Depois da reforma, Savassi tem onda de assaltos

Obras consumiram mais de um ano e R$ 12 milhões, além do fechamento de alguns pontos do comércio da região. Mas os lojistas agora têm outra preocupação: em apenas dois quarteirões, 10 lojas foram arrombadas em menos de dois meses

Depois da reforma, Savassi tem onda de assaltos
Depois da reforma, Savassi tem onda de assaltos (Foto: Divulgação)


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Minas 247 - A região da Savassi, em Belo Horizonte, ficou muito mais bonita depois da reforma que consumiu mais de um ano, levou ao fechamento de alguns pontos do comércio e quase R$ 12 milhões. Essa é a boa notícia.

A má é que a Savassi, que voltou à moda na capital, está atraindo os ladrões. Uma série de arrombamentos em lojas e salas comerciais está levando os comerciantes a apelar para a contratação de segurança privada. Segundo o jornal Estado de Minas, em apenas dois quarteirões, 10 lojas foram atacadas em menos de dois meses.

Leia abaixo a reportagem de Pedro Ferreira publicada pelo Estado de Minas:

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Uma febre de arrombamentos se alastra pela recém-revitalizada Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, onde depois de mais de um ano de obras, que consumiram R$ 11,8 milhões, falta investimento em reforço na segurança do comércio e do patrimônio público. Como resultado da onda de crimes, admitida pela própria Polícia Militar, comerciantes já articulam a contratação de seguranças para trabalhar de madrugada, quando, denunciam, falta policiamento e os ladrões “fazem a festa”.

Prova disso é que em apenas dois quarteirões da Rua Fernandes Tourinho, entre as avenidas Getúlio Vargas e Cristóvão Colombo, 10 lojas foram atacadas em menos de dois meses, conforme levantamento do Estado de Minas. Cinco casos ocorreram após a reinauguração da praça, no dia 10, após mais de 12 meses de obras, durante as quais os crimes contra o patrimônio aumentaram 30%, segundo os lojistas.

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O diretor do conselho da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da Savassi, Alessandro Runcini, não concorda com a contratação de vigilância particular e diz que quem deve cuidar da segurança é a Polícia Militar e a Guarda Municipal. “Semana passada enviei ofício à PM e à guarda, justamente para melhorar o serviço de prevenção e segurança na Savassi. Inclusive, falamos em colocar equipamentos de vigilância na praça e ruas adjacentes, pois há câmeras do Olho Vivo, mas não em todos os lugares”, disse.

Comandante da 4ª Companhia do 1º Batalhão da PM, o major Carlos Alves, responsável pela Savassi, argumenta que no primeiro trimestre do ano houve redução de 40% nos crimes contra o patrimônio na região, em comparação ao mesmo período do ano passado, mas reconhece a recente onda de arrombamentos. “A partir de amanhã (hoje) vamos destinar uma viatura do programa Polícia e Família, das 20h às 6h da manhã, para patrulhar exclusivamente a Savassi. Temos que migrar nosso policiamento para dar uma resposta”, disse o major, que também vai pedir apoio ao serviço de inteligência do 1º BPM para identificar suspeitos.

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Os arrombamentos, segundo o militar, são cometidos por moradores de rua e menores que vivem na região, todos viciados em crack ou álcool. O comandante da 4ª Companhia também é contra contratação de vigilância privada como resposta para o problema. “O tiro pode sair pela culatra. Há casos de seguranças dando dicas de assaltos mais elaborados. Temos que trabalhar com os programas oficiais e fortalecer os laços com a PM”, defende o militar, citando a Rede de Comerciantes Protegidos como exemplo.

A presidente da Associação dos Lojistas da Savassi (Alsa), Maria Auxiliadora Teixeira de Souza, moradora da região, em que também tem loja há 22 anos, conta que nunca viu a área tão bem policiada durante o dia, mas, à noite, segundo ela, ruas e avenidas ficaram entregues a ladrões e moradores de rua. “É a primeira vez que vejo 15 homens da PM fazendo o policiamento diário, mas o problema é depois das 20h, quando eles desaparecem. Nunca tivemos tanto arrombamento”, reclama.

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Em 24 horas, duas lojas dos sócios Alencar Perdigão e Cláudia Masini foram arrombadas na Savassi. Na madrugada de domingo, ladrões levaram computadores, uma caixa com dinheiro e bebidas da Livraria Quixote, na Fernandes Tourinho. Na madrugada dessa segunda-feira, o ponto onde funciona o estoque da loja virtual também foi atacado, na Rua Alagoas, onde foram roubados computadores.

A Quixote já foi arrombada três vezes em dois anos, segundo Alencar Perdigão. “Sempre que chego para trabalhar na segunda-feira tenho notícia de lojas arrombadas. A Rua Fernandes Tourinho é pouco movimentada e muito escura à noite. Vira uma cracolândia depois das 19h e não tem policiamento. Às vezes, a gente sai da loja depois das 20h e os viciados ficam usando crack agachados entre os carros. Pessoas de classe média também chegam de carro para comprar drogas com eles”, disse Alencar.

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Cláudia lembra que na Semana Santa os ladrões entraram em duas noites seguidas na livraria. “Entraram na Sexta-feira da Paixão pelo telhado e voltaram no sábado”, disse a sócia. “Isso dá para medir o grau de insegurança na Savassi. Não adianta gastar mais de R$ 10 milhões para fazer fontes luminosas se não investem na segurança”, completa Alencar.

Da loja Black Boots, também na Fernandes Tourinho, os ladrões levaram R$ 15 mil em importados no fim de março. “A insegurança aumentou  depois da reforma da praça. A polícia se esqueceu completamente da gente à noite”, disse o vendedor Júlio César Vieira, de 26.

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Luanda Brandão Bastos é gerente da Ronaldo Fraga e conta que os ladrões entraram em 27 de abril e retornaram em 17 de maio. Há duas semanas, a loja Cellsoft Celular, na Fernandes Tourinho, também teve prejuízo. “Arrancaram a grade de proteção do segundo andar e entraram pela janela”, conta a vendedora Tatiane Trindade, de 30.

Kelly Viana, de 33, é dona da loja Ravik, na Antônio de Albuquerque, e levou um susto na terça-feira da semana passada, quando chegou para trabalhar e encontrou uma porta de vidro destruída. “Levaram computador e pilhas de roupas, um prejuízo de R$ 4 mil”, afirmou. Na madrugada seguinte, tentaram arrombar a loja ao lado. “Estamos conversando com vizinhos para contratar segurança particular que trabalhe à noite”, disse a gerente, Lucy Hallak.

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Alessandro Runcini recomenda que os comerciantes participem das reuniões mensais da CDL, com a PM, Guarda Municipal e Regional Centro-Sul da prefeitura, e que registrem boletim de ocorrência relativos a furtos e assaltos. “A PM apresentou estatística dizendo que os crimes caíram 40% no início do ano. Evidentemente, ela se baseia nos boletins de ocorrência registrados. Estou surpreso com tantas ocorrências recentes”, disse.

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