Corintianos tomam Buenos Aires por jogo histórico
São cerca de cinco mil torcedores brasileiros na capital argentina para apenas 2,4 mil ingressos; tem gente que vai até torcer do lado reservado ao Boca Juniors, na esperança de ver o Corinthians superar o histórico de derrotas na Copa Libertadores logo na primeira vez em que chega à final
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247 - Buenos Aires teve uma madrugada atípica nesta quarta-feira: conheceu a torcida do Corinthians em ritmo de final. Os gritos e cantorias que os paulistanos se acostumaram a escutar pelas ruas de São Paulo durante jogos do Timão ganharam as ruas da capital argentina, principalmente nas imediações do hotel Intercontinental, onde estão hospedados os jogadores alvinegros. A 'ocupação' corintiana tem até bairro -- San Telmo, onde 800 membros da organizada Gaviões da Fiel se hospedaram. Alguns torcedores chegaram a passar a noite de terça para quarta-feira em claro, em bares e lanchonetes, sempre declarando em alto e bom som seu amor pelo Corinthians. Não é para menos.
Após 101 anos de existência, como gostam de provocar os rivais, o Timão chegou pela primeira vez a uma decisão de Libertadores da América (o torneio é disputado desde 1960). E há uma parte da torcida que não se contenta em acompanha apenas o jogo de volta, no Brasil, e fez questão de presenciar o feito desde seu primeiro minuto. A torcida corintiana prometeu 5 mil torcedores na capital argentina para o jogo desta quarta-feira, apesar de terem apenas 2,4 mil ingressos reservados. Quem não conseguiu entrar na cota comprou entradas para assistir ao jogo discreta e heroicamente infiltrado entre torcedores do Boca Juniors.
Para os corintianos, a chance de acompanhar seu time na mítica Bombonera é valiosa. Afinal, o clube conta apenas 10 participações na Libertadores (os rivais São Paulo, Palmeiras e Santos, por exemplo, são campeões do torneio e somam, respectivamente, 15, 14 e 12 participações). Apesar da falta de tradição internacional, o Corinthians participa neste ano da terceira Libertadores seguida -- incluída a desastrosa eliminação na pré-Libertadores do ano passado, para o inexpressivo Tolima.
Do outro lado, o Corinthians terá um Boca Juniors que participou do torneio o dobro de vezes (22) e, só de finais, já iguala as 10 participações corintianas na disputa continental. O Boca pode, aliás, igualar em títulos o rival Independiente, até hoje o maior campeão do torneio, com sete títulos. Todos esses números não significam nada dentro de campo, contudo, e é nisso que a torcida corintiana aposta para ver o fim do trauma corintiano na Libertadores, resultado de uma eliminação para o Palmeiras (nas semifinais de 2000), uma desclassificação para o River Plate em pleno Pacaembu (em 2006) e a já mencionada prematura derrota para o Tolima, no ano passado.
Dentro de campo
Apesar do histórico, o Corinthians chega à final com reais chances de ganhar o título. Com uma campanha segura, de poucos gols sofridos (mas também de poucos gols marcados), o time corintiano, atual campeão brasileiro, ganhou consistência nos últimos dois anos e chega maduro à decisão, e com o reforço dos meias Alex e Danilo, campeões do torneio por outras equipes. Já o Boca Juniors deixou escapar o título argentino após uma temporada na liderança da competição e, apesar de ter Riquelme, não chega a empolgar quando comparado aos elencos que venceram os seis títulos do clube na Libertadores.
O duelo desta quarta-feira não decide o torneio, mas deixa o resultado encaminhado. Notabilizado por uma defesa muito sólida e um contra-ataque extremamente rápido e eficiente, o Corinthians praticamente garante o título da Libertadores com um resultado positivo em La Bombonera. Do contrário, é torcer muito no Pacaembu, no jogo de volta, marcado para a próxima semana, para a alegria da primeira classificação para a final não se transformar em mais um trauma continental na longa lista do clube.
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