Dinheiro protegido, em qualquer cenário
Demanda por títulos do Tesouro Direto atrelados à inflação bate recorde, mas ainda é preciso diversificar para se proteger das incertezas do longo prazo. Entenda rentabilidades
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Luciane Macedo _247 - O Tesouro Direto, que possibilita a compra de títulos públicos federais pela internet, fechou maio com demanda histórica recorde pelos pós-fixados atrelados à inflação. A NTN-B Principal correspondeu a 70,8% das vendas, maior volume desde a criação do programa, dez anos atrás. O título, que remunera pela variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e mais um componente prefixado dado pela taxa de juros, foi, também, o papel com melhor rentabilidade bruta no mês: 4,99% para papéis com vencimento em 2035. No ano, até 22 de junho, a rentabilidade deste título é de 21,33% e, nos últimos 12 meses, salta para 32,90%. Em tempos de expectativa de juros menores e rendimentos reais pouco atraentes nas aplicações de renda fixa, os números da NTN-B Principal saltam aos olhos como o sonho de consumo de qualquer investidor.
Mas é bom lembrar que os preços de todos os títulos do Tesouro Direto podem variar ao longo do tempo. Os títulos são marcados a mercado, e o extrato do investidor vai refletir estas variações: se os preços caem, o saldo do investidor também diminui, e vice-versa. Segurar o título até a data do vencimento garante a rentabilidade bruta pactuada no momento da compra, por isso é importante que o investidor respeite seu perfil, objetivos e prazos antes de ir às compras no Tesouro Direto. E quem sabe o que acontecerá daqui 20 anos ou mais? Não por acaso, as rentabilidades mais atraentes estão no longo prazo, pois o investidor aceita correr mais riscos sobre a incerteza de cenário.
"Investir em títulos do governo é sempre uma boa proteção em qualquer cenário", comenta o professor Elisson de Andrade, doutor em Economia Aplicada e palestrante em finanças pessoais. "Desde que você se proteja mesclando os títulos", salienta. "O duro é saber qual será o cenário no longo prazo. Então, quanto menor o prazo de um título, menor a incerteza e a volatilidade, e vive-versa".
Segundo o professor, "existe uma noção errônea de achar que investir nos títulos atrelados à inflação é menos arriscado". Em matéria de perfil de investimento, as NTN-B estão no meio do caminho entre o investidor mais e o menos conservador. Ao mesmo tempo em que proporciona rentabilidade real, o preço do título flutua em função da expectativa de inflação. A venda antecipada pode garantir uma rentabilidade menor, mas também maior do que o previamente estipulado na data da compra. Com os cortes na taxa básica de juros, quem comprou NTN-B com Selic a 12% um ano atrás teve um ganho de capital com as diferenças de precificação nos títulos. "Hoje você tem rentabilidades fantásticas em qualquer NTN-B, e muitos estão pensando em vender estes papéis antes do vencimento para aproveitar os ganhos", comenta Andrade.
Para quem prefere correr menos riscos em relação a incertezas futuras, os títulos pós-fixados e atrelados à Selic têm um perfil mais conservador e são os mais recomendados, indica Andrade. "Com as LFT, você compra e aceita a taxa de juros do mercado, é como se fosse uma poupança, você sempre garante o que o mercado está pagando", explica o professor. "Se a inflação subir e o governo aumentar a taxa de juros para segurar a inflação, você também está protegido".
Os títulos prefixados são os menos conservadores, visto que o rendimento é nominal e o investidor está sujeito a perda de poder aquisitivo em caso de alta da inflação. Por outro lado, se o cenário de inflação controlada e Selic baixa se confirmar, os prefixados de longo prazo tendem a garantir bons ganhos. Mas o investidor carrega o risco da incerteza, de não saber se o governo pode voltar a elevar a taxa básica de juros da economia.
Além de diversificar os títulos para diluir os riscos de mercado, é indicado que o investidor não concentre todos os seus investimentos em renda fixa no Tesouro Direto, apesar das rentabilidades mais atraentes, e mantenha uma pequena reserva na poupança, para não correr o risco de ter de vender seus títulos com eventuais perdas caso precise do dinheiro antes dos prazos de vencimento.
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