“Duvido que Patrus aceite ser candidato biônico”
Frase de Roberto Carvalho, dada ao 247, dá bem o tom do estado de ânimo no PT de Belo Horizonte. Indicado no último sábado como candidato do partido à prefeitura, Carvalho e seus apoiadores não aceitam uma intervenção nacional na cidade, nos moldes da feita em Recife, cidade em que o candidato petista (o senador Humberto Costa) saiu de SP, anunciado por Rui Falcão
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Minas 247 - Estado de alerta no PT de Belo Horizonte. A polêmica no partido em torno do candidato à Prefeitura de Belo Horizonte ainda não se encerrou. Parte dos petistas insiste em uma solução que passa pela intervenção da direção nacional, anulando a decisão da executiva municipal petista que optou pela candidatura do atual vice-prefeito, Roberto Carvalho. O grupo de Carvalho, por sua vez, não aceita a mudança nas regras. Em comum, ambas as partes têm apenas o temor de repetição do que ocorreu em Recife, onde o candidato a prefeito foi escolhido não pelos pernambucanos, mas por São Paulo: o nome do senador Humberto Costa foi anunciado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.
Uma frase de Roberto Carvalho, dada ao 247, dá bem o tom de como estão as coisas no partido: “Duvido que o Patrus Ananias aceitará ser candidato biônico em Belo Horizonte”, diz ele. Ao longo desta segunda-feira, o nome do ex-ministro e ex-prefeito da capital mineira foi repetido diversas vezes como nome de “consenso” para a disputa pelo PT, contra a reeleição do atual prefeito Marcio Lacerda (PSB), até há poucos dias apoiado pelos próprios petistas.
Esse “consenso”, porém, está muito distante de ser real. O grupo de Carvalho, somente ele, já é suficiente para dividir o PT na cidade - é, por exemplo, majoritário na executiva municipal. A avaliação da cúpula nacional petista é que uma ação direta em Minas poderia ser muito desgastante para o partido, sobretudo depois do que ocorreu em Recife.
Entre os maiores derrotados na briga dentro do PT está o presidente estadual da legenda em Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes. Durante a tarde, ele convocou uma entrevista à imprensa na qual afirmou categoricamente que o candidato seria anunciado na terça-feira pela direção nacional petista. Foi prontamente rebatido pelo deputado estadual e líder do PT na Assembleia, Rogério Correia. “Deve ficar claro que esta é a opinião do Reginaldo Lopes, não é a posição oficial do PT”, disse Rogério. Reginaldo engoliu seco e teve de concordar com o companheiro de partido. Depois, admitiu que a estratégia de apoio à candidatura de Lacerda, da qual foi um dos mais ardorosos defensores, foi equivocada.
Pouco adiantou, pois mesmo pessoas próximas ao presidente estadual petista passaram a critica-lo, ainda que não para as câmeras de TV e gravadores das rádios, imprensa e internet. “O Reginaldo fez tudo errado, só exaltou ainda mais os ânimos e a posição de confronto com o grupo do Roberto”, disse, por exemplo, uma petista que pertence ao diretório estadual.
Roberto Carvalho reconhece a possibilidade de diálogo, mas não aceita algo que passe por imposição da direção. “Nunca fui empecilho para o partido, mas a minha candidatura não é pessoal, fui aclamado pela convenção do PT em Belo Horizonte”, afirmou. Para ele, sua substituição por Patrus seria, “no mínimo, uma falta de respeito com os militantes”.
Precavido, ele já registrou sua candidatura a prefeito no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), juntamente com a coligação Frente BH Popular e o seu vice, o secretário-geral do PT na capital mineira, Geraldo Arcoverde. Na noite desta segunda-feira, o seu grupo reuniu-se na Assembleia Legislativa e passou já a montar comissões para iniciar a campanha.
Mesmo lideranças petistas que atuam em correntes contrárias ao vice-prefeito agora admitem que ele deve ser o grande vencedor da briga interna no partido. Ainda que ceda a candidatura a outro membro do PT - o que, em política, sabe-se que nunca pode ser descartado -, Roberto Carvalho, avaliam os petistas, teria mostrado acerto ao insistir no confronto com Lacerda. Hoje, o prefeito de BH é visto como “traidor” pelos petistas, por supostamente ter cedido aos interesses do senador Aécio Neves (PSDB) e inviabilizar o acordo com o PT na capital. “Isso ninguém vai poder tirar do Roberto: quando quase todos acabaram aderindo ao prefeito, até o Patrus, ele insistiu na oposição”, diz um petista da época da fundação do PT.
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