Correio contradiz Josias e Camarotti sobre Perillo

Reportagem deste sábado no Correio Braziliense diz o oposto do que escreveram os blogueiros da Folha/UOL, Josias de Souza, e do G1, Gerson Camarotti. Para eles, PSDB está deixando o governador Marconi Perillo à própria sorte; para o Correio, partido vê no tucano “peça-chave” para seus planos

Correio contradiz Josias e Camarotti sobre Perillo
Correio contradiz Josias e Camarotti sobre Perillo (Foto: Edição/247)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Goiás 247 – Em avaliação oposta ao que foi divulgado durante a semana por jornalistas como Josias de Souza e Gerson Camaroti, o Correio Braziliense deste sábado destaca: “PSDB se mobiliza para tentar resgatar Marconi Perillo da crise na CPI”. Segundo a reportagem, o governador goiano seria “peça-chave na configuração de poder dos tucanos”, que estariam preparando tropa de choque para acompanhar o seu depoimento na terça-feira.

Por ora, a tropa de choque de que se tem noticia é do próprio governo de Goiás, que inclui até caravana de deputados estaduais, inclusive de integrantes da CPI local do Cachoeira. Vale lembrar que dois dos comandante da CPI goiana assinaram documento de apoio e de ‘absolvição prévia’ para Marconi Perillo. O documento foi entregue ao próprio governador em solenidade no Palácio das Esmeraldas (leia aqui).

No caso do apoio, olha o que escreveu Gerson Camarotti, do G1, em seu blog na sexta-feira, 8: “A cúpula do PSDB está em alerta máximo com a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo. Nos bastidores, integrantes do comando tucano falam abertamente que já não acreditam mais nas explicações de Perillo.”

continua após o anúncio

Dois dias, antes, anotara Josias de Souza, do UOL: “Avalia-se internamente que a suspeita de infiltração de Carlinhos Cachoeira na administração de Perillo já comprometeu o plano do governador de disputar a reeleição em 2014. Se é assim, por que deveríamos nos associar incondicionalmente a um caso perdido?, pergunta-se o tucano (ouvido pelo blog).”

Na terça-feira, 12, Marconi Perillo será ouvido na CPI mista na expectativa de que ou conseguirá apagar todas as dúvidas e sobreviver, ou dará um último tiro de misericórdia em si mesmo. Será um dia decisivo para o governador goiano, que tanto já prometeu levar “bomba” contra políticos goianos, quanto dá sinais de que está como medo, como demonstrou no episódio em que pediu para conversar reservadamente com integrantes da CPI.

continua após o anúncio

Abaixo, o resumo da matéria do Correio (íntegra, só para assinantes) e as análises dos blogueiros:

 

continua após o anúncio

G1, Blog do Camarotti - 8.06.12 (ou aqui)

Perillo deixa PSDB em alerta máximo

continua após o anúncio

A cúpula do PSDB está em alerta máximo com a situação do governador de Goiás, Marconi Perillo. Nos bastidores, integrantes do comando tucano falam abertamente que já não acreditam mais nas explicações de Perillo. Mas reconhecem que, neste momento, o PSDB não tem o que fazer.

Essa constatação cresceu principalmente com as várias versões para a venda da casa do próprio Perillo. Foi nesta casa – vendida no ano passado – que o bicheiro Carlinhos Cachoeira foi preso pela Polícia Federal no último dia 29 de fevereiro.

continua após o anúncio

O discurso oficial do PSDB será o de dizer que confia em Perillo. Mas se em algum momento ele não conseguir mais explicar as várias contradições, o PSDB já tem um argumento pronto: o de que o partido foi surpreendido pelos acontecimentos.

Em conversas reservadas com a cúpula do PSDB, Perillo tem dito que em relação ao seu governo, não aparecerá nada de comprometedor. Mas ele já teria admitido internamente que não tinha segurança em relação à condução da sua campanha.

continua após o anúncio

O jornalista Luiz Carlos Bordoni, que trabalhou para a campanha de Perillo (PSDB) em 2010, disse que recebeu parte do pagamento de empresas ligadas ao grupo de Carlinhos Cachoeira. Esse episódio também desagradou aos integrantes da cúpula tucana.

Para parlamentares do PSDB que estão acompanhando de perto esse episódio envolvendo Perillo na CPI, a aposta é de que ele sairá muito fragilizado do episódio.

continua após o anúncio

Como tem maioria na Assembleia Legislativa, Perillo deve utilizar a CPI local para causar constrangimentos aos adversários locais do PT e PMDB, e mostrar a ligação desses políticos de oposição com o esquema Cachoeira. E com isso, tentar dividir o desgaste em Goiás.

Tucanos ouvidos pelo Blog reconhecem que Perillo tem condições – até o momento – de escapar na Justiça. Mas já consideram a situação política dele extremamente delicada, principalmente no plano nacional.

 

UOL, Blog do Josias – 6.06.12 (ou aqui)

PSDB exige propaganda em que Aécio fala de 'ética' e racha diante das dúvidas sobre Perillo

O PSDB atravessa uma quadra paradoxal. Exibe na tevê inserções publicitárias em que seu presidenciável, Aécio Neves, fala de um “sonho”. O sonho “de que a política possa, um dia, ser o espaço da ética.” Simultaneamente, o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, desponta nos telejornais do horário nobre como protagonista de um pesadelo.

A falta de conexão entre propaganda e noticiário leva incômodo ao tucanato. Antes unido na defesa de Perillo, o PSDB dividiu-se. Uma parte acha que a legenda deve proteger o governador goiano dos ataques do PT na base do vai ou racha. Outra ala, minoritária, acredita que a biografia de Perillo, já rachada, não vale o sacrifício.

A divisão manifesta-se, por ora, apenas em privado. Mas integrantes do grupo dos insatisfeitos começam a manifestar o desejo de explicitar suas opiniões às claras. Em conversa com o blog, uma das vozes desse bloco explicou o que se passa. Disse que se formou no PSDB um consenso.

Avalia-se internamente que a suspeita de infiltração de Carlinhos Cachoeira na administração de Perillo já comprometeu o plano do governador de disputar a reeleição em 2014. Se é assim, por que deveríamos nos associar incondicionalmente a um caso perdido?, pergunta-se o tucano.

O grande receio do pedaço do partido que olha de esguelha para Perillo é o de que o PSDB saia do Cachoeiragate mais ensopado do que o DEM. Recorda-se que o parceiro de oposição livrou-se de Demóstenes Torres no alvorecer do escândalo. Ouvido, um dirigente do ninho contra-argumentou: os indícios que pesam contra Perillo ainda não autorizam a equiparação com Demóstenes.

A turma do contra não digere essa tese. Olha ao redor e conclui: do ponto de vista político, Perillo tornou-se, sim, uma espécie de Demóstenes. Por quê? Suas explicações já não são levadas a sério. Teme-se que a tática da proteção a qualquer custo converta em pó o núcleo do discurso do PSDB contra o PT. Um discurso que se escora na tese segundo a qual Lula e o alto comando do petismo “passam a mão na cabeça” dos réus do mensalão, contemporizando com os transgressores.

Ao empurrar o PT para dentro da CPI, um dos objetivos de Lula era justamente o de silenciar as cornetas do mensalão num instante em que o STF prepara-se para julgar o processo. Na origem do escândalo, em 2005, Perillo irritara Lula ao propalar a informação de que o avisara sobre a contaminação monetária de sua base congressual. Algo que pôs em dúvida o lero-lero do “eu não sabia”.

O tucano que falou ao repórter insistiu: a forma mais adequada de responder ao Lula seria o PSDB se diferenciar dele. Não devemos e não podemos tapar o Sol com a peneira, disse. Em seguida, repisou: o DEM foi implacável com Demóstenes. E nós ainda não definimos nem o que fazer com o Leréia. Refere-se ao deputado do PSDB de Goiás Carlos Alberto Leréia, um membro do ‘Clube Nextel’ pilhado nos grampos da Polícia Federal em diálogos vadios com Cachoeira.

Nesse contexto, as dúvidas relacionadas à venda de uma casa de Perillo, adensadas nesta terça (5), compõem o cenário como mero detalhe. É parte de um pano de fundo que, tomado em seu conjunto, leva a um cenário radioativo.

Inclui, por exemplo: o aparelhamento da polícia goiana, posta a serviço da jogatina ilegal de Cachoeira; a chefe de gabinete do governador, afastada depois de soar nos grampos; a entrega de postos estratégicos como o Detran-GO a prepostos do contraventor; o jornalista que diz ter recebido de empresa fantasma de Cachoeira a remuneração por serviços prestados à campanha de Perillo; e um enorme etc..

Convocado, Perillo falará à CPI na próxima terça-feira (12). Será crivado de indagações ácidas. O PT dispõe até de um roteiro com dados de extraídos do papelório recebido da PF e do Ministério Público. No dia seguinte, 13, irá ao banco da CPI o governador petista de Brasília, Agnelo Queiroz. O tucanato arma-se para ir à forra.

O PT acredita que, na comparação, Perillo sairá mais chamuscado que Agnelo. Admite-se que os autos da Operação Monte Carlo revelam que Cachoeira tramava ocupar também a administração de Brasília. Porém, a PF teria estourado a quadrilha numa fase em que o contraventor chegara apenas aos arredores de Agnelo. Nessa versão, o esquema ruiu antes que Cachoeira desse o definitivo bote.

Seja como for, um pedaço do PSDB não parece satisfeito com a ideia de travar nas manchetes uma batalha do tipo sujos versos mal lavados. O problema é que os tucanos, à moda dos intelectuais, costumam entregar-se a um estranho fenômeno: a lamentação depois do fato. Vem daí que, a despeito do incômodo crescente, ainda não surgiu um bico com coragem suficiente para grasnar sob holofotes.

Na propaganda institucional que começou a ser veiculada no último final de semana, Aécio declara: “Com coragem para enfrentar os problemas, com transparência e cuidado com cada centavo do dinheiro público, é possível, sim, mudar de verdade a vida das pessoas. Nós do PSDB acreditamos muito nisso. E você?”

A peça promocional compõe um pacote de 40 inserções nacionais que o PSDB decidiu regionalizar. Aécio está sendo levado ao ar em vários Estados. Ao cotejar o “sonho” da propaganda com o pesadelo que vem de Goiás, o eleitor fica tentado a responder ao presidenciável: ‘Não acredito muito nisso.’

 

Correio Braziliense (ou aqui):

PSDB se mobiliza para tentar resgatar Marconi Perillo da crise na CPI

Governador de Goiás é considerado peça-chave na configuração de poder dos tucanos, que mobilizam tropa de choque para acompanhar o depoimento na terça-feira. Desafio é rebater os indícios de ligação com Cachoeira

Alvo principal do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na CPI do Cachoeira, pressionado pelas versões divergentes quanto à venda de uma mansão em Goiânia em que o bicheiro foi preso durante operação da Polícia Federal e acossado sob as denúncias de que teria pago um jornalista, durante a campanha de 2010, com recursos oriundos do crime organizado, o governador de Goiás, Marconi Perilllo, vai depor na próxima terça com seu prestígio político ainda intacto, tanto no estado quanto no PSDB. O partido promete enviar a tropa de choque para defender o correligionário.

Apesar de toda a maré contrária, os tucanos esforçam-se para salvar Perillo, porque enxergam no governante goiano uma opção de poder fora do eixo sudeste-sul do país. Administrador de um estado importante para a oposição, de forte cunho agrícola, Perillo representa, para o PSDB, um contraponto ao PT, que sempre teve dificuldades em angariar votos e simpatia nas regiões com economia concentrada no agronegócio.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247