Descaso com operários na reforma do Mineirão

Falta de banheiros, alimentação ruim e alojamentos inadequados são alguns dos problemas enfrentados por quem trabalha no projeto de modernização do maior estádio de Minas. Relatos dos operários contradiz Secopa, que afirma que tudo é fiscalizado

Descaso com operários na reforma do Mineirão
Descaso com operários na reforma do Mineirão (Foto: Divulgação)


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Minas 247 – Vindos de várias partes do país, os operários que trabalham na reforma do Mineirão foram seduzidos pela oportunidade de garantia de emprego durante os meses em que o estádio é reconstruído. O que não esperavam era encontrar um ambiente de trabalho com condições, no mínimo, desrespeitosas.

Relatos dos trabalhadores indicam condições precárias de higiene, alimentação de má qualidade e alojamentos inadequados. Há cerca de um ano, os operários fizeram uma paralisação exigindo aumento de salário e melhorias nas condições de trabalho. Em setembro do ano passado, nova paralisação, pelo mesmo motivo. Pelo visto, pouco ou nada foi feito e, para piorar, as empreiteiras responsáveis pela obra pressionam os trabalhadores para entregar a obra no prazo estipulado pelas autoridades.

A obra é tocada por um consócio de empresas chamado Minas Arena, sob os olhares da Secretaria de Estado Extraordinária para a Copa do Mundo (Secopa). A Secretaria diz que o consórcio trabalha dentro das normas do Ministério do Trabalho e que até o momento não recebeu nenhuma notificação da Vigilância Sanitária.

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Confira a matéria do jornalista Bruno Freitas, do site Superesportes

Com 65% da obra executados e apontado como um dos estádios mais adiantados para a Copa das Confederações’2013 e Copa’2014, o Mineirão é alvo de polêmica envolvendo os operários do canteiro das obras da modernização do estádio. Trabalhadores a serviço de duas empreiteiras contratadas pelo consórcio Minas Arena – empresa responsável pela modernização e futura operação do Gigante da Pampulha – denunciam que condições mínimas de alimentação, trabalho e alojamento não têm sido respeitadas e, apesar das dificuldades, patrões ainda estariam exigindo metas de produção a fim de entregar o estádio a tempo da data anunciada pelo governo mineiro.

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Percorrendo alojamentos das empresas Construcap CCPS Engenharia e Comércio S.A. e Temon Técnica de Montagens e Construções Ltda. na Região Norte de Belo Horizonte, o EM se deparou com trabalhadores insatisfeitos ou desiludidos, vindos de outros estados do Brasil com a promessa de uma oportunidade de trabalho.

Em frente ao alojamento da Rua Maria Amélia Maia, 1.191 A, no Bairro Guarani, encontramos o primeiro deles. Tímido, o carpinteiro Claudemir (nome fictício), contratado pela Construcap, revela um grave incidente que afetou dezenas de colegas. Vindo do Piauí há pouco mais de dois meses, ele relata que passou mal dias atrás com a refeição servida no refeitório do Mineirão. “A gente costumava jantar no canteiro de obras, mas depois que isso ocorreu a empreiteira trouxe o self-service para cá. A comida varia conforme o dia. Geralmente é arroz, feijão e dois tipos de carne. Depois da transferência de refeitório, ficou bem melhor que antes. O marmitex era ruim”, reclama ele, que, ao perceber a chegada de uma Kombi transportando outros operários e um motorista da empreiteira, prefere encerrar a conversa com medo de perder o emprego.

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A reação de Claudemir foi contrária à encontrada na esquina das ruas Quênia e Luanda, no Bairro Canaã. No endereço de três alojamentos da Temon, encontramos Cláudio. Dizendo ter sido cabeça de um movimento que questionou os problemas, o eletricista primeiro reclama da comida servida: “A gente só comia carne de porco”. À medida que outros operários se reuniam em roda para saber o assunto da conversa, o trabalhador enumerava outras situações que estariam afetando os colegas. “A empresa não nos oferece plano de saúde, folgas, reembolso de viagens à terra natal, demoraram mais de duas semanas para nos fichar, além de exigir metas de produção”, relata, apontando para o colega Nício.

Atropelado por uma moto quando foi fazer os exames admissionais no Centro de BH, Nício fraturou um dos ossos do pé direito. Ainda assim, alega não ter recebido atendimento médico da empresa. “Vieram aqui ver o meu estado, mas não fizeram nada. Fiquei uns 20 dias engessado”, desabafa.

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PAPÉIS EM BRANCOS Com um discurso ainda mais indignado, Juvenal, jovem de 20 e poucos anos, aparece. Ele ressalta que a empreiteira reteve as cópias de contrato de trabalho e atestado de saúde ocupacional (Asu) dos colegas, todos oriundos de Paulo Afonso, na Bahia. “Quando entregamos a documentação, assinamos um papel que não sabemos o que é. Na verdade a Temon orientou a empresa onde fizemos os exames médicos a não preencher nada”, acusa.

Juvenal aponta outras reclamações sobre a qualidade das refeições. “No café, recebemos um pão cada e mesmo assim faltava. No almoço e na janta sempre serviam carne de porco. E mesmo assim teve dia que não chegava almoço para parte da turma da noite. Tem dias que até falta café e almoço.” E aponta a existência de superlotação do alojamento. Segundo ele, uma pequena maquiagem foi feita na casa de três andares que serve de alojamento, embora a higiene continue sendo mais um agravante. “Abriram outros dois banheiros além do existente, mas mesmo assim tem muita gente, pouca higiene, e os quartos continuam superlotados”, assegura.

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Dizendo estar surpresa com a gravidade das denúncias, a Temon informou prezar pela correção no trato dos assuntos trabalhistas. Segundo a empreiteira – que afirma ter mais de 3 mil funcionários, dos quais 280 em atividade na obra do Mineirão –, um procedimento interno será iniciado para averiguar as reclamações. “Além disso, entrevistaremos todos os funcionários da obra para identificar possíveis falhas. É oportuno ressaltar que nossa empresa sofre fiscalização mensal da Delegacia Regional do Trabalho da região, bem como de seu cliente (Consórcio Minas Arena), mantendo-se absolutamente dentro das normais legais”, acrescentou a Temon. Já a Construcap disse, pela assessoria de imprensa, que se pronunciaria somente por meio do consórcio, juntamente com a Secretaria de Estado Extraordinária da Copa (Secopa).

A Secopa, por sua vez, respondeu pelo Minas Arena. A secretaria disse que a Vigilância Sanitária vistoriou o refeitório e a cozinha da obra do estádio recentemente. “A Minas Arena afirma não ter recebido qualquer notificação e que o consórcio segue as normas do Ministério do Trabalho. O consórcio também informa que passa por auditorias frequentes em seus processos e possui certificações de qualidade. É exigido das subcontratadas o cumprimento e atendimento ao mesmo padrão de qualidade no serviço prestado”, diz a secretaria em nota. Questionado sobre possíveis notificações à obra desde segunda-feira, o Ministério do Trabalho afirmou que só se pronunciará sobre o caso hoje.

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