Dilma confronta base e enfrenta tempestade

Presidente resolveu bater de frente com os aliados no Congresso Nacional e, por mais que ela no tenha nada a dever aos parlamentares, o governo, que tem Lei Geral da Copa e Cdigo Florestal por aprovar,deve navegar por mares revoltos at resolver problemas

Dilma confronta base e enfrenta tempestade
Dilma confronta base e enfrenta tempestade (Foto: Divulgação)


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247 – A presidente Dilma Rousseff resolveu bater de frente com sua base aliada no Congresso Nacional e trocou, de uma vez, os líderes do governo no Senado e na Câmara. A medida provocou reações negativas imediatas. Romero Jucá (PMDB-RR) perdeu a condição de líder do governo que ocupava há 14 anos, mas recebeu a relatoria da Comissão do Orçamento, que vai analisar as contas de 2013. A retirada de Cândido Vaccarezza (PT-SP) da liderança na Câmara também causou incômodo e até motivou confusão.

Mais de 30 parlamentares do PT se reuniram na casa do deputado Vander Loubet (PT-MS) para um desagravo ao ex-líder, prometendo oposição a seu sucessor, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Além disso, segundo o relator do projeto da Lei Geral da Copa, Vicente Cândido (PT-SP), foi a troca na liderança que levou o governo a se enrolar em relação à proibição de bebidas alcoólicas na Copa do Mundo de 2014. Foi tudo muito mal explicado. A reunião para desfazer o mal-entendido envolveu os ministros do Esporte, Aldo Rebelo, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e Chinaglia, e ninguém escondeu o desconforto com o ocorrido.

As implicações da mudança na Câmara – cuja base aliada já vinha demonstrando desconforto entre os parlamentares do PMDB – são potencialmente desgastantes para o governo. Um exemplo: os deputados João Magalhães (PMDB/MG) e Carlos Magno (PP/RO) solicitaram, nesta quinta-feira, à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, que o Tribunal de Contas da União forneça informações sobre contratos firmados entre a Petrobras e a Schahin Engenharia.

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O pedido menciona um prejuízo de R$ 200 milhões para a Petrobras em contratos com a Schahin e inclui o abandonono de uma máquina dentro do gasoduto de Caraguatatuba entre suas causas. Abandono cuja responsabilidade foi atribuída à nova presidente (e então diretora) da Petrobras, Maria das Graças Foster, indicada de Dilma para assumir a estatal. A (até agora) eficiente blindagem ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, no Congresso também pode ser afetada pela rebelião.

Nesta quarta-feira, os aliados conseguiram barrar mais uma convocação para que o ministro fale sobre as denúncias de irregularidades na Casa da Moeda e a disputa no Banco do Brasil, mas a oposição continua tentando expor mantega, que precisa mais do que nunca da colaboração dos aliados no parlamento. A saída de sete senadores da base também pode permitir à oposição emplacar sua primeira CPI potencialmente desgastante para o governo Dilma (os opositores nunca passam de 23 votos e precisam de pelo menos 27 para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito).

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Votações

O governo ainda tem de aprovar o novo Código Florestal e a Lei Geral da Copa nas próximas semanas e pode ter problemas. Quase metade dos 86 deputados do PT prometem fazer corpo mole no trabalho de articulação na Câmara, em solidariedade a Vaccarezza, e os “dissidentes” avaliam como impossível o adiamento da votação do Código, que é o desejo de Dilma.

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A confusão sobre a venda de bebidas na Copa do Mundo foi outra demonstração de que o tema ainda deve dar dor de cabeça ao governo até ser aprovado em definitivo, principalmente levando em conta que o projeto ainda terá de passar pelo Senado, onde o governo perdeu sete aliados com a migração do PR para a oposição. Dilma pode até não ser pessoalmente atingida pela crise em sua base no Congresso, mas o governo pode encontrar dificuldades para andar até resolver seus problemas com deputados e senadores.

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