Devolva o dinheiro, Bordoni!
Jornalista transformou questões mal resolvidas de seu passado em busca de vingança a todo custo
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Aonde Luiz Carlos Bordoni quer chegar com sua acaguetagem aloprada? Parece que nem mesmo ele sabe. O comportamento do jornalista dedo-duro dá a impressão de que busca notoriedade, aqueles 15 minutos de fama a que, no futuro, segundo Andy Warhol, todos teremos direito.
No manifesto que leu no início de sua inquirição, Bordoni apelou à manjada retórica da defesa da honra para justificar uma atitude que, submetida ao escrutínio de qualquer sistema moral, não escapa à clasificação de baixa, de vil. A delação nunca foi, em parte alguma, virtude moral, ainda mais quando o fato delatado é mentiroso. Não há honra na delação.
Bordoni disse que se recusa ser pago com dinheiro sujo. Não devolveu o dinheiro recebido. Deveria, em nome da coerência. Parece que em seu bolso o que era sujo ficou limpo de repente. A incoerente motivação de Bordoni para trair uma amizade de mais 30 anos com Marconi Perillo, de quem sempre recebeu obséquios - todos no meio jornalístico sabem disso - revela o desequlíbrio de uma mente perturbada por noções conflitantes de honra e coragem.
Vi pela TV o depoimento do Senador Demóstenes Torres à Comissão de Ética do Senado. Perguntado se conhecia Bruna Bordoni, o senador respondeu afirmativamente, acrescentando tratar-se da filha de um jornalista goiano, Luiz carlos Bordoni. Ela fora nomeada para um cargo comissionado do Senado, mas não tomou posse por ter sido declarada inapta pelo serviço médico. Demóstenes respondeu não saber de depósito feito por empresa de Cachoeira na conta de Bruna. Uma referência marginal e irrelevante dentro do caso Cachoeira/Demóstenes. Daí se passou a outros assuntos.
O caso teria caído no mais absoluto esquecimento se não fosse a reação violenta de Bordoni. Ele se sentiu ofendido, atacado em sua honra pessoal. Ante o abalo emocional, compreensível, que a fortuíta relevação causou à filha, Bordoni se sentiu ferido em seus brios e partiu para o ataque. Chamou a imprensa nacional para afirmar que fora pago, por serviços prestados à campanha de Marconi, com dinheiro de Cachoeira. Atribuiu a Marconi a culpa por algo que acontteceu no Senado à revelia do governador goiano.
A partir daí, Bordoni passou a se comportar como astro do show-bizz, afetando indigação moral, bravateando virtudes, lançando desafios a tudo e a todos, arrotando valentia, sempre destituído de lucidez.
Vi o depoimento de Bordoni à CPI do Cachoeira. Faço aqui um resumo dos fatos, basicamente o mesmo que foi publicado pelos principais jornais. Noto que ninguém deu a Bordoni a repercussão que ele talvez quisesse.
Na primeira pergunta do relator da CPI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), o jornalista Luiz Carlos Bordoni se contradisse com relação ao que havia afirmado momentos antes. Num primeiro momento, ele afirmou que não havia recebido dinheiro da campanha de Marconi Perillo em 2010, por meio da empresa Art Mídia, como sustenta o governador. A campanha de Perillo registrou no TSE o pagamento de R$ 33 mil para essa empresa e alega que foi esse o valor repassado pelos serviços de Bordoni.
Bordoni chegou a afirmar que "engoliria" a nota fiscal da Art Mídia se o nome dele constasse no documento. Típica bravata bordoninana. Depois, ao ser questionado pelo relator da CPI, afirmou que recebeu R$ 30 mil da campanha por meio da Art Mídia. O relator não questionou a contradição. O relator está disposto a acreditar cegamente em qualquer disparate que o jornalista disser, desde que incrimine Marconi.
Bordoni afirmou que não apresentou notas fiscais do trabalho prestado à campanha de Perillo. "Não há contrato de prestação de serviço quando você é amigo", justificou. Negócio feito em confiança. Confiança que ele não se pejou de trair miseravelmente. Afirmou que recebeu R$ 40 mil das mãos do governador. O dinheiro, na sua versão, estava dentro de um frigobar e foi colocado num envelope amarelo pelo tucano.
O senador paranense Alvaro Dias perguntou a Bordoni se ele tinha provas do que afirmava. Ele, em vez de provas, tentou empurrar justificativas. À uma pergunta objetiva, direta, Bordoni respondia com embromação, até admitir que, de fato, não tinha como provar o que estava alegando. A história do dinheiro guardado em frigobar é palavra de Bordoni contra palavra de Marconi.
Bordoni fala e age como se sua palavra tivesse fé púbica e devesse ser acolhida como lídima expressão da verdade, dispensando qualquer comprovação. Poderia dizer: "A verdade sou eu". O relator da CPI, petista e adversário de Marconi, aceita sem reservas as aleivosias do jornalista. Politicamente, é conveniente conceder crédito ilimitado à palavra dele, não importa que a motivação seja somente prejudicar o governador goiano.
Dois pesos e duas medidas. Bordoni comentou em seu blog a acusação de de ter acachado Carlos Cachoeira. O ex-vereador Wladimir Garcez afirmou que Bordoni queria 200 mil reais para não contar que Cachoeira tinha relações com Demóstenes. Mais uma vez, palavra de um contra palavra de outro. Bordoni exige provas e mais provas. Seu critério é esse: O que ele fala de Marconi deve ser aceito sem restrições. Sua palavra é a prova. O que falam dele, Bordoni, deve ser cabalmente provado. Se temos que aceitar a palavra de Bordoni, por que não podemos aceitar a de Wladimir? A prudência recomenda que não se aceite nem a de um nem a de outro. Mas o tolo pode acreditar no que for mais conveniente à sua tolice.
O mais bizarro nisso tudo é que, na ânsia de convencer o auditório, Bordoni chega a alegar sua própria torpeza. Ele admitiu à CPI que não declarou ao Fisco os R$ 40 mil que diz ter recebido em dinheiro do governador. Perguntado pelo senador Pedro Taques (PDT-MT) se havia declarado o valor, disse primeiro: "sim senhor". Depois, recuou: "Não declarei". Admitiu que usa a conta bancária de sua filha para fraudar credores.
O vedetismo dele foi ainda mais longe. Em certos momentos, tratou os parlamentares como um bando de meninos idiotas. Estabeleceu diretrizes para a CPI. Orientou os congressistas sobre como se comportar. Ele quer pautar a Comissão. Sugeriu, do alto de sua empáfia, que se investigue o irmão do governador, Antonio Perillo, e "siga os passos" de uma consultora financeira de "graúdos e famosos" citada em conversas de Cachoeira. Entre os clientes da consultora, disse, estariam Lady Gaga.
Em dado momento, simplesmente perdeu a compostura. Quando Álvaro Dias o interpelou sobre um texto em que Bordoni dizia ter sido "abduzido" por disco voador, o jornalista partiu para o deboche e revidou com ofensas pessoais ao senador tucano. Tratava-se de um texto literário, pois Bordoni tem veleidades literárias. Bastava esclarecer isso. Seu destempero foi tão sem propósito que acabou repreendido pelo presidente dos trabalhos. Percebendo a mancada,
afetou humildade ao se desculpar com o senador.
A arrogância do jornalista irritou os congressistas: "Alguns dos senhores não estão preocupados em esclarecer coisa alguma", afirmou. É, parece que a CPI existe para executar a vontade pessoal de Bordoni. A CPI existe para advogar a causa de Bordoni. Logo após proferir a frase, alguns parlamentares deram murros na mesa em protesto. "É um vagabundo", gritou o deputado Rubens Bueno (PPS-PR). "Vagabundo", emendou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Se um homem como Aloysio chega a este ponto, é porque Bordoni transpôs os limites do aceitável. Aloyso, um homem que se fez na luta destemida à ditadura militar, é um modelo de gentileza e ponderação.
Ao lado de Bordoni, o vice-presidente da CPI, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), cochichou no ouvido do depoente. "Se comporte". O presidente da Comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) interveio. "Entendo as emoções de vocês. Espero que o senhor tenha mais respeito com essa comissão", afirmou.
Nos meios jornalísticos goianos, a atitude de Bordoni causou estupefação. Muitos ficaram perplexos. Tenta-se entender a abjeta conduta de um jornalista de quem sempre se esperou exageros de imaginação, incontinência verbal e agressividade incontrolável; nunca, porém, a traição, a delação.
Bordoni transformou suas mal resolvidas pendências com o marconismo em questão pessoal. Age movido por ressentimento e evidente desejo de vingança. Diante de um tribunal de verdade, não seria jamais admitido como testemhunha, quando muito como informante. Ao proclamar-se inimigo de Marconi, ou "ex-amigo", imprimiu em si mesmo a marca da suspeição, e esta marca vicia irremediavelmente o depoimento dele. Depois de tudo isso, só lhe resta procurar uma figueira.
Bem!, estamos diante de uma guerra sem quartel. A CPI do Cachoeira não é séria. É policialesca e politiqueira. Tem dois objetivos: desviar as atenções sobre o julgamento do mensalão e degradar Marconi Perillo. Isso tem sido repetido todos os dias e jamais os líders da CPI o desmentiu. Se a CPI fosse um tribunal, nela não teria assento a deputada Íris Araújo, uma inimiga capital de governador goiano, fato público e notório em Goiás. Fosse um tribunal, seu presidente já teria sido impedido e afastado por explícita parcialidade, pois está todo dia a proferir prejulgamentos, a atecipar veredito.
Mas, como as coisas são o que são, não o que queremos, só nos resta tentar dormir com um barulho desse!
Helvécio Cardoso é bacharel em Direito e jornalista
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