Dono da Andrade vai depor sobre propina para Aécio e Cunha

Apontado nas delações da Odebrecht como o representante da Andrade Gutierrez na negociação de propina das obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, Sérgio Andrade, dono da empreiteira, será ouvido por investigadores da Operação Lava Jato; segundo um dos delatores, ele tratou pessoalmente de pagamentos que seriam direcionados ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

aecio neves
aecio neves (Foto: Giuliana Miranda)


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Minas 247 - Citado em delação premiada da Odebrecht como representante da Andrade Gutierrez em negociação de propina relacionada às obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, o dono da construtora, Sérgio Andrade, será ouvido por investigadores da Operação Lava Jato. Segundo um dos delatores, ele tratou pessoalmente de pagamentos que seriam direcionados ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

As informações são de reportagem de Josette Goulart do Estado de S.Paulo.

"Principal acionista da empreiteira, Sérgio até agora está imune pelo acordo fechado pela empresa com o Ministério Público Federal (MPF). Após a delação da Odebrecht, porém, algumas empreiteiras – incluindo a Andrade Gutierrez – estão sendo chamadas para uma espécie de “recall” para explicar episódios que não foram contemplados nos primeiros depoimentos.

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Segundo pessoas próximas a Sérgio, ele se antecipou a uma convocação oficial dos procuradores, considerada inevitável, para explicar a questão de Santo Antônio, que não fez parte do acordo inicial da empreiteira. O executivo pediu espontaneamente para prestar esclarecimentos. Segundo essas fontes, Sérgio não tinha conhecimento de todo o assunto relacionado à Santo Antônio, mas conversou sobre possíveis pagamentos a políticos com Marcelo Odebrecht.

Em sua delação, Marcelo afirmou que fazia reuniões frequentes com Aécio em razão do papel da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que era sócia da usina, e que Sérgio participava desses encontros. Na época, Aécio era governador de Minas e a Andrade Gutierrez, acionista da Cemig.

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Pelas delações, no entanto, o envolvimento de Sérgio ia além das reuniões de negócios. O ex-presidente da Odebrecht Energia Henrique Valladares disse que comunicava pessoalmente Sérgio sobre os pagamentos a serem feitos pelo consórcio a políticos e que o executivo dava o seu aval. A Andrade e a Odebrecht eram sócias no consórcio construtor da usina na proporção de 40% e 60%, porcentual usado para dividir o valor a ser pago por cada uma. 

A delação de Valladares foi a base para um dos inquéritos que hoje tramitam no Supremo Tribunal Federal contra o senador. Nele, o MPF alega que o pagamento de vantagens indevidas ao senador e ao PSDB foi feito em conluio com a Andrade com o objetivo de obter ajuda nas usinas do Rio Madeira. “Nesse contexto, o colaborador Henrique Valladares esclarece que os valores pagos em cada prestação giravam em torno de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, sendo implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas, identificando-se o beneficiário pelo apelido ‘Mineirinho’” – codinome atribuído a Aécio. "

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