Dilma: “Temer quer manter pobres fora do Orçamento”
Presidente deposta Dilma Rousseff alertou nesta terça-feira, 12, para o aprofundamento das desigualdades no país, especialmente com a agenda neoliberal de Michel Temer; "Esse golpe tem o objetivo de reduzir a presença da população pobre no Orçamento. Tirar os pobres do Orçamento. E também retirou direitos trabalhistas", afirmou; sobre a reforma da Previdência, Dilma disse duvidar que ela passe no Congresso; "Duvido que os deputados irão aprovar um suicídio eleitoral como este", afirmou; ela também falou sobre a caçada judicial ao ex-presidente Lula, que terá seu recurso julgado pelo TRF4 no dia 24 de janeiro; "Trata-se de acabar com Lula. Por algo fantástico, absurdo"
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247 - A presidente deposta Dilma Rousseff concedeu entrevista ao jornal O Tempo, publicada nesta terça-feira, 12, em que alerta para o aprofundamento das desigualdades no país, com a implantação pelo governo Temer da agenda neoliberal, que privilegia os ricos em detrimento dos pobres.
"Acho que vivemos um golpe. Não um golpe em um ato. É um processo. Ele tem vários atos. O primeiro, o inaugural, é o impeachment sem crime de responsabilidade. O segundo ato fundamenta o golpe: o enquadramento do Brasil, no sentido social, econômico e geopolítico, ao modelo neoliberal. Esse golpe tem o objetivo de reduzir a presença da população pobre no Orçamento. Tirar os pobres do Orçamento. E também retirou direitos trabalhistas. Tivemos uma faculdade no Rio de Janeiro que demitiu todos os trabalhadores para depois recontratá-los no regime da nova lei trabalhista que permite o trabalho intermitente. Um absurdo", afirmou Dilma.
Ao falar sobre a proposta de reforma da Previdência, Dilma classificou como um suicídio politico para os deputados que votarem a favor da medida. "Duvido que os deputados irão aprovar um suicídio eleitoral como este. Aliás, até por isso, o governo golpista precisa do 3o tempo do golpe. Esse terceiro tempo é necessário para executar a reforma da previdência, a venda da Petrobras, da Eletrobras e promover outras reformas, que tiram direitos. Eles precisam de tempo", afirmou.
Dilma também falou sobre a caçada judicial e midiática a que está sendo vítima o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ela, Lula, que teve o julgamento do seu recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região marcado para o dia 24 de janeiro, é vítima do uso da lei com finalidade de liquidar adversários políticos.
"Trata-se de acabar com Lula. Por algo fantástico, absurdo. Julgam por corrupção passiva, mas para haver corrupção passiva, é necessário o ato, que geralmente chama-se de 'ato de ofício'; uma lei ou um decreto, um contrato, alguma ação assim. Algo que caracterize um benefício indevido para alguém. Necessita-se ainda da contrapartida indevida, de uma vantagem. No caso do Lula, não há esse ato de ofício. O próprio juiz Sergio Moro reconhece que ele não participou de um contrato que permita dizer que ele fez um ato de ofício", disse.
Dilma Rousseff também citou a proposta de semipresidencialismo, defendida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. "Esse seria o quarto passo do golpe. Parlamentarismo ou semipresidencialismo é simplesmente tentar tirar a possibilidade de eleições presidenciais nas quais se dão os maiores processos de transformação. É submeter o governo a um parlamento que sempre foi conservador. Muito mais conservador do que o Executivo. Sempre", afirmou.
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