesmo que, em comparação com os últimos atos, com menor intensidade.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (28), representantes da Brigada Militar e da Polícia Civil comentaram a operação de ontem e o andamento das investigações – em todas as manifestações recentes, a noite terminou com pessoas detidas e algum registro de lesão ou enfrentamento. Para o chefe do estado-maior da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas Moreira, desta vez, no entanto, não foram registrados saques a estabelecimentos comerciais ou a bancos.

Segundo Freitas, a maior parte dos problemas que envolvem os atos ocorrem no que chamou de "período pós-manifestação", e seriam iniciados por pessoas que, na sua maioria, não participam do início dos protestos. Ontem, a Brigada Militar buscou proteger os prédios públicos da Praça da Matriz, através de cordões de isolamento e grades que bloqueavam a passagem de manifestantes. Entretanto, foi justamente em frente ao Palácio da Justiça, quando uma parcela dos que ocupavam a Praça buscava descer em direção à Prefeitura, que ocorreu o primeiro confronto.

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Naquele instante, um grupo de pessoas teria jogado garrafas e pedras nos policiais que guarneciam o Palácio. A reação se deu com o lançamento de duas bombas de gás lacrimogêneo, o suficiente para dar início à dispersão do ato que teve lugar na Praça da Matriz. A partir deste momento, diversas frentes fragmentadas caminharam pelas ruas do Centro e da Cidade Baixa, e houve casos de ataques a lojas e carros, ainda que sem o arrombamento e o saque de mercadorias.

Para Freitas, a preocupação da Brigada Militar é de "diminuir os danos", mas considera "difícil evitar a totalidade das ações em situações como a de ontem". No início da semana, também em entrevista coletiva, o chefe da Polícia Civil, delegado Ranolfo Vieira Jr., afirmou que seria preciso evitar que "estas pessoas (que estão depredando lojas) participassem de novas manifestações". Perguntado sobre a efetividade do plano, o coronel Freitas afirmou que "a revista de pessoas foi intensificada na chegada à manifestação", o que teria influenciado na diminuição "dos danos ao patrimônio".

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Mais uma vez, manifestantes relataram ações violentas das forças policiais envolvidas na manifestação. As câmeras de televisão chegaram a mostrar a imagem de um ativista que, no Largo Zumbi dos Palmares, é agredido por um policial mesmo sem ter esboçado qualquer sinal de resistência. "Incomoda quando a ação isolada de um policial acaba maculando toda uma operação da equipe", defendeu Alceu Freitas Moreira. Com relação aos moradores da Cidade Baixa que se organizaram de forma autônoma para enfrentar possíveis casos de depredação, o coronel pediu que "que não aconteça desta maneira", e prometeu uma patrulha maior para a região.

Representante da Polícia Civil na ocasião, o delegado Vicente Vargas Nunes foi perguntado pelo Sul21 sobre a possibilidade das depredações serem o reflexo de problemas sociais que, nas últimas marchas, acabaram transparecendo. "Quanto à motivação das pessoas, isso fica para um segundo momento. Independente dos sentimentos, ressentimentos e ideologias. Para a Polícia Civil, cabe a responsabilização dos que cometeram delitos", respondeu.

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Questionado por outro repórter sobre a chance dos ataques partirem de grupos de extrema-direita infiltrados na manifestação, Vicente contestou que "a ideologia não importa". "Se são de extrema-direita ou de extrema-esquerda, o que nos interessa são os fatos. Na faculdade, aprendi que são chamados de criminosos", finalizou.

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