Descaso na Saúde
A gestão do governador de São Paulo recebeu na última semana uma séria acusação: de acordo com o Ministério Público Estadual, o governo paulista está atendendo dependentes químicos em hospital psiquiátrico
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
A gestão do governador de São Paulo Geraldo Alckmin, já bastante maculada pelo agravamento da violência no Estado, fruto de inoperância e da falência das políticas de Segurança Pública sob seu comando, recebeu na última semana uma séria acusação. De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), o governo paulista está atendendo dependentes químicos da chamada cracolândia no hospital psiquiátrico Philippe Pinel, em prejuízo ao tratamento de pacientes com transtornos mentais.
Apesar de a Secretaria de Saúde ter afirmado a existência de 700 vagas para acolher dependentes químicos, após o lançamento do programa estadual de internação compulsória, no início do ano, tudo indica que essa não era a realidade. De acordo com os promotores, as vagas foram criadas de forma artificial, abrindo-se espaços não disponíveis em centros de saúde como o hospital Pinel.
Segundo as apurações do MPE, no início, os internos e os dependentes químicos dividiram o mesmo espaço, deflagrando episódios de agressão entre os dois grupos de pacientes e contra os profissionais. Depois de algumas semanas, os pacientes com transtornos mentais receberam alta ou foram transferidos para prontos socorros não especializados, liberando as vagas do Pinel para o atendimento de usuários de crack.
Não parece nada razoável, mas o governo estadual deixou de atender pacientes com transtornos mentais em local especializado, inclusive considerado referência, para atender neste mesmo local pacientes com necessidades diferentes, para as quais o hospital e seu pessoal não estão habilitados. Conforme denunciado por funcionários do Pinel, a equipe do hospital não recebeu qualquer qualificação para o tipo de atendimento demandado pelos novos pacientes.
A falta de infraestrutura é total e, segundo as denúncias dos funcionários, a situação está fora de controle: consumo de drogas, furtos e pacientes com comorbidades (uso de drogas associado a outras doenças como HIV) sem tratamento adequado são alguns dos principais problemas verificados. Os dependentes químicos não estão recebendo tratamento minimamente humanizado, muito menos individualizado. Ao contrário, são levados para o local para uma permanência de 30 dias e, logo depois, retornam às ruas nas mesmas condições em que chegaram.
O governador, para variar, saiu pela tangente. Em nota emitida nesta semana, a Secretaria de Saúde afirmou ser "lamentável que a Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos e Saúde Pública faça acusações tão graves contra uma entidade de referência e excelência como é o centro Philippe Pinel e volte-se contra um projeto que visa salvar a vida de dependentes de crack".
Será que estamos falando do mesmo projeto? A situação relatada não se relaciona a uma política pública séria, comprometida em salvar vidas de dependentes de crack. Pelo contrário, trata-se de um atendimento que, além de inadequado e ineficaz, se concretiza prejudicando pacientes com outras patologias e que, agora, assim como os usuários de drogas, encontram-se desamparados.
Como bem resumiu o promotor da área de Direitos Humanos, Arthur Pinto Filho, o governo estadual derrubou aquilo que funcionava para criar aquilo que não funciona. E assim, entre inações e ações desastradas, o governo tucano perpetua seu descaso para com as necessidades da população, especialmente dessa parcela mais vulnerável. Definitivamente, a falta de planejamento e a péssima gestão na Segurança, na Saúde e na Educação estão cobrando um preço muito alto dos cidadãos de São Paulo.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247