Dilma defenderá novo modelo de desenvolvimento no Rio+20

Presidente foi a principal integrante do painel "Dilogos Entre Governos e Sociedade Civil", na noite de ontem, no Frum Social Temtico, em Porto Alegre

Dilma defenderá novo modelo de desenvolvimento no Rio+20
Dilma defenderá novo modelo de desenvolvimento no Rio+20 (Foto: Ramiro Furquim/Sul21)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Samir Oliveira _Sul 21 - Não era campanha eleitoral, mas as bandeiras de partidos políticos aliados ao Palácio do Planalto dominavam o interior do ginásio Gigantinho na noite desta quinta-feira (26), em Porto Alegre. O local recebeu milhares de participantes do Fórum Social Temático que desejavam ouvir a presidente Dilma Rousseff (PT), principal integrante do painel Diálogos entre governos e sociedade civil.

Num breve discurso, a presidente antecipou o que pretende pautar na conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento, a chamada Rio +20, que ocorrerá na cidade do Rio de Janeiro em junho deste ano. Dilma garantiu que utilizará a ocasião, quando estarão reunidos chefes de Estado do mundo inteiro, para defender um novo modelo de desenvolvimento.

“O que estará em discussão é um modelo capaz de contemplar crescimento e redução de emprego, participação social e ampliação dos direitos”, resumiu. A presidente explicou que desenvolvimento sustentável “significa crescimento acelerado da economia, criação de empregos formais, expansão e distribuição de renda”.

continua após o anúncio

Para ela, o país precisa “criar um amplo mercado de bens de consumo de massas para dar sustentação interna ao desenvolvimento”. Dilma observou, ainda, que deseja “transformar o Brasil cada vez mais num país de classe média”.

A presidente não poupou críticas aos países desenvolvidos em seu discurso. Sem utilizar uma única vez a expressão “neoliberalismo”, Dilma culpou as “receitas fracassadas” impostas na América Latina nos anos 1980 e 1990 pela crise. “Essas mesmas receitas estão agora sendo novamente postas em prática na Europa. Em grande parte do mundo desenvolvido busca-se enfrentar a crise com medidas fiscais regressivas, que têm consequencias sociais e ambientais nefastas”, condenou.

continua após o anúncio

Dilma lembrou que, atualmente, a América Latina vem construindo “respostas progressistas e democráticas aos desequilíbrios internacionais”. “Nossos países crescem enquanto outras partes do mundo vivem a estagnação. Nossos países reduzem a pobreza e a desigualdade social, enquanto em outras regiões direitos são perdidos. Nossos países não sacrificam a soberania frente a pressões de potências, grupos financeiros ou agências de classificação de risco”, orgulhou-se.

Para a presidente, o agravamento da crise financeira na Europa pode colocar em risco a própria democracia nos países do continente. “A dissonância entre a voz dos mercados e a voz das ruas parece aumentar cada vez mais nos países desenvolvidos, colocando em risco não apenas as conquistas sociais, mas a própria democracia”, alertou.

continua após o anúncio

Citando especificamente o Brasil, Dilma lembrou que, hoje em dia, o país não precisa mais de milagres econômicos para se inserir positivamente no contexto global. “O lugar que o Brasil ocupa hoje no mundo não é consequência de nenhum milagre econômico, como acontecia no passado. É resultado da escolha do povo brasileiro, que soube optar por um outro caminho”, considerou.

Diplomata boliviano critica “privatização da natureza”

continua após o anúncio

O ex-embaixador da Bolívia na ONU, Pablo Solón, discursou antes da presidente Dilma Rousseff no evento Diálogos entre governos e sociedade civil e, diferente da sucessora, tocou exclusivamente na questão ambiental. Diplomata do governo de Evo Morales, Solón criticou duramente a concepção capitalista do meio ambiente.

“O capitalismo nos leva a tratar a natureza como se fosse um objeto que pode ser mercantilizado sem nenhuma consequência”, criticou. O ex-embaixador disse esperar que, na conferência Rio +20, os chefes de Estado “reconheçam que a natureza tem suas próprias leis e que o homem, através da atividade econômica, as está violando”.

continua após o anúncio

Solón alerta que há um projeto global de “privatização da natureza”, referindo-se à tentativa de se abrir mercados na chamada “economia verde”. “Juntos, assim como derrotamos a Alca, venceremos os ataques daqueles que querem privatizar a natureza”, conclamou.

Presente, oposição cobrou veto ao Código Florestal

continua após o anúncio

Além das bandeiras dos partidos aliados ao governo federal – bem como de centrais sindicais mais próximas ao Palácio do Planalto -, o Gigantinho recebeu na noite desta quinta-feira (26) grupos políticos de oposição à presidente Dilma Rousseff (PT).

Posocionados numa ala das arquibancadas bastante próxima ao palco, militantes do PSOL e do PSTU portavam cartazes exigindo o veto da presidente ao novo Código Florestal e condenando a violenta desocupação da comunidade de Pinheirinho, promovida pelo governo paulista de Geraldo Alckmin (PSDB).

continua após o anúncio

Nos poucos momentos em que as caixas de som não ressoavam as vozes das autoridades, quando um relativo silêncio reinava no ambiente, o grupo começava a gritar: “Sou Pinheirinho! Não abro mão! Abaixo a repressão!”. Os manifestantes chegaram, inclusive, a vaiar falas da própria presidente Dilma, que pareceu não se incomodar com os protestos.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247