Crise de mobilidade

A crise de mobilidade em São Paulo custa por ano mais de R$ 40 bilhões para o País, valor equivalente a 1% do PIB brasileiro e 7,5% do PIB paulistano



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Em apenas dez anos, entre 2002 e 2012, uma frota adicional de 1,6 milhão de carros passou a circular na cidade de São Paulo. Isso equivale a uma média de 13 mil automóveis a mais todo mês nas ruas do município. Considerando o total de veículos (inclui ônibus, caminhões, motocicletas e outros), o acréscimo na frota em circulação no território paulistano, no mesmo período, ultrapassou 2,6 milhões de unidades, equivalente a um incremento de 22 mil por mês.

Os investimentos na infraestrutura viária e no transporte coletivo de alta capacidade foram insuficientes para atender a expressiva demanda por locomoção na cidade de São Paulo nos últimos anos. Esse descompasso tornou inevitável a crise de mobilidade no município.

Periodicamente analiso a situação do trânsito paulistano por conta do impacto econômico desse componente do "custo São Paulo". Seguramente, dado o peso da economia paulistana no PIB nacional, esse fator assume importância crescente em termos de comprometimento da competitividade brasileira.

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No relatório divulgado este mês (apresentei um primeiro estudo em 2009) mostro que o caos no trânsito da principal economia do País atinge valores espantosos. A lentidão de circulação implica em perdas bilionárias de dois tipos: o tempo ocioso das pessoas no trânsito e os gastos pecuniários impostos à sociedade.

O primeiro tipo é um conceito chamado de "custo de oportunidade". Considerando apenas os períodos críticos dos congestionamentos pela manhã e tarde/noite e o custo da hora de trabalho esse valor foi de R$ 30,2 bilhões em 2012. Em 2002 essa perda foi estimada em R$ 10,3 bilhões.

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O segundo tipo refere-se aos gastos monetários derivados da reduzida velocidade de circulação dos veículos comparativamente a uma hipótese de velocidade considerada ideal. Contempla desembolsos referentes ao consumo adicional de combustível pelos carros e ônibus, o impacto dos poluentes na saúde da população e o aumento no custo do transporte de carga. As perdas somadas nesses itens somaram R$ 10 bilhões em 2012. Em 2002 foram quase R$ 7 bilhões.

A crise de mobilidade em São Paulo custa por ano mais de R$ 40 bilhões para o País, valor equivalente a 1% do PIB brasileiro e 7,5% do PIB paulistano.

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As perdas causadas pelo caótico trânsito de São Paulo demandam ações de parcerias envolvendo os três níveis governo e a iniciativa privada. É preciso estabelecer um mix de ações de curto médio, e longo prazos que alivie gradativamente os bilhões que vão para o ralo todos os anos.

Algumas ações passam pela aceleração da expansão e modernização da rede de transporte sobre trilhos (metrô e trens), investimento em terminais de transbordo para ônibus e a substituição da tributação sobre o preço dos automóveis pelo ônus maior sobre seu uso.

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No âmbito viário, é necessário investir na revascularização do trânsito através de pequenas intervenções que criem vias alternativas de circulação em áreas críticas de congestionamento.

Reduzir esse desperdício é um desafio aos gestores públicos. Essa ação terá efeito benéfico para a economia do País.

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