Diretor da TWB diz que Estado não cumpriu acordo
"Nós temos hoje mais de R$ 30 milhões em empenhos da TWB bloqueados, por conta desses investimentos que foram feitos como contra garantia. Não tem dinheiro do Estado no negócio, exceto no segundo ferry, que deveria ter sido construído no décimo ano, e foi antecipado o investimento", afirma Reinaldo Pinto
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Bahia 247
O diretor da TWB, empresa que administrou o sistema ferry boat Salvador-Itaparica por seis anos (até a última quinta-feira (20), Reinaldo Pinto, nega categoricamente todas as acusações feitas pelo governo do estado, através do vice-governador e secretário da Infraestrutura Otto Alencar (PSD).
Ao longo da semana, Otto denunciou o gestor da concessionária, entre outras coisas, por desvio de dinheiro dos cofres da empresa para sua conta pessoal, além de afirmar que a TWB não cumpriu o contrato com o Estado para manutenção e exploração da travessia marítima.
"Eles precisam compreender que a concessionária não é uma empresa pública. Se a TWB fosse uma empresa pública, caberia qualquer outro tipo de julgamento. Eles estão confundindo as coisas. Não sei se equivocadamente ou intencionalmente", disse Reinaldo Pinto em entrevista ao Bahia Notícias.
O diretor da TWB justificou que os depósitos de R$ 249 mil realizados em dinheiro vivo em sua conta pessoal se referem a uma compensação de um investimento feito por ele, em 21 de dezembro de 2011, no valor de R$ 1 milhão. A quantia seria fruto da venda da sua própria casa.
"Tirei o valor da minha conta pessoal para a conta da TWB, proveniente do meu único bem de família que tive, para atender a uma demanda colocada pelo próprio vice-governador Otto Alencar, que me demandava uma operação verão com pelo menos seis ferries. Eu entreguei sete, graças a esse aporte de capital", explicou.
Reinaldo Pinto negou também que haja a dívida de R$ 760 mil com pagamento de combustíveis e o contrato de aluguel de automóveis firmado com um empreendimento seu "a um custo de R$ 6 mil anuais, ou R$ 500 por mês" – ele colocou em xeque o documento que aponta R$ 8 mil por "não estar assinado" – foi feito corretamente, abaixo do preço praticado no mercado.
"Eu gostaria de saber quanto o Estado paga para locar os seus veículos. O Estado loca veículos". Isso não é ilegal, isso não é imoral, isso não é indevido. Isso foi feito há quatro anos. Foi feita uma Pessoa Jurídica, foi feito um contrato. Esse contrato foi submetido à aprovação da Agerba quatro anos atrás, não foi semana passada. A Agerba recebeu a parcela que lhe era devida tranquilamente. É algo que eu nunca escondi", desafiou.
O executivo ponderou a necessidade de intervenção do Estado (por vias judiciais) no ferry boat, tendo em vista que a própria TWB pediu a rescisão do contrato de 25 anos há dois meses na Justiça. "Estou insatisfeito com essa situação há muito tempo. O contrato com o governo do Estado foi desrespeitado em todos os seus aspectos. Isso sim é objeto de apuração".
Sobre a expectativa do vice-governador de que ele ganhe "pulseiras" em vez de dinheiro do Estado, Pinto argumenta que Otto Alencar "tenta criar factoides". "Eu não temo nenhuma dessas consequências. Eu tenho a minha consciência absolutamente tranquila com tudo o que fiz e em tudo o que faço".
Reinaldo Pinto afirmou que o fato de o serviço oferecido estar tão ruim é culpa do governo do estado. "O problema é o descumprimento total do contrato pelo próprio governo. O governo não cumpriu nenhuma das cláusulas contratuais no seu devido tempo. Quando cumpriu, cumpriu atrasado", reclamou, ao enumerar uma série de supostas inadimplências.
"No contrato está previsto que os investimentos realizados são bens reversíveis para o Estado. Mas os investimentos foram realizados pela TWB, através de financiamentos buscados junto ao Fundo de Marinha Mercante, oferecendo os seus bens em garantia. Nós temos hoje mais de R$ 30 milhões em empenhos da TWB bloqueados, por conta desses investimentos que foram feitos como contra garantia. Não tem dinheiro do Estado no negócio, exceto no segundo ferry, que deveria ter sido construído no décimo ano, e foi antecipado o investimento", relatou.
O vice-governador Otto Alencar reafirmou todas as acusações feitas até então contra Reinaldo Pinto e avisou: "vem mais coisa escabrosa por aí...".
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