CPI: relator pode receber veto até de aliados

Mesmo depois de excluir do texto pedidos de investigação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e jornalistas, como Policarpo Júnior, deputado Odair Cunha (PT) pode ver relatório rejeitado na íntegra; reclamação é de "politização" do documento; deputado Luiz Pittman (PMDB), da base do governo, e senador Pedro Taques (PDT), da chamada bancada dos independentes, fazem duras críticas ao trabalho

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247 – A votação do relatório final sobre a CPI do Cachoeira, marcada para quarta-feira da próxima semana, pode acabar num veto total do texto, até mesmo por parte da base aliada do governo. Responsável pelo trabalho, o deputado Odair Cunha (PT-MG) é acusado por alguns parlamentares de "politizar" o documento.

Sob pressão, na terça-feira o petista já recuou e retirou dois capítulos do relatório, sobre os pedidos de investigação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o jornalista Policarpo Júnior, diretor da revista Veja em Brasília. Mesmo assim, o texto ainda recebe críticas e corre o sério risco de não ser aprovado.

Uma das polêmicas, agora, é o pedido de indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo, por seis crimes. "Esse relatório é incorrigível", protesta o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), para quem a inclusão do nome de Perillo no relatório é "fruto da ira" do ex-presidente Lula contra o governador goiano.

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O PMDB, que faz parte da base do governo, está dividido: a deputada Íris Araújo pretende votar pela aprovação do texto, enquanto o deputado Luiz Pittman afirma que votará contra. Ele é um dos que reclamam da "politização" do relatório. A chamada bancada dos independentes, que tem no grupo, entre outros, o senador Pedro Taques (PDT-MT), o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e o deputado Rubens Bueno (PPS-PR), também parece não ter chegado a um consenso.

Pedro Taques, que fez parte da autoria em grupo de um relatório entregue à Procuradoria-Geral da República pedindo alterações no relatório, faz duras críticas à não inclusão daqueles que captaram recursos da Delta. "Isso significa que perdemos tempo e que o lixo não foi mostrado à sociedade brasileira".

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Odair Cunha, porém, deu a entender que essa parte do relatório deve ser mantida. Além da questão política, de que o PT estaria se vingando do PSDB ao incluir Perillo, o pedido de indiciamento do governador é polêmico também na questão legal. Os advogados do tucano formalizaram um documento citando liminar que impede a convocação de seu cliente à comissão. Nesse caso, seu indiciamento também não é legal, defendem.

Para o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), o caso de Perillo é "uma cortina de fumaça para evitar a discussão de outros temas", como o nome do dono da empreiteira Delta, Fernando Cavendish. Segundo ele, ninguém defende publicamente a retirada de Cavendish do relatório final, mas nos bastidores, oposição e base governista defendem que ele seja poupado.

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Na sessão desta quarta-feira, quando Odair Cunha leu uma apresentação de seu trabalho, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), sugeriu que trechos controversos fossem votados em separado. Mas o relator discordou e, com isso, pode ter o texto recusado na íntegra. "Quem discordar do meu relatório, terá que votar contra todo o relatório", disse. A medida de tirar Policapor e Gurgel do documento pode não ser suficiente e a CPI do Cachoeira pode ser concluída sem uma conclusão formal de seus trabalhos.

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