CPI deve quebrar sigilos de Iris, Paulo e Ana Paula

Controlada por aliados do governador Perillo, comissão aprofunda investigação das relações da construtora Delta com a prefeitura de Goiânia; empreiteira firmou seu primeiro contrato na gestão de Iris, em dezembro de 2005; construtora faturou mais de R$ 140 milhões em obras e serviços com prefeituras goianas; ex-chefe de gabinete de Paulo Garcia depõe nesta manhã

CPI deve quebrar sigilos de Iris, Paulo e Ana Paula
CPI deve quebrar sigilos de Iris, Paulo e Ana Paula (Foto: Edição/247)


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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para investigar a suposta ligação entre o contraventor Carlinhos Cachoeira e agentes políticos reserva lances importantes para esta semana. Entrará em pauta requerimento que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e de SMS do ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, da sua filha Ana Paula e do atual prefeito, Paulo Garcia (PT). Os deputados sustentam que os indícios colhidos pela CPI apontam um “cenário nebuloso” na relação entre a prefeitura da Capital e a construtora Delta, braço operacional e financeiro de Cachoeira desde 2005.

A CPI da Assembleia de Goiás, controlada por deputados da base de apoio ao governo do Estado, tem feito o contraponto à pressão do PT contra o governador Marconi Perillo na CPMI do Cachoeira, no Congresso Nacional. Na sessão que começa logo mais a CPI vai tomar os depoimentos de Cairo Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito Paulo Garcia, e dos delegados da Polícia Civil Gilberto Ferro e Hylo Marques. Também serão votados os requerimentos das quebras de sigilos e novas convocações.

A Delta firmou contratos com a administração municipal na gestão Iris. Entre 2005 e 2010 – ano em que o peemedebista se desincompatibilizou do cargo de prefeito para disputar o governo do Estado – a construtora faturou mais de R$ 140 milhões por serviços prestados a prefeituras goianas. O primeiro destes contratos foi assinado em Goiânia, porta de entrada para Delta em Goiás. Foi publicado no Diário Oficial do dia 6 de dezembro de 2005.

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Na gestão de íris, a Prefeitura de Goiânia homologou a segunda licitação vencida pela Delta, no dia 7 de julho de 2006. Foram licitados dois lotes de R$ 6.868.396,80. No dia 22 de setembro de 2006, a prefeitura oficializou contrato de locação de caminhões com motoristas no valor de R$ 30.659.040,00. No dia 19 de julho de 2007, o primeiro dos contratos assinados com a Delta (em 2005) foi prorrogado por mais 360 dias. Em 28 de abril de 2008, foi adjudicado o contrato para construção do viaduto da T-63, no valor de R$ 18.138.853,70. No dia 30 de maio de 2008, o primeiro dos contratos da Delta foi aditivado em R$ 3.613.435,46. Por fim, em junho de 2008, a Delta foi contratada por R$ 645.255,04 para construção do bueiro da avenida T-9.

Estes são exemplos de contratos firmados entre a construtora e a gestão Iris que devem balizar o pedido de quebra de sigilos do ex-prefeito. Essas licitações renderam mais de R$ 66 milhões para a Delta em pouco mais de cinco anos. A participação da empreiteira na rotina administrativa de Goiânia era tão intensa que houve contratos que receberam mais de dez aditivos. Os parlamentares que participam da CPI da Assembleia notaram que, no mesmo período em que a construtora esticou seus tentáculos sobre as obras empreendidas pela prefeitura, o patrimônio pessoal do ex-prefeito evoluiu mais de 100%, e avançou dos R$ 6 milhões iniciais para mais de R$ 14,6 milhões.

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Outro detalhe que despertou atenção da CPI foram as doações feitas pela Delta no dia 21 de setembro de 2010 e 27 de outubro de 2010 – datas próximas ao primeiro e segundo turnos da eleição para governador, da qual Iris participou – ao diretório nacional do PMDB. Ao partido do então candidato ao governo de Goiás, a construtora doou R$ 500 mil e R$ 300 mil, respectivamente. Ato contínuo, a direção nacional do PMDB repassou ao comitê de campanha de Iris no dia 28 de setembro de 2010 a importância de R$ 300 mil e, em 27 de outubro de 2010, R$ 150 mil, o que demonstra sincronismo entre os repasses.

Os indícios de favorecimento à campanha de Iris em troca de contratos milionários firmados com a administração - com o suposto apoio do diretório nacional do PMDB - sugere aos deputados que apurem se houve um esquema de triangulação para abastecer a campanha do então candidato ao governador com dinheiro proveniente dos contratos entre a Delta e a prefeitura de Goiânia. Suspeita-se também que o esquema de corrupção eventualmente estabelecido com o braço operacional de Cachoeira foi preservado na gestão do sucessor de Iris, o atual prefeito e candidato à reeleição Paulo Garcia.

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Ana Paula

Na mira da CPI da Assembleia também está a filha dileta de Iris, a quem o ex-prefeito incumbiu a missão de administrar o patrimônio da família a respeito de quem suspeita-se que haja interesse de seguir, na política, por mesmos caminhos do pai: Ana Paula Rezende Machado Craveiro. Os deputados acreditam que Ana Paula pode ter sido designada a tratar da tramitação de valores e negociações com a Delta com objetivo de poupar Iris.

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O que leva Ana Paula ao rol de suspeitos é a constatação de que entre 2008 e 2010, período em que o pai foi prefeito de Goiânia, a Delta ampliou sua participação na gestão por meio de contratos públicos sempre aditivados e o valor das ações da sua empresa (Vera Cruz) alcançaram variação positiva de 1000%.

Existe a suspeita de que a empresa teria sido usada para legalizar recursos provenientes dos contratos entre a Delta e a Prefeitura de Goiânia, o que na opinião de deputados justifica a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e de SMS de Ana Paula.

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Os parlamentares também admitem discutir a quebra de sigilo do marido de Ana Paula, Frederico, de modo a fechar o cerco sobre os negócios da família e garantir que eventuais transações ilegais não passarão ao largo do conhecimento da Comissão de Inquérito.

Paulo Garcia

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O terceiro personagem é o prefeito Paulo Garcia (PT), que ascendeu ao cargo por ocasião da renúncia de Iris em 2010 (para disputar o governo de Goiás) e agora disputa a reeleição. Se comprovada a suspeita de ilícitos entre a Delta e Iris, a CPI pretende quebrar os sigilos de Paulo para constatar se as eventuais irregularidades e desvios de dinheiro público continuaram a ocorrer na atuação administração, uma vez que o atual prefeito também celebrou contratos com o braço operacional de Cachoeira.

Onze edições do Diário Oficial do município trazem extratos de aditivos ou de novos contratos da administração da Capital com a construtora do bicheiro entre junho de 2010 e dezembro de 2011. Em 2010, a Delta doou ao PT e ao PMDB, pelas vias ordinárias, pelo menos R$ 450 mil.

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Reportagem da revista Veja publicada no dia 25 de junho revelou que esquema semelhante vinha ocorrendo em todo o Brasil: “PT e PMDB turbinam crescimento da Delta", dizia a manchete da revista. "A empreiteira declarou à Receita R$ 3,1 bilhões em repasses públicos em 2009 e 2010, dos quais R$ 2,65 bilhões ou 85% vieram de órgãos comandados pelos dois partidos.”

Além dos contratos e aditivos firmados com a empresa Delta, Paulo Garcia teve auxiliares envolvidos com denúncias de tráfico de influência. Seu chefe de gabinete, Cairo Freitas, e seu secretário de Comunicação, Andrey Sales, pediram demissão depois de flagrados pela Polícia Federal em diálogos suspeitos com o ex-vereador Wladmir Garcêz.

Cairo teria solicitado ajuda de Cachoeira para facilitar a continuidade das obras do Mutirama. O que se supõe ao ouvir gravações vazadas pela PF é que 30% das obras do Mutirama pertenceria a Carlinhos Cachoeira.

Qualix

Além da quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e de SMS de Iris, Ana Paula e Paulo Garcia, a CPI da Assembleia Legislativa quer analisar documentos relativos a contratos entre a prefeitura de Goiânia e a Qualix, sobre a qual existe a suspeita de participar de uma máfia do lixo na Capital que, além de desviar dinheiro público, tenha cometido uma série de práticas lesivas ao meio ambiente. Ao prefeito foi encaminhado um requerimento que exige a remessa de minutas contratuais em até dez dias, contados a partir de 27 de junho.

A Comissão começa a analisar ainda hoje os requerimentos para intimação do procurador do Estado de Goiás, Marcelo Siqueira; do sócio-proprietário da empresa Mestra Administração e Participação, Écio Antônio Ribeiro; dos delegados da Polícia Civil Leandro Pinheiro Fonseca Pereira, Rosivaldo Linhares Rosa e André Soares Veloso; do ex-presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agesp), Edilson de Brito; do empresário Carlinhos Cachoeira; da ex-integrante do quadro societário da empresa Mestra Administração e Participação, Sejana Martins; do jornalista Luiz Carlos Bordoni; e do presidente da Agência Goiana do Sistema de Execução Penal (Agesp), Edemundo Dias Oliveira.

Também serão analisada a requisição de documentos junto à Secretaria Estadual de Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Civil, Tribunal de Contas do Estado, Câmara dos Deputados e Tribunal de Justiça. Convites ao governador Marconi Perillo (PSDB), procuradores e promotores também serão discutidos.

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