De cidade jardim a cidade do asfalto

Antes conhecida pelo seu belo e verde horizonte, a capital mineira foi ganhando uma nova cara e, hoje, é sinônimo exagerado dos problemas das grandes metrópoles. Estudo da prefeitura confirma a mudança e alerta para a impermeabilização do solo, que agrava os problemas com enchentes nas avenidas

De cidade jardim a cidade do asfalto
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Minas 247 - O belo-horizontino já percebeu há algum tempo, mas um estudo da prefeitura agora confirma: a capital mineira perdeu já o status de cidade arborizada, cidade jardim, cidade com qualidade de vida maior do que o de outras cidades de porte parecido; hoje, ao contrário, o crescimento desenfreado e as políticas implantadas na capital dão a BH o posto de cidade do asfalto.

Pior: com a impermeabilização do solo, decorrente desse “asfaltamento” de quase toda a área da cidade, o problema com as enchentes ficou maior.

Leia abaixo trecho da reportagem de Flávia Ayer, do jornal Estado de Minas (clique aqui para ler mais):

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Apesar de ter se tornado conhecida como Cidade Jardim, Belo Horizonte chegou a um nível de impermeabilização do solo que mais valeria o título de capital do concreto e asfalto. Estudo inédito da prefeitura confirma o retrato de uma cidade onde as áreas verdes perdem espaço, substituídas por superfícies em que a água, incapaz de se infiltrar e voltar ao lençol freático, corre violentamente em direção aos córregos e ribeirões, inundando e destruindo o que encontra pela frente. O levantamento, da Secretaria Municipal Adjunta de Planejamento Urbano, aponta que mais da metade (59%) do território da capital tem taxa de impermeabilidade superior a 51%, sendo que, em quase um quinto da área (18%), esse índice supera os 71%. Essa vastidão árida domina uma metrópole em que reservas ecológicas protegidas se resumem a 3,9% da extensão do município – são 13 milhões de metros quadrados verdes em um total de 330 milhões de metros quadrados. Como agravante, há ainda o fato de que a superfície agora revestida coincide com terrenos que favoreciam a infiltração e a recarga dos aquíferos, comprometendo a renovação dos recursos hídricos.

Considerada preocupante pela própria administração pública, a situação, além de interferir no equilíbrio climático, aponta, segundo especialistas, a origem de um dos principais problemas que desafiam Belo Horizonte: as inundações. Não por acaso, as áreas críticas abrangem lugares onde ruas e avenidas já se transformaram em um mar de água, lama e sujeira. A mancha vermelha indicando estado máximo de atenção envolve, por exemplo, as avenidas Cristiano Machado, que corta a Região Nordeste e Norte – refém da força do Ribeirão do Onça –, e a Tereza Cristina, na Região Oeste. Depois de ser tomada pelo Ribeirão Arrudas, a via teve registro de três mortes no réveillon 2008/2009, e volta e meia é invadida pelas águas.

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As taxas de impermeabilidade mais baixas, de até 30%, correspondem a pouco mais que um quinto (22%) de BH. Embora a prefeitura ainda não tenha estabelecido a relação direta entre o avanço da impermeabilidade do solo e as inundações, Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão, da UFMG, voltado para a preservação da Bacia do Rio das Velhas, reforça a relação entre esses dois fatores e a necessidade de soluções para o problema. “Quanto maior a área impermeável, maior é o escoamento de água e a sua velocidade. Como ela não consegue penetrar no solo, acaba escoando em grande quantidade. É preciso pensar em formas para que essa água ‘excedente’ seja captada e absorvida”, adverte.

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